terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Um romance com o céu



Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. (Deuteronômio 6:5) E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. (Mateus 22:37) Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. (Marcos 12:30) E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. 
(Lucas 10:27)
A busca insaciável de todo cristão, ao receber a vida de Deus em seu interior e conhecer as profundezas dessa vida incriada que agora faz parte de si, é viver no centro da vontade de seu Senhor e saber de forma específica qual é sua missão aqui na terra, ter clareza desse centro e dessa vontade de modo pessoal.
O propósito original de Deus ao criar-nos foi para contê-lo em nosso espírito. Fomos criados para sermos à sua imagem e semelhança. Esse propósito nunca mudou. Desde a queda Deus trabalhou para restaurar esse propósito, através de seu engenhoso plano um fio escarlate percorre toda a escritura desvendando o anseio furioso de Deus pelos seres humanos. E ante a isso comprovamos o que Jó diz no cap. 42 verso 2 que: Nenhum dos teus planos podem ser frustrados.
A Bíblia é um romance de um Noivo apaixonado e uma noiva sedenta, entre um Deus incriado e uma criatura feita de barro. A vida foi planta em nós, a vida incriada do próprio Deus, o Zoe. Essa vida deseja ser espalhada para cada parte do nosso ser (mente, vontade e emoções), essa vida deseja ser expressada. É somente através dela que conseguimos amar a Deus de todo o coração, alma, entendimento e força! É somente através dela que conseguimos corresponder a esse anseio furioso do Criador por nós.
O criador arquitetou ter o homem para si, contudo o deixou escolher. Essa vida foi gerada em nós (através do novo nascimento) para ser discernida, ministrada e liberada. 
1) Discernida - O primeiro passo é identificar o Zoe de Deus dentro de nós. Em diversas vezes na palavra, o apelo é para nos voltarmos para dentro, nas profundezas é onde Ele reside. Quando conseguimos identificar a vida dentro de nós, se inicia o relacionamento profundo com Ele, somente assim nossa sede é saciada e o propósito para o qual fomos criados é cumprido.
2) Ministrada - A vida foi gerada em nós para que pudéssemos ministrar, servir na presença dEle. Quando ministramos a vida se espalha pelo resto de nosso ser. É por isso que esse ministrar precisa ser constante e intenso, para que possamos ser conformados à imagem de Cristo (imagem e semelhança). Quando o contemplamos, gastamos tempo em sua presença, nos voltando para o nosso espírito, simplesmente para estar com Ele, sem que Ele fale uma palavra se quer aos nossos corações, somos transformados e conformados (II Coríntios 3:18). Quando ministramos Zoe, fluímos nela, e cumprimos o propósito de ser espírito como Ele é espírito.
3) Liberada - O propósito de discernir e ministrar (Fluir) é liberar essa vida aos outros. Muitos chamam de ministério, outros de chamado, outros de vocação. Só podemos responder adequadamente ao chamado do nosso amado Senhor quando liberamos vida através de nossa vocação. Somente quando essa vida incriada é liberada através de nós exercemos de fato a função de profeta, mestre, apóstolo, pastores e evangelistas. E só conseguimos liberar quando discernimos e ministramos na presença. 
E assim compreendemos segredo da vida quando aprendemos a lidar com a vida, o Zoe...a essência do Deus incriado.

Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. 
Jeremias 1:5
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia. 
Salmos 139:16


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Contando Estrelas / Aliança de Sangue

Assim como há resquício de barro
Nas estradas asfaltadas
E ruínas pelo impacto das guerras
e catástrofes
Há em cada poema uma lágrima;
(Há uma gota de sangue em cada Poema - Mário de Andrade)

Podemos nos aproximar da Bíblia de várias maneiras, como um livro de histórias interessantes, como um livro de princípios, como um manual de vida...mas quando nos aproximamos da bíblia com a motivação de conhecer a pessoa de Jesus Cristo, como personagem principal do maior romance de todos os tempos, experimentamos algo completamente diferente quando lemos cada versículo e identificamos em cada página as gotas de sangue para que o propósito de união eterna, entre um Deus santo e sua noiva criada, se cumpra por meio da redenção.


Após a queda o propósito de Deus, de ter o homem e a mulher o expressando em imagem e domínio, foi aparentemente frustrado. Mas apartir dali o Senhor começa a colocar em ação o plano da redenção, o meio legal de entrar na terra e fazer real a encarnação (Deus virando gente / Carne). E como início desse plano Deus encontra na terra Abraão, e o separa da terra de seus parentes e o leva para uma terra até então desconhecida por Abraão, e nessa terra o convida para fazer uma aliança de sangue. 

Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la. E disse ele: Senhor DEUS, como saberei que hei de herdá-la?
E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu. E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava. E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele.

E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades. 
Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;
(Gênesis 15:7-14 / 
17-18)


Nesses versículos é o momento em que Deus chama Abraão para fazer uma aliança com Ele, foi em um momento em que Abraão estava desanimado e sem clareza do porque Deus o havia chamado para viver naquela terra (Canaã). E para motivá-lo Deus pede para que ele conte as estrelas do céu, para sempre lembrar do tamanho que seria sua descendência: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência. (Gênesis 15:5)
E nesse momento Deus faz uma aliança de sangue com Abraão, os animais são colocados no altar e o Senhor Jesus vem em forma de fogo e passa por entre as partes dos animais partidos, ele passa fazendo um oito deitado, que dizia que aquela aliança era para sempre. As implicações dessa aliança (como nas alianças feitas até nos dias de hoje, em casamentos, por exemplo) eram: Tudo que era de Deus pertencia a Abraão, que ainda aqui se chamava Abrão, e tudo que era de Abraão pertencia a Deus, ambos poderiam ter o que quisessem um do outro sem precisar de pedir. Os descendentes que sairiam de Abrão Deus poderia usar como quisesse. 
No momento que estava sendo feita a aliança, aves de rapina tentavam comer os animais do sacrifício, o mundo espiritual sabia das implicações dessa aliança, e de que através dela o Messias viria à terra.



Como sabemos Abrão tentou interpretar a promessa de Deus, e gerou Ismael, que estava fora do propósito de Deus, ante a isso Deus estabelece uma marca visível em Abrão e seus descendentes, a circuncisão, e na mesma oportunidade muda o nome de Abrão acrescenta parte do nome dele no nome de Abrão. O sopro "a" do nome de Deus é acrescentado no nome de Abrão. É como se Deus dissesse: Abraão, eu tenho uma aliança com você e ela será cumprida não na força do seu braço, mas eu a cumprirei sem sua ajuda, eu a cumprirei pois cumpro todas as minhas promessas. Não é na sua força, é na minha, confie em mim!
E no capítulo 17 Deus estabelece o instituto da circuncisão, vejamos: 

Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito. 
E porei a minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente. 
Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo:
 Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações;
E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; 
E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti;
E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti.
Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós.
(Gênesis 17:1-7 / 
10-11)


O sinal da circuncisão era para que Abraão e todos os seus descendentes se lembrassem de que pertenciam a Deus, e o mais interessante o local da marca, mostrava que Deus poderia a qualquer tempo e em qualquer geração usar a semente de Abraão para cumprir o propósito da redenção. Da linhagem desse homem sairia o messias, o parente próximo, o resgatador dos seres humanos, ele seria (foi) Emanuel, Deus encarnado, o protótipo de uma nova raça (a raça dos Filhos de Deus), o segundo Adão.
Todos os patriarcas e demais israelitas da antiga aliança foram salvos pela fé, de que um dia o Messias viria, e assim foram inclusos no sacrifício. Hoje somos salvos também da mesma maneira, pela fé, em crermos no que aconteceu no passado, no sacrifício perfeito que não encobre, mas arranca a raiz da velha natureza pecaminosa.
Todas essas páginas de sangue, todo esse trajeto de alianças que Deus fez com um homem para colocar os seres humanos novamente na posição inicial que Adão e Eva se encontravam, escolher comer do fruto da árvore do Conhecimento do bem e do mal, ou comer do fruto da árvore da Vida. Qual é a sua escolha?

Leia: Autoridade e Submissão - postagem anterior

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Autoridade e Submissão

"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."
(Mateus 28:18-20)

Antes de voltar aos céus, para a direita do Pai, Jesus declarou que TODA a autoridade lhe foi dada nos céus e na terra. Dois níveis de autoridade, porque ele faz questão de ressaltar esse detalhe? Porque antes de sua vinda à terra não era assim, seu domínio era sobre os céus, e somente após a cruz o segundo nível foi conquistado. A palavra de Deus fala sobre isso, vejamos: Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens. (Salmos 115:16) Porque a terra pertence aos filhos dos homens? Em Gênesis 1:28 Deus entrega a terra de presente a Adão, e tudo que nela havia, e logo em Gênesis 3 o homem entrega o domínio da terra a Satanás. O ato de comer do fruto da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, dizia que o homem queria viver independente de Deus, de acordo com seu próprio entendimento e inteligência. "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda"(Provérbios 16:18). Contudo, a parte do contrato que a serpente não mostrou era que tal atitude luciferiana desembocaria em total perda de posição, de dono para escravo. Adão e Eva perderão tudo que possuíam (corpos, domínio da terra, e o mais precioso a comunhão com Deus). 


No texto a cima, de Mateus 28, após a ressurreição, Jesus deixa claro aos discípulos que a autoridade sobre a terra havia sido devolvida ao homem por meio Dele. E agora todos os filhos de Deus nascidos do Espírito, podem exercer essa autoridade em Cristo. Por isso que Ele nos ensinou a ligar a terra ao céu por meio das nossas orações, posto que o domínio foi devolvido. 
Percebemos que ante a isso que o propósito de Deus para a vida do homem foi novamente restabelecido, por meio de Cristo, o segundo Adão, que venceu. O propósito de sermos semelhantes a Ele e governar como Ele governa (com sabedoria, amor e justiça). Essa é a condição legal que todos os filhos possuem, contudo a posição experimental só é revelada e de fato vivida quando os filhos de Deus se tornam discípulos de Cristo.
Para exercer autoridade é necessário ser submisso. E para ser discípulo necessário tomar a Cruz e negar as vontades, a vida da alma. Para ter a experiência de estabelecer o Reino aqui na terra é preciso observar quem está a cima de nós, a submissão e a honra àqueles que nos geraram é imprescindível. A Cruz precede o trono, a humilhação precede a glória. Jesus é o maior exemplo de submissão ao Pai, e completa vida de cruz. Que possamos ter a graça de ser tal como Ele é.

terça-feira, 1 de abril de 2014

O Emanuel

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
(Isaías 9:6)



Esse também, chamado pelo profeta Isaías, de rebento, o renovo do Senhor, que saiu do tronco de Jessé. A promessa do Emanuel (Deus conosco) se cumpriu com Cristo, a 2014 anos atrás. Quando lemos as escrituras, sem estuda-las de fato, observando todo o contexto social e histórico que as envolve (passado, presente e futuro) não conseguimos perceber a grandiosidade do nosso Deus e sua soberania. O Emanuel, o Servo do Senhor, veio em um tempo propício, em um contexto em que a terra e todos os povos estavam preparados para recebê-lo. 
Quando nos deparamos com Gênesis 3:15, a promessa de redenção, nos questionamos precipitadamente: porque Deus não enviou Jesus no Capítulo 4? Porque esperar tantos anos? Tanto sofrimento, dor e angústia os seres humanos seriam poupados. Contudo a própria escritura expressa: "Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu." (Eclesiastes 3:1), Gênesis 4 não era o tempo oportuno para a vinda do amado de nossas almas. 
É interessante que a terra como cada pessoa estava preparada em todo o seu ser (Corpo, alma e espírito) para entender o evangelho e propagá-lo com diligencia. No contexto histórico, temos a contribuição de três povos para que o propósito de Deus se cumprisse:

Hebreus: Esse povo contribuiu no nível do Espírito. Eram herdeiros de todas as promessas, possuidores do legado espiritual deixado pelos patriarcas e profetas, por meio da Torá. Por meio desse povo as outras nações da terra conheceram a promessa de um salvador viria, e da existência de um único e verdadeiro Deus. Era a nacionalidade, a qual o messias pertenceria, e por meio deles todas as nações da terra seriam abençoadas (Gênesis 12:3 - em Cristo Jesus a promessa de Abraão se cumpriu). 

Gregos: Os gregos contribuíram no nível da Alma. Por meio desse povo a mente do ser humano foi desenvolvida, por meio da filosofia e dialética, como também suas diversas formas de ensino da geometria, matemática e afins. O homem voltou a raciocinar, questionar e pensar, estando aptos para receber as verdades do evangelho e propaga-lo com maior clareza. Deus deseja que nossa mente e racionalidade sejam direcionadas para Ele, pois somente nele a filosofia e a dialética tem sentido, não são vazias e depressivas. A alma no nível da alma é desesperadora, pois não encontra razão em si para existência, é por isso que Paulo diz aos romanos: "Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com esse mundo, mas transformai-vos, transformando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom agradável e perfeito." (Romanos 12:1-2) A versão Almeida e atualizada traz a expressão "culto racional", ou seja toda o nosso ser deve estar envolvido no cultuar ao Senhor. E para que isso seja pleno, a mente precisa ser renovada, a alma precisa ser transformada (passar por uma metamorfose). 

Romanos: Esse povo contribuiu no nível do Corpo. Na época da vinda de Jesus o Império Romano tinha uma extensão gigantesca, iniciava-se desde a Europa e pegava toda a asia menor e até mesmo o oriente médio (Judeus). Todos os povos que era subjugados por esse império vivia o que eles chamavam de "pax romana", não existia guerras na época da vinda de Cristo. Os romanos desenvolveram estradas que ligavam muitas cidades isoladas às demais, possuíam um avançado sistema de comunicação (até correio existia) e locomoção. Tudo isso contribuiu para a propagação do evangelho e o crescimento rápido e estrondoso da Igreja primitiva (Atos 2).

Assim percebemos a soberania e onipotência de Deus em todas as eras, como Senhor do Tempo e das Estações (Daniel 2:21). Nos maravilhamos com o seu amor em cumprir o propósito inicial de nos constituir reis e sacerdotes, de estar para sempre amalgamado a nós.


E o Emanuel deixou de ser Deus conosco e se transformou em Deus em "nosco", o Deus conosco não existe mais porque ele vivo está dentro de nós, aqueles que o receberam como salvador e senhor. "Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber aos que creem no seu nome". (João 1:2) Fomos misturados com o Espírito dele. Ele não está do nosso lado, ou segurando nossa mão. Ele está misturado ao nosso espírito, é um só conosco (I Coríntios 6:17).
Quando tocamos é Ele tocando, quando falamos é Ele falando, quando dançamos é Ele dançando, quando cantamos é Ele cantando, quando chegamos é Ele chegando. Isso é profundo e precioso de mais, uma verdade que precisamos todos os dias pedir revelação dela, para que possamos de fato expressá-lo em graça, santidade e verdade.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Identidade



Na Bélgica, os filhos recebem apenas um sobrenome, o paterno. Podem ser registrados com dois sobrenomes, contudo no documento de identidade só irá constar o sobrenome paterno. Estava conversando com uma amiga, que nasceu e reside nessa região, e a questionei se ela não achava injusto os filhos receberem apenas o sobrenome de seu pai. Ela respondeu o seguinte: "Não acho injusto, porque na Bélgica, como em toda Europa o índice de separação é muito grande, e a quantidade de filhos que não têm um bom relacionamento com o pai é significativo. Muitas mulheres lutam para que seja diferente, que os filhos tenham apenas o nome da mãe, pois julgam que a figura paterna não tem importância. Justamente por isso não acho injusto, pelo fato dos filhos não terem presentes a figura do pai, pelo nome saberão que ele existe, e sua presença é importante."
O índice de casais separados, tanto na Bélgica, como em toda Europa é muito grande, e as consequências são grotescas - elevado índice de pessoas depressivas, estressadas, nervosas e cada vez mais doentes. Essa síndrome não é algo comum apenas em determinadas regiões do mundo, ela é geral. A síndrome do "amor acabou", "não podemos mais viver juntos", "não te quero mais"...É fundamental entendermos o que está por trás disso e qual é o plano angular de família criado por Deus desde o Gênesis.
No princípio Deus formou a primeira família e os abençoou dizendo: E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. (Gênesis 1:27-28) 
Tudo era perfeito, pois éramos semelhantes a Ele. Mas como já sabemos, a perfeição acabou no momento em que o homem e a mulher tomaram a decisão de andar segundo seu próprio conhecimento, quando passaram a viver independentes de seu Criador. E todo o tipo de destruição e dor passaram a existir nos relacionamentos, na natureza e em cada particularidade de toda a criação.
Contudo, o Filho do Homem se levantou para desfazer as obras tecidas até então pelo pecado e a carne. O Filho de Deus, unigênito, se fez carne para mostrar a profundidade a largura e o comprimento do amor de um Deus soberano, poderoso e que estava super afim de ser o nosso Pai. O unigênito, herdeiro de todo o domínio e poder se levantou e se fez do mesmo tipo que nós, seres humanos, destinados a destruição e morte, para que nós pudéssemos nos tornar do mesmo tipo que Ele, espírito!
Hoje, todos aqueles que receberam o Filho, também possuem o direito de serem chamados de filhos de Deus (João 1:12), aqueles que creem no seu nome. Somos filhos, herdeiros do trono. Por mais que as circunstâncias e o tempo que vivemos aqui na terra digam o contrário, não importa, pois o que realmente permanecerá e se concretizará é a Palavra, a verdade. Por mais que nossos pais não sejam presentes, ou mesmo nos rejeitem e nos abandonem tragamos a memoria o que Ele estabeleceu: Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. (Isaías 49:15)
Ele é o nosso pai, fomos gerados por Ele em um dimensão que é eterna. Dele somos herdeiros, tanto nessa vida como na outra que está por vir e não acabará. Essa é a realidade na qual nos encontramos, contudo seria possível vivermos como miseráveis diante de tamanha herança, sendo filhos de tão rico e amoroso Pai?

E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. 
(Romanos 8:17)
Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão.
(Salmos 2:7-8)

Sobre a pergunta a cima, a resposta é sim. É plenamente possível alguém muito rico viver como miserável. Existe uma história que ilustra bem a realidade de muitos filhos que não sabem que são filhos e muito menos das implicações que esse título lhes dá. 

Uma senhora havia trabalhado muitos anos na casa de uma mulher muito rica, ao falecer ela deu de presente um documento, em forma de carta, a essa senhora. Ao receber o presente, muito grata e não sabendo muito bem o que fazer com o documento que recebera, emoldurou e colocou na parede da sala. Um senhor que começou a frequentar a singela e escassa, casa da já idosa senhora, começou a observar aquele curioso quadro na sala. Pediu permissão para levar o documento a um advogado, que constatou que o documento tratava-se de um testamento, onde a patroa rica deixava toda sua fortuna para sua estimada empregada.

Muitos cristão vivem assim, por longos anos de sua vida em Cristo, em um deserto de infantilidade. Sem saberem EXPERIMENTALMENTE de quem são filhos e qual o tamanho e proporção possui a herança deixada por Deus (Pai), conquistada por Cristo na cruz. 
O desafio é, renovarmos a nossa mente - pois de fato viemos de uma mentalidade de escravos, miseráveis - por meio da palavra de Deus, estarmos dispostos a contribuir com o Espírito Santo na transformação da nossa alma, e  experimentarmos viver no centro da vontade de Deus. 
Lembre-se: Você tem um pai, e o nome dele é Deus. Ele te gerou para ser vencedor e co-herdeiro com Cristo. Essa é a nossa identidade de cruz.  

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Hora de Trocar a Plumagem


Os pinguins de Magalhães, são aves marinhas que povoam regiões da América do Sul, como a Patagônia, são animais monogâmicos que se reproduzem uma vez por ano. Algo peculiar e muito apropriado para as condições de vida desse pinguim é a troca da plumagem que também acontece anualmente, essas trocas são fundamentais para que ele consiga mergulhar em águas extremamente geladas e percorrer cerca de 250 km afim de buscar alimento para si e seus filhotes.
Essa roupagem nova recebida pelo pinguim o faz mais resistente, posto que a impermeabilidade de revestimento é maior que anterior, fazendo com que as baixas temperaturas não atinjam sua pele levando a morrer de hipotermia. 
Nós, como os Pinguins de Magalhães, também passamos por diversas trocas de plumagem. São momentos de dor e aparente feiura que são fundamentais para que a nossa plumagem nova seja mais resistente e impermeável à frieza desse mundo, no qual estamos inseridos. Um exemplo bíblico que tenho singular apreço é o processo de troca de plumagem de Noemi e Rute. Uma exclamação conhecida e que ilustra bem esse momento é a seguinte:
"Mas ela respondeu: Não me chameis de Noemi; chamei-me de Mara, pois Shaddai me encheu de amargura. Parti com as mãos cheias, e Iahweh me reconduz de mãos vazias!" (Rute 1:20-21a) 
Talvez no início Noemi não conseguia entender o propósito de Deus naquela dolorosa troca de plumagem, mas Ele não a havia abandonado. Prova disso foi o amparo e a fidelidade de Rute para com a sogra. Deus preparou uma Nora que valia mais do que sete filhos (Rute 4:15) para cuidar de sua filha Noemi. 
As adversidades passadas por essas mulheres não foram poucas, mas todas foram de ínfimo valor para o ministério de cada uma delas - Ser as próximas mães dentro da genealogia de Jesus. Quanto maior é o ministério (o propósito de Deus a ser cumprido aqui na terra) maior é o número de troca de plumagens tidas, e mais impermeável à este século, torna-se o ungido do Senhor. 
O maravilhoso é saber o que nos espera após as adversidades e tribulações. É inexplicável servir a um Deus que nos ama a ponto de não nos deixa "líquidos" e "relativos" sem uma certeza do final. É realmente reconfortante ter a esperança da salvação e como Paulo afirmar:
"Somo atribulados por todos os lados, mas não esmagados; postos em estrema dificuldade, mas não vencidos pelos impasses; perseguidos, mas não abandonados; prostrados em terra, mas não aniquilados. Incessantemente e por toda parte trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, afim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo." (II Coríntios 4:7-10)

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Teu coração é seu mestre?

Por diversas vezes ouvi essa expressão entre os dizeres cotidianos, nos diálogos entre mancebos e até mesmo em forma de sátira. De fato, seu coração pode ser seu mestre, e tem sido o mestre de muitos, contudo, a questão é - seria o mestre mais indicado para guiar nossos passos e ações? Seria, o coração, o saber do que realmente necessitamos?
Não tenho tanta certeza quanto a resposta positiva dessas perguntas, posto que o coração é o centro das vontades e emoções humanas, um terreno movediço e instável, traiçoeiro, pouco confiável. Ter o coração como mestre seria o mesmo que entregar-se a um mar de complexidades e confusões constantes, é o mesmo que confiar seu caminho e próximas decisões a tomar nas mãos de um professor que tem dúvida sobre o próprio conteúdo ministrado. 
Como bem expressou Jeremias: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jeremias 17:9) - O coração, também chamado de alma foi corrompido pelo pecado. O Espírito do homem morreu, logo seu coração foi escravizado por sua carne, e foi entregue às paixões devastadoras. Quando Jeremias coloca que além de enganoso, nosso coração também perverso, é justamente por conta da proporção que o veneno do pecado afetou a criação, em especial os seres humanos. 
Esse engano é facilmente identificado quando compreendemos o que é a vontade de Deus e o que é a vontade do nosso coração (Eu), e a diferença das consequências dessas duas vontades em nossas vidas. Quando experimentamos uma vez que seja, obedecer a Deus fazendo a sua vontade entendemos o porque que o nosso coração é enganoso, e começamos a identificar que a punhalada nas costas, recebida diversas vezes, era dada pelo traiçoeiro mestre, coração!

"Sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas". (I João 3:20)

E é exatamente isso, não sabemos o que queremos, do que gostamos ou do que realmente precisamos, apenas achamos. E nesse achismo acabamos com sérios ferimentos. Deus, o criador de todas as coisas, é o mestre que precisamos, é o mestre que tem pleno conhecimento do nosso ser. Ele sabe exatamente de nossas necessidades, até mesmo aquelas que não conseguimos identificar, como também aquelas em que o nosso coração se confunde. 
Mesmo parecendo que Deus não entende nadica sobre nós, no momento em que ouvimos sua vontade para nossas vidas, não tenha dúvida, é exatamente aquilo que te trará paz e felicidade. Portanto, o coração pode ser seu mestre, mas não um mestre tão bom e certeiro como o seu Criador. O segredo para que tenhamos essa paz que excede a todo entendimento, é permitir que nosso coração esteja alinhado com o coração de Deus. E permitir que o Mestre Jesus, seja o Senhor dos nossos corações, domando-o completamente. 
"Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer". (Provérbios 21:1)
Escolha com sabedoria quem será o mestre de sua vida, quem será o Senhor de suas decisões e ações. Escolha se seu interior será como ribeiros de águas ou como um deserto árido e sem vida. Escolha já o seu Senhor.