segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

E o Cristo, onde está?

No domingo passado foi compartilhada uma palavra do culto com esse Tema: E o Cristo, onde está? A inspiração da mesma veio de uma viagem que nosso querido Pai-stor Raimundo Aires fez a Roma a alguns anos atrás. Ele dizia que quando entraram no território do Vaticano, o guia lhes mostrava todos os locais históricos, e foram horas de visitação a muitas relíquias sagradas e histórias de muitos santos cristãos, todavia, ao final da visitação, espontaneamente, nosso pastor indagou: "E o Cristo, onde está?" e o guia surpreso com o questionamento respondeu: "Sabe que é mesmo! Eu não havia pensado sobre isso.". Após tantos monumentos grandiosos e relíquias valiosas, nada foi encontrado dedicado à Cristo. Nada ali tinha Cristo como o centro.



Uma pergunta aparentemente simples, mas que nos leva a refletir sobre nós mesmos. Um pergunta que nos levará a ser confrontados em nossas atitudes e modus vivendi. Começaremos, então com o básico do dia, nossas orações: E o Cristo, onde está em nossas orações? Que lugar Cristo ocupa em nossas orações?

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; 
O pão nosso de cada dia nos dá hoje; 
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
(Mateus 6:9-13)

A oração modelo nos ensina a começar adorando, compreendendo que pertencemos a um Senhor e que esse Senhor deseja ocupar seu lugar (que lhe é de direito) em nossos corações. O Cristo precisa ser o centro de nossas orações, e não o nosso ego. A vontade do Cristo precisa ser cumprida em nossas vidas, não de forma permissiva, mas genuinamente, pois a vontade do Cristo, que é Senhor, é boa, perfeita e agradável. A oração não nos priva de fazermos petições, contudo, nos mostra que o pedir deve ser conforme à vontade do Pai. 
Dando continuidade à nossa reflexão...Onde está o Cristo em nosso modo de vestir? Se eu digo que o Cristo vive em meu espírito, porque não ajo conforme a natureza de Cristo, seguindo seus mandamentos e a direção interior? (I Timóteo 2:9) Onde está o Cristo, em minhas atitudes para com meu próximo? O Cristo que exalava compaixão e altruísmo por onde quer que passava, tem exalado essa vida através de minhas atitudes?
Onde está o Cristo em minhas atitudes de soberba e arrogância? 

Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. (
Filipenses 2:6-8)

Ante ao texto que Paulo escreve aos irmãos de Filipos, percebemos que a arrogância e a soberba nada tem a ver com Cristo. E a resposta para nossas perguntas é que nem sempre Cristo tem aparecido em nossas atitudes, nem sempre Cristo tem aparecido em nossas vestimentas e relacionamentos. Como Paulo escreveu em uma de suas cartas, assim como a esposa é a glória do esposo, nós fomos criados para a Glória de Deus. Por isso todo o nosso viver, seja nosso deitar ou levantar, nosso vestir e nosso falar, tudo deve ser para Glória Dele! Que nossa oração nesses dias seja como a de João Batista: Que Ele cresça e eu diminua. Ou como a da nossa irmã Mariana Valadão: "Seja tudo em mim, Senhor!" e como Paulo possamos dizer: "Já estou crucificado...", esse é o ministério do cordeiro. Para que não venhamos cair em reprovação na indagação inicial: E o Cristo, onde está?


domingo, 8 de novembro de 2015

SUBINDO A MONTANHA – Uma Serra arduamente Dourada

Sábado passado enfrentamos o desafio de subir a famosa serra que cerca nossa cidade, a Serra Dourada, éramos um total de vinte e cinco pessoas. Durante a caminhada Deus ministrava profundamente no meu coração algumas lições da famosa obra, O Peregrino, do nosso amado irmão John Bunyan, como também versículos referentes ao reino e a perseverança.
O início da subida é bem difícil, as pernas pesadas e o ar rarefeito tentam nos convencer de que não conseguiremos chegar ao topo. A caminhada em Cristo também é assim, o caminho é árduo e para conseguir chegar ao topo (reino) é necessário andar pela cruz todos os dias. A viagem feita pelo Peregrino mostra os obstáculos e distrações que a caminhada oferecia, o foco é essencial para chegar aos portões da cidade celestial.
Algo muito interessante é o ritmo da caminhada e o apoio dos companheiros de caminhada, o cristão teve amigos fundamentais como o evangelista e a esperança que o auxiliaram a alcançar os portões da cidade celestial. Durante nossa subida a Serra tinha o grupo os mais “aplicados” que estavam a todo vapor à frente da caminhada, como também os constantes com um ritmo mais equilibrado ao meio e os desanimados bem afastados do grupo, estes últimos aceitavam os pensamentos de que deveriam desistir, pois não iriam conseguir chegar ao topo.

É nesse momento que o Senhor ministrou em meu coração a importância de fazermos a esperança no caminhar de nossos irmãos, talvez diminuindo o ritmo pessoal e levando as cargas (mochilas) uns dos outros, daqueles que se acham mais fracos. E o resultado é incrivelmente sublime, no interior de cada um a sensação “Valeu a pena o sacrifício, o tomar a cruz e seguir”.


Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?
Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.
Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação.
Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó.
(Salmos 24:3-6)

Esse salmo embasa bem a caminhada do cristão de Bunyan, como também a nossa caminhada de discípulos de Cristo. Para estar em constante comunhão com o Deus residente em nós é necessário mãos limpas e coração puro. Mãos falam de obras e coração fala de motivação e intimidade. Para sentir o Senhor se movendo em nós e através de nós é preciso ter obras limpas, obras que suportem o crivo do fogo da natureza divina, obras que geram frutos dignos de arrependimento. 
Para "subir ao monte do Senhor" vai exigir de nós motivações corretas, motivações que não estejam misturadas a promoção pessoal, orgulho e boas intenções. Subir a montanha vai exigir de nós nos livrar de todo peso emocional por meio do perdão. Limpo e puro fala de santificação, para ter comunhão com o Senhor é necessário não apenas estar na posição de Cristo (Santos), mas experimentar dessa santidade em nosso dia a dia, dizendo não à concupiscência dos olhos, da carne e a soberba da vida.
Que possamos continuar subindo, sendo a esperança e consolo para nossos irmãos mais novos, e quando chegarmos nas portas da cidade celestial dizer: Realmente valeu a pena perseverar!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O poder da Pressão



Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos;
E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.
De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. 
II Coríntios 4:8-12

Sempre que leio este texto me recordo da simples e profunda ilustração do carbono em suas duas formas, carvão e diamante. Ambos são feitos do mesmo elemento químico, contudo possuem uma significativa diferença no valor. O que difere ambos são três palavrinhas: Pressão; Profundidade e Tempo. Para que o diamante seja formado é necessário que várias camadas de magma (camada pastosa situada a grande profundidade da superfície terrestre) se ajuntem uma em cima da outra, por um longo período de tempo (séculos) e sofra altíssimas pressões levando-o a ser comprimido até se petrificar e belíssimos diamantes nascerem. O carvão é formado por meio de um processo bem mais simplificado e acessível, por meio da decomposição de folhas vegetais e árvores, próximo à superfície terrestre, submetido a uma pressão bem menor.
Conosco não é diferente, no inicio sempre seremos carvão. O que vai dizer se seremos transformados ou não em diamantes é nossa profundidade em Deus e nossa capacidade de suportar as pressões, e sem dúvida o tempo tem papel primordial nesse processo. Nossa vida aqui na terra é um curto período onde podemos dar respostas corretas a esse tratamento de Deus em nos transformar à sua imagem e semelhança. Imagem no grego significa caráter. O propósito de nosso amado Criador e Pai nunca mudou, continua o mesmo fazer de nós sólidos, semelhantes a Ele, e o processo é a seguinte equação: Pressão + profundidade + Tempo = Caráter de Cristo.
Muitas vezes em nossa caminhada cristã não gostamos de ser atribulados, de ser perseguidos por causa do evangelho, não gostamos de passar por angustias profundas semelhantes a que nosso mestre passou no jardim das oliveiras antes de sua morte. Talvez por alguns terem nos apresentado um evangelho sem morte e sem cruz, talvez por ignorarmos essa parte tão fundamental da mensagem de Cristo! Todavia, evangelho sem morte não é evangelho, e boa nova sem cruz não é boa nova! A vida cristã é um caminhar de pressões e profundezas. Se permanecermos na superficialidade e não soubermos lidar com as pressões, nunca seremos tal como é aqui, diante daqueles que precisam ver o testemunho para receber a verdade da graça.
O que precisamos entender é que não existe a vida de Cristo em nós sem morrermos para nossas vontades e esmurrarmos nosso corpo! Não há fluir do rio de Deus sem morte do ego! E não adianta fugirmos das pressões pois seremos transformados em diamantes mais cedo ou mais tarde, não podemos mudar o tempo em que o Senhor determinou para que sejamos tratados e completamente transformados, mas podemos atrasar esse processo quando fugimos ou damos as respostas erradas diante das pressões. 
Existe um mistério espiritual e precioso na pressão e o grande segredo é não desperdiçarmos fugindo. Essa conclusão que o apóstolo Paulo chega de que mesmo atribulados não estamos angustiados, mesmo perplexos não desanimamos, mesmo perseguidos não fomos desamparados e mesmo ante ao abatimento não fomos destruídos, é devida à lição do Getsêmani, a forma correta de lidar com as pressões, nos pés do Senhor! Mergulhando nas profundezas de Jesus Cristo, sendo transformados de glória em glória!

quarta-feira, 18 de março de 2015

De vasilha em vasilha



Moabe tem estado sossegado desde a sua mocidade, e tem repousado nas suas fezes, e não tem sido deitado de vasilha em vasilha, nem tem ido para o cativeiro; por isso conserva o seu sabor, e o seu cheiro não se muda.
(Jeremias 48:11)
Moabe era um dos visinhos de Israel, uma nação que nasceu a partir de dois incestos (Gênesis 19:36) essa nação foi fruto das entranhas de Ló (v.37). É interessante observar que Ló era sobrinho de Abraão, teve a oportunidade de conhecer o Deus de Abraão, teve a oportunidade de presenciar o inicio de um grande mover de Deus na terra, contudo ele ficou alheio e envolvido em seus próprios interesses. Foi dessa estirpe que surgiu Moabe, um povo aparentemente próspero, que não sofria nenhum tipo de perseguição ou mesmo pressões externas. O profeta ilustra Moabe com a forma de fabricação e purificação do vinho daquela época.
Na época antiga, não existiam filtros para a purificação do vinho. O vinho era purificado e fermentado sendo transferido de uma vasilha para outra vasilha, até que no fundo não tivesse nenhum tipo de resíduo (borras). Moabe é comparado ao vinho impuro, que possui borra no fundo, o vinho que foi colocado em uma vasilha e não foi transferido para outras vasilhas até ficar puro. Isso nos fala do processo do trabalhar de Deus em nossas vidas, forjando o caráter de Cristo em nós.
O propósito de Deus é que não sejamos como Moabe, o vinho que não é mexido, mas que sejamos como Israel. O vinho de Deus que foi submetido à perseguição, às criticas, e até mesmo a exílios. Deus deseja nos passar de vasilha em vasilha, até que não tenhamos mais nenhum tipo de borra e sejamos tal como Ele é. O processo de mudança de vasilhas, Paulo chama de “glória em glória”:

Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. 
(II Coríntios 3:18)

Não fomos chamados para continuar com o mesmo cheio e mesmo sabor, fomos chamados para expressar e exalar Cristo através de nossas atitudes, palavras e pensamentos. Não fomos chamados para ser Moabe, cristãos que não se submetem ao tratamento do Senhor, que não estão dispostos a entrar na forma de Cristo.
Que possamos ser vasos moldáveis, dispostos a ser quebrados pelas mãos do oleiro. Ele usará circunstâncias, pessoas, situações para nos tratar – que chamamos de testes, todos os dias somos testados e trabalhados por Ele. O que podemos fazer é nos colocar à disposição dele, para que a obra seja feita completamente pelo Espírito Santo, porque de nós mesmos nada podemos fazer ou mudar. Um lembrete importante para nós que decidimos ser mudados de vasilha por Ele, é: Não podemos diminuir o tempo do tratamento, mas podemos adiar, quando fugimos.

Nosso consolo e firme esperança é no que a Bíblia nos afirma sobre o fim e de Moabe e Israel, a primeira recebeu o juízo, sendo completamente abatida e não mais habitada, a segunda é chamada de Nova Jerusalém a cidade celestial – e esse é o nosso destino como discípulos de Cristo, ser tal como Ele é.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Um romance com o céu



Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. (Deuteronômio 6:5) E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. (Mateus 22:37) Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. (Marcos 12:30) E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. 
(Lucas 10:27)
A busca insaciável de todo cristão, ao receber a vida de Deus em seu interior e conhecer as profundezas dessa vida incriada que agora faz parte de si, é viver no centro da vontade de seu Senhor e saber de forma específica qual é sua missão aqui na terra, ter clareza desse centro e dessa vontade de modo pessoal.
O propósito original de Deus ao criar-nos foi para contê-lo em nosso espírito. Fomos criados para sermos à sua imagem e semelhança. Esse propósito nunca mudou. Desde a queda Deus trabalhou para restaurar esse propósito, através de seu engenhoso plano um fio escarlate percorre toda a escritura desvendando o anseio furioso de Deus pelos seres humanos. E ante a isso comprovamos o que Jó diz no cap. 42 verso 2 que: Nenhum dos teus planos podem ser frustrados.
A Bíblia é um romance de um Noivo apaixonado e uma noiva sedenta, entre um Deus incriado e uma criatura feita de barro. A vida foi planta em nós, a vida incriada do próprio Deus, o Zoe. Essa vida deseja ser espalhada para cada parte do nosso ser (mente, vontade e emoções), essa vida deseja ser expressada. É somente através dela que conseguimos amar a Deus de todo o coração, alma, entendimento e força! É somente através dela que conseguimos corresponder a esse anseio furioso do Criador por nós.
O criador arquitetou ter o homem para si, contudo o deixou escolher. Essa vida foi gerada em nós (através do novo nascimento) para ser discernida, ministrada e liberada. 
1) Discernida - O primeiro passo é identificar o Zoe de Deus dentro de nós. Em diversas vezes na palavra, o apelo é para nos voltarmos para dentro, nas profundezas é onde Ele reside. Quando conseguimos identificar a vida dentro de nós, se inicia o relacionamento profundo com Ele, somente assim nossa sede é saciada e o propósito para o qual fomos criados é cumprido.
2) Ministrada - A vida foi gerada em nós para que pudéssemos ministrar, servir na presença dEle. Quando ministramos a vida se espalha pelo resto de nosso ser. É por isso que esse ministrar precisa ser constante e intenso, para que possamos ser conformados à imagem de Cristo (imagem e semelhança). Quando o contemplamos, gastamos tempo em sua presença, nos voltando para o nosso espírito, simplesmente para estar com Ele, sem que Ele fale uma palavra se quer aos nossos corações, somos transformados e conformados (II Coríntios 3:18). Quando ministramos Zoe, fluímos nela, e cumprimos o propósito de ser espírito como Ele é espírito.
3) Liberada - O propósito de discernir e ministrar (Fluir) é liberar essa vida aos outros. Muitos chamam de ministério, outros de chamado, outros de vocação. Só podemos responder adequadamente ao chamado do nosso amado Senhor quando liberamos vida através de nossa vocação. Somente quando essa vida incriada é liberada através de nós exercemos de fato a função de profeta, mestre, apóstolo, pastores e evangelistas. E só conseguimos liberar quando discernimos e ministramos na presença. 
E assim compreendemos segredo da vida quando aprendemos a lidar com a vida, o Zoe...a essência do Deus incriado.

Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. 
Jeremias 1:5
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia. 
Salmos 139:16


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Contando Estrelas / Aliança de Sangue

Assim como há resquício de barro
Nas estradas asfaltadas
E ruínas pelo impacto das guerras
e catástrofes
Há em cada poema uma lágrima;
(Há uma gota de sangue em cada Poema - Mário de Andrade)

Podemos nos aproximar da Bíblia de várias maneiras, como um livro de histórias interessantes, como um livro de princípios, como um manual de vida...mas quando nos aproximamos da bíblia com a motivação de conhecer a pessoa de Jesus Cristo, como personagem principal do maior romance de todos os tempos, experimentamos algo completamente diferente quando lemos cada versículo e identificamos em cada página as gotas de sangue para que o propósito de união eterna, entre um Deus santo e sua noiva criada, se cumpra por meio da redenção.


Após a queda o propósito de Deus, de ter o homem e a mulher o expressando em imagem e domínio, foi aparentemente frustrado. Mas apartir dali o Senhor começa a colocar em ação o plano da redenção, o meio legal de entrar na terra e fazer real a encarnação (Deus virando gente / Carne). E como início desse plano Deus encontra na terra Abraão, e o separa da terra de seus parentes e o leva para uma terra até então desconhecida por Abraão, e nessa terra o convida para fazer uma aliança de sangue. 

Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la. E disse ele: Senhor DEUS, como saberei que hei de herdá-la?
E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu. E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava. E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele.

E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades. 
Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;
(Gênesis 15:7-14 / 
17-18)


Nesses versículos é o momento em que Deus chama Abraão para fazer uma aliança com Ele, foi em um momento em que Abraão estava desanimado e sem clareza do porque Deus o havia chamado para viver naquela terra (Canaã). E para motivá-lo Deus pede para que ele conte as estrelas do céu, para sempre lembrar do tamanho que seria sua descendência: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência. (Gênesis 15:5)
E nesse momento Deus faz uma aliança de sangue com Abraão, os animais são colocados no altar e o Senhor Jesus vem em forma de fogo e passa por entre as partes dos animais partidos, ele passa fazendo um oito deitado, que dizia que aquela aliança era para sempre. As implicações dessa aliança (como nas alianças feitas até nos dias de hoje, em casamentos, por exemplo) eram: Tudo que era de Deus pertencia a Abraão, que ainda aqui se chamava Abrão, e tudo que era de Abraão pertencia a Deus, ambos poderiam ter o que quisessem um do outro sem precisar de pedir. Os descendentes que sairiam de Abrão Deus poderia usar como quisesse. 
No momento que estava sendo feita a aliança, aves de rapina tentavam comer os animais do sacrifício, o mundo espiritual sabia das implicações dessa aliança, e de que através dela o Messias viria à terra.



Como sabemos Abrão tentou interpretar a promessa de Deus, e gerou Ismael, que estava fora do propósito de Deus, ante a isso Deus estabelece uma marca visível em Abrão e seus descendentes, a circuncisão, e na mesma oportunidade muda o nome de Abrão acrescenta parte do nome dele no nome de Abrão. O sopro "a" do nome de Deus é acrescentado no nome de Abrão. É como se Deus dissesse: Abraão, eu tenho uma aliança com você e ela será cumprida não na força do seu braço, mas eu a cumprirei sem sua ajuda, eu a cumprirei pois cumpro todas as minhas promessas. Não é na sua força, é na minha, confie em mim!
E no capítulo 17 Deus estabelece o instituto da circuncisão, vejamos: 

Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito. 
E porei a minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente. 
Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo:
 Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações;
E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; 
E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti;
E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti.
Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós.
(Gênesis 17:1-7 / 
10-11)


O sinal da circuncisão era para que Abraão e todos os seus descendentes se lembrassem de que pertenciam a Deus, e o mais interessante o local da marca, mostrava que Deus poderia a qualquer tempo e em qualquer geração usar a semente de Abraão para cumprir o propósito da redenção. Da linhagem desse homem sairia o messias, o parente próximo, o resgatador dos seres humanos, ele seria (foi) Emanuel, Deus encarnado, o protótipo de uma nova raça (a raça dos Filhos de Deus), o segundo Adão.
Todos os patriarcas e demais israelitas da antiga aliança foram salvos pela fé, de que um dia o Messias viria, e assim foram inclusos no sacrifício. Hoje somos salvos também da mesma maneira, pela fé, em crermos no que aconteceu no passado, no sacrifício perfeito que não encobre, mas arranca a raiz da velha natureza pecaminosa.
Todas essas páginas de sangue, todo esse trajeto de alianças que Deus fez com um homem para colocar os seres humanos novamente na posição inicial que Adão e Eva se encontravam, escolher comer do fruto da árvore do Conhecimento do bem e do mal, ou comer do fruto da árvore da Vida. Qual é a sua escolha?

Leia: Autoridade e Submissão - postagem anterior

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Autoridade e Submissão

"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."
(Mateus 28:18-20)

Antes de voltar aos céus, para a direita do Pai, Jesus declarou que TODA a autoridade lhe foi dada nos céus e na terra. Dois níveis de autoridade, porque ele faz questão de ressaltar esse detalhe? Porque antes de sua vinda à terra não era assim, seu domínio era sobre os céus, e somente após a cruz o segundo nível foi conquistado. A palavra de Deus fala sobre isso, vejamos: Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens. (Salmos 115:16) Porque a terra pertence aos filhos dos homens? Em Gênesis 1:28 Deus entrega a terra de presente a Adão, e tudo que nela havia, e logo em Gênesis 3 o homem entrega o domínio da terra a Satanás. O ato de comer do fruto da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, dizia que o homem queria viver independente de Deus, de acordo com seu próprio entendimento e inteligência. "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda"(Provérbios 16:18). Contudo, a parte do contrato que a serpente não mostrou era que tal atitude luciferiana desembocaria em total perda de posição, de dono para escravo. Adão e Eva perderão tudo que possuíam (corpos, domínio da terra, e o mais precioso a comunhão com Deus). 


No texto a cima, de Mateus 28, após a ressurreição, Jesus deixa claro aos discípulos que a autoridade sobre a terra havia sido devolvida ao homem por meio Dele. E agora todos os filhos de Deus nascidos do Espírito, podem exercer essa autoridade em Cristo. Por isso que Ele nos ensinou a ligar a terra ao céu por meio das nossas orações, posto que o domínio foi devolvido. 
Percebemos que ante a isso que o propósito de Deus para a vida do homem foi novamente restabelecido, por meio de Cristo, o segundo Adão, que venceu. O propósito de sermos semelhantes a Ele e governar como Ele governa (com sabedoria, amor e justiça). Essa é a condição legal que todos os filhos possuem, contudo a posição experimental só é revelada e de fato vivida quando os filhos de Deus se tornam discípulos de Cristo.
Para exercer autoridade é necessário ser submisso. E para ser discípulo necessário tomar a Cruz e negar as vontades, a vida da alma. Para ter a experiência de estabelecer o Reino aqui na terra é preciso observar quem está a cima de nós, a submissão e a honra àqueles que nos geraram é imprescindível. A Cruz precede o trono, a humilhação precede a glória. Jesus é o maior exemplo de submissão ao Pai, e completa vida de cruz. Que possamos ter a graça de ser tal como Ele é.