quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Tudo que é sólido pode derreter?



Hoje estava assistindo o terceiro filme da trilogia de animação "Toy Story"; fiz uma leitura que ainda não havia feito nos filmes anteriores. A priori, olhando de forma superficial, podemos ver um garoto que não quer desapegar de seus brinquedos e romper com a fase da infância. Todavia as lições deixadas por esse filme infantil são preciosas.

A primeira lição é sobre identidade, os brinquedos de Andy são diferenciados, principalmente o cowboy Woody. Eles tem uma convicção interior que todos nós deveríamos ter "Eu sou amado pelo meu dono". Essa convicção é fruto da identidade formada por meio do relacionamento que estabeleceram com Andy (o dono dos brinquedos). Temos convicção de quem somos, quando temos revelação do amor de Deus por nós "Eu sou amado do Pai", essa convicção vem por meio do relacionamento mantido com o criador, o nosso dono. 
Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.
1 João 3:1
Outra lição importante é sobre amizade e companheirismo, os brinquedos dão um baita exemplo de como fazer verdadeiros amigos e como se tornam a família que nasceram de pais diferentes. Amizades sadias que te influenciam para o melhor que você pode ser e fazer, as quais te levam a usar habilidades quem nem você mesmo acreditava que as tinha, com o objetivo de salvar vidas e gerar unidade.
O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há um amigo mais chegado do que um irmão. (Pv 18:24)
Entre todas essas lições e outras mais que podemos absorver, essa é a que considero mais profunda e reflexiva para o momento socio-histórico no qual estamos inseridos: "Nem tudo é descartável"! Em uma cultura do descartável, e do "Quebrou? Compra outro", o filme Toy Story nos mostra que não é bem assim. Aquilo que quebrou pode ser consertado e o mais importante: Pessoas não são descartáveis, relacionamentos não são descartáveis! A sociologia chama essa Era de "Líquida", amor líquido, sociedade líquida...relacionamentos líquidos. Essa infeliz realidade é fruto da decadência moral e da desvalorização daquilo que um dia foi valorizado e chamado de principal. Valores como fidelidade, integridade, respeito... parece que foram desintegrados e se tornaram escassos. 
Entender que a liquidez é uma crítica e não um estado de progresso ou evolução social, deveria gerar em nós o desejo fazer durar, ou ao menos nos esforçar para isso! Dar o nosso melhor em nossos relacionamentos interpessoais.
O valor empregado por Andy a seus brinquedos, nos mostra algo excelente que perdemos, relacionamentos duradouros - sejam amizades, namoros, casamentos. O cuidado empregado para que seus brinquedos se tornassem duráveis, nos traz vergonha ao percebermos a forma como tratamos nossos pais, irmãos, maridos, esposas... 

Outra lição inserida dentro dessa última é gratidão e transferência de legado. Ao entender que sua fase de infância havia acabado, mas que aqueles "tesouros" deveriam ser cuidados por alguém que vive a fase que ele viveu com tanta intensidade, é extraordinário e fundamental. Passar um legado de valores sólidos a quem está começando na vida, em meio a Era da liquidez é nadar contra a maré, deixar um rastro de esperança para as gerações vindouras.

Por último, gostaria de ressaltar a criatividade. O poder que os brinquedos tem de aguçar a mente das crianças é sem dúvidas algo divino. Deus é o criador de todas as coisas, nós fomos feitos à sua imagem e semelhança, não é a toa que temos esse desejo interno de criar e fazer coisas novas (é claro que em alguns casos isso foge dos limites, e acabam tendendo para o mal, mas isso não tira a natureza divina da criatividade), nosso Deus é criativo. 


"Ao infinito e além!" Que as era da eternidade nos revele a infinidade da pessoa de Cristo, dos três.

Eis a questão: tudo que é sólido pode derreter? A resposta pode parecer clichê, mas não vejo outra melhor... DEPENDE DE VOCÊ!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

As consequências do Desprezar

O pecado de Esaú foi desprezar
Mas a benção de Deus Jacó soube valorizar.
Deus tem bençãos para mim que ainda vou conhecer
E como Jacó transformado eu vou ser.

(Radicais Kids)






E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou.

(Hebreus 12:16,17)



Esse episódio é relatado no livro de Gn 25:27-34, Esaú chega do campo cansado e faminto. Jacó, por sua vez, estava cozinhando (uma ensopado vermelho). Ante a esse quadro Esaú pede que Jacó lhe dê um pouco do cozido, todavia, Jacó propõe a seu irmão uma negociação: "Em troca da comida eu quero seu direito de filho mais velho". Como sabemos, Esaú aceita, troca seu direito de receber a bênção da primogenitura por um prato de comida. Quando li essa história pela primeira vez, minha ótica de "vilão" era para Jacó, interiormente eu pensava: Jacó era tão Jacó que tentava tirar vantagem de tudo, até do seu irmão, que trapaceiro esse Jacó.
Mas, como o decorrer da história percebemos qual era a motivação do coração de Jacó e a motivação do coração de Esaú. Jacó sabia com detalhes o que significava a benção do filho mais velho (primogenitura); não tinha a ver apenas com bens materiais, de receber uma parte maior que seus irmãos, tinha a ver em ser herdeiro das promessas espirituais que tiveram origem em Abraão. Jacó, com certeza sabia dos detalhes que acompanhariam o portador dessa benção espiritual, a linhagem do messias. Diferentemente, Esaú, que provavelmente tinha pouco conhecimento e interesse em conhecer o valor desse direito, isso é visível em sua exclamação: "De que me serve esse direito...". 
Outra questão que gostaria de pontuar e colocar como fundamento que revela a motivação do coração de Esaú é sua reação em Gn 27:41, no momento em que descobre que Jacó roubou sua benção e o que lhe restou foi apenas: "Longe dos lugares férteis da terra será sua habitação, e sem orvalho que cai do alto....", vemos que ele fica furioso e nutre um ódio mortal contra Jacó. Todavia, no momento do concerto com Jacó, após 20 anos (Gn 33:9), ele simplesmente responde: Tenho muitos bens... Ou seja, "está tudo bem, sou rico e tenho tudo que quero". O conceito de benção para Esaú era simplesmente riquezas materiais, aquilo que olhos podiam ver, as mãos apalpar e encher o estômago. Em momento nenhum vemos nos capítulos bíblicos o despertar de Esaú para olhar além do natural. 
Por outro lado Jacó, além de experiências profundas e pessoais com o Senhor se tornou o tronco de uma nação separada para o Senhor, o berço do messias. Jacó experimentou as riquezas celestiais, se tornou participante do mover de Deus em sua geração. Jacó viveu no centro da vontade de Deus pois valorizou as coisas espirituais. 



Hoje não é diferente, tanto é que o escritor aos Hebreus fez questão de ressaltar a atitude profana e devassa que Esaú teve para com Deus. Desprezar as benção de Deus é desprezar o próprio Deus. Desprezar é negociar, trocar aquilo que é espiritual e eterno, por aquilo que é terreno e passageiro. De forma prática: desprezamos o espiritual quando preferimos um filme a participar do culto; desprezamos quando há uma convocação do seu líder ou pastor para um ato profético (algo direcionado por Deus), e muitas vezes pensamos: "Ah! Que besteira, do que vai me servir isso..." e preferimos ir a um show; Desprezamos quando temos disposição em desembolsar R$ 300,00 para ir a um "Rock in Rio" (o valor é muito maior que o citado), mas achamos um absurdo pagar R$ 50,00 em uma conferência ou capacitação ministerial, ou algo que irá edificar seu espírito.
Precisamos parar de ser hipócritas e dizer que amamos ao Senhor, que nosso coração e prazer se encontram nele, se na verdade não estão. Jesus foi muito categórico quando disse: "Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mateus 6:21)
Naquilo que eu coloco o meu dinheiro é onde vai estar meu coração. Se meu investimento é em algo que dá mais dinheiro, meu coração estará nisso. Mas, se meu coração está no reino, vou investir sem dor ou sofrimento algum, o meu dinheiro nas coisas do reino! Quem vê na ótica de Esaú não vê o reino como investimento, mas como desperdício; quem vê na ótica de Jacó, enxerga o reino como investimento eterno!
Quando cito esse exemplo, não estou dizendo que Deus precisa do nosso dinheiro, pelo contrário. Quando entendemos o princípio da mordomia, de que nada nos pertence, que tudo vem Dele, não nutrimos esse coração arrogante e apegado ao dinheiro (e demais coisas materiais). Quando Jesus faz essa afirmação, ele está nos dizendo o seguinte: "Você diz que me ama e me adora, então prepare-se pois você será testado!" Deus não precisa do nosso dinheiro, mais uma vez repito, mas em nosso dia a dia somos testados, e se pararmos para analisar veremos onde está o nosso coração. 
Ante a isso concluímos as consequências do desprezar: 1º) Ser removido da posição da benção (da posição de direito) - Jacó, mesmo com todas as suas falhas e erros, foi colocado no lugar que era por direito de Esaú; 2°) Não viver uma vida no centro da vontade de Deus (consequentemente, nunca ter vivido no conceito de Deus); 3º) Viver sem discernimento (ou cego) - Alheio à direção de Deus, não conseguindo discernir o que vem de Deus, o que vem do homem e o que vem do inimigo (os sem discernimento segundo Paulo são os imaturos ou crianças espirituais); 4°) Podemos não ter uma segunda chance - existem testes que são cruciais e irreversíveis em nossa vida, como foi na vida de Esaú.
Que possamos ser despertados nesses dias de apostasia e discernimento espiritual embotado, que possamos ter essas palavras vivas dentro de nós: "E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura." 
Profanar fala de desonrar, desprezar. Que possamos honrar o nome do Senhor com nossas atitudes e escolhas, que possamos ser filhos / servos que honram! 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Só a Cruz esconderá quem não somos

"Que o caminho será escuro
Mas que Cristo é a luz do mundo
Deixe Ele te falar quem você é
Que a palavra te desfaça
Que te afogue em Sua graça
Só a cruz esconderá quem você não é"
[17 de Janeiro - Os Arrais]



É corriqueiro ver muitas frase e postagens falando mais ou menos assim: "Não há nada mais bonito do que ser você mesmo". Em parte concordo com essa frase. Sob a ótica da bíblia percebemos que ser quem realmente nascemos para ser só pode ser real quando nos encontramos com a cruz. Em uma música dos Arrais, eles citam essa verdade: "Só a cruz esconderá quem você não é...". 


Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.
(Romanos 12:1,2)

O primeiro passo muitos de nós já demos, é o receber Jesus como nosso único e suficiente salvador, portanto, pela graça recebemos a salvação. Essa é a primeira etapa da salvação, a regeneração. Em seguida vem o caminho do vencedor, onde nos submetemos à transformação da nossa alma. Submetemos nossa vontade ao nosso Senhor, o Espírito Santo passa a governar nossas emoções e nossa mente passa por esse processo expresso pelo apóstolo Paulo, transformação (Metamorphos = literalmente metamorfose).
Esse processo é graças à ação da cruz de Cristo em nós, em nosso dia a dia. A cruz toca nossos relacionamentos, nossos bens e principalmente nosso EGO. O objetivo de Deus nessa metamorfose é que nosso EGO seja completamente crucificado, até que possamos dizer como Paulo:

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.
(Gálatas 2:20)


É exatamente por isso que só somos quem realmente nascemos para ser (nós mesmos) quando somos despojados do velho homem e vestidos de Cristo, quando as marcas do crucificado são visíveis em nosso falar, pensar e agir. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou, foi para sermos quem nascemos para ser que Ele morreu na cruz... para nos libertar de nós mesmos. Só a cruz pode esconder quem não somos! Só a cruz pode dizer para nós que realmente somos.


No início de nossa caminhada com Cristo o caminho é escuro, mas todas as vezes que nos expomos à Palavra uma porção de luz é jogada nos quartos escuros da nossa alma, é nesse momento que temos a oportunidade de caminhar em direção a quem nascemos para ser, e depositarmos na Cruz quem não somos. Que a palavra nos desfaça e nos afogue em sua graça!

SÓ A CRUZ ESCONDERÁ QUEM NÃO SOMOS
SÓ A CRUZ DIRÁ QUEM REALMENTE SOMOS
É SÓ POR MEIO DA CRUZ QUE PODEMOS SER NÓS MESMOS
FILHOS E CO-HERDEIROS COM CRISTO!

terça-feira, 25 de julho de 2017

Deus está com fome



“Tenho algo para comer que vocês não conhecem... A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou a concluir a sua obra”. (João 4:32 e 34 – Ler 4:1-35)

Lendo todo o texto desde o versículo primeiro do capítulo quatro observamos algo bem interessante, antes dessa afirmação transcendente feita por Jesus, muitos protocolos foram quebrados, muitos paradigmas modificados, pelo simples fato de que “era-lhe necessário passar por Samaria”.
Desde a época da divisão do reino (Judá reino do sul, e as outras dez tribos reino do norte, Israel), que se deu após a morte de Salomão, Roboão assumiu o sul e Jeroboão assumiu o norte, havia uma rixa muito grande entre judeus (reino do sul – capital Jerusalém) e samaritanos (reino do norte – capital Samaria). Isso, porque, conforme os relatos os samaritanos se misturaram, por meio de casamentos, com os povos das regiões vizinhas, assim se perderam. Após o retorno do exílio babilônico (do povo judeu – reino do norte) essa rixa ficou mais intensa, a ponto dos judeus não considerarem os samaritanos como povo de Deus. O desprezo para com seus irmãos era tão grande que os judeus faziam questão de cortar caminho para não passar por Samaria, não havia diálogo entre eles.
Mas, naquele momento a vontade de Deus era que seu servo Jesus (o Messias) passasse por Samaria. Como se a quebra desse paradigma não fosse suficiente, Deus queria que a conversa acontecesse com uma mulher em público.
Deus é especialista em quebrar protocolos, principalmente aqueles encharcados de divisões e preconceitos que nos afastam de seu amor incondicional e de sua maravilhosa graça. Deus não tem compromisso com nosso tradicionalismo exacerbado e muito menos com a religião que infla o ego. Ele tem compromisso com sua vontade e seu propósito eterno. “...Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes...”(I Co 1:27)
Os discípulos chegaram e se depararam com aquela cena “chocante”, mesmo sem pronunciarem uma palavra de reprovação para com a atitude do Mestre, seus pensamentos estavam infestados de questionamentos. Jesus, então, deixa um dos princípios espirituais mais profundos dos evangelhos. Fazer a vontade daquele que nos enviou (Jo 15:16) é um tipo de alimento.
Fazer a vontade de Deus alimenta nosso espírito, e quanto mais o obedecemos somos fortalecidos em nosso relacionamento pessoal com Ele e nos tornamos cooperadores de seus planos eternos. Como vocacionados somos alimentados fazendo a vontade daquele que nos vocacionou. É interessante observar ainda, não é apenas nós que somos alimentados e fortalecidos, mas o próprio Deus é alimentado com nossa obediência. Ao compartilhar conosco “...Tenho uma comida para comer que vocês não conhecem...” Ele estava com compartilhando conosco a fome do coração de Deus.

Deus está como fome! Ele só será saciado quando encontrar aqui na terra um servo que faz Sua vontade, para concluir a obra que está em aberto. Deus tem fome de gente! Deus tem fome de corações quebrantados e famintos por Ele! Deus está com fome! Ele busca servos que possam aplacar essa fome que só terá fim com o retorno do Cristo glorificado! Deus está com fome! 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Heróis da Fé

"Uns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior; outros enfrentaram zombarias e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos a prova, mortos a fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelha e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O MUNDO NÃO ERA DIGNO DELES. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas. Todos esses receberam bom testemunho por meio da fé..." (Hebreus 11:35 a 38)

Todas as vezes que leio esse texto da carta aos hebreus, me emociono com os heróis elencados e com a certeza de que essa lista de heróis da fé não está fechada. É por isso que ao final do capítulo, no verso quarenta o escritor ressalta "para que conosco fossem eles aperfeiçoados". O sofrimento que todos esses heróis tiveram antes da vinda de Cristo está sendo completado pelos discípulos do crucificado, que hoje decidiram ter uma vida de renúncia e abnegação. Tive a oportunidade de por mais um ano passar dias ao lado de homens e mulheres assim, "os quais o mundo não é digno", verdadeiros heróis e heroínas da fé. Discípulos de Cristo que tem transformado um deserto em mananciais de vida! 


Somos um corpo só, o Corpo de Cristo, que sofre com os sofrimentos e se alegra com o aperfeiçoamento do próprio Corpo (a Igreja / Noiva do Senhor Jesus). Nossos atos de justiça, nossa disposição em participar das aflições de Cristo fazem com que a noiva seja adornada mais rapidamente e assim, apressamos a volta do Noivo. Só cabe a nós o encontro apressar (II Pe 3:12). Como disse o poeta, o coração de Cristo é uma chaga aberta. Ele não sonhou nem desejou a morte e a destruição, mas nossas atitudes de independência e rebeldia nos levaram à realidade nefasta em que estamos inseridos. Mas, Ele se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e colocou o reino oculto no coração de seus filhos (servos / discípulos). Assim, podemos ser instrumentos da manifestação do Reino do príncipe da Paz em lugares tenebrosos, fazer a luz resplandecer em meio a tando egoísmo e corrupção! 
Deus nos chama para andar no Espírito e viver pela fé! Ele nos diz para ir! Se tivermos a disposição de obedecer sem questionar experimentaremos o seu suprimento diário e a glória de Deus resplandecer. Paulo escreveu aos cristãos de Colosso: Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; (Colossenses 1:24) Podemos nos tornar participantes do resto das aflições de Cristo! O requisito continua sendo o mesmo exposto pelo mestre em Cesareia de Filipe: Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

Meus heróis não morreram de overdose 
Meus heróis não são famosos aqui na terra
Meus heróis são anônimos que fizeram o evangelho avançar em terras áridas
Meus heróis tem cheiro de ovelha
Meus heróis tem pele colorida e sorriso sincero
Meus heróis travaram uma batalha com as trevas
Meus heróis são homens e mulheres de ORAÇÃO!
Quem são os seus heróis?


Fotos: Anderson Oliveira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Santifica-os



Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.
E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim;
(João 17:14-20) 

Antes de entrarmos e escavarmos as riquezas desse texto, a oração de Jesus pelos discípulos, gostaria que voltássemos um pouco antes em João 14. Nos versículos 15 e 21, Jesus diz assim: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos...Aquele tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele." Quando tomamos a decisão por Cristo, em aceitá-lo como Senhor e salvador de nossas vidas somos colocados em uma posição se santidade, isso significa que nos tornamos santos, porque agora Cristo habita em nós. Todavia, o processo chamado de santificação, que todo cristão precisa passar dependerá de seu relacionamento intimo com o Senhor Jesus e sua palavra. As palavras ter e guardar estão associadas a obedecer; estes que possuem e guardam são aqueles que amam o Senhor Jesus. Só amamos aquele que nos salvou e agora é Senhor (dono) das nossas vidas se obedecemos seus mandamentos. E a obediência é o processo de santificação na prática, é como nos tornamos cada dia mais semelhantes a Ele. No livro de Levítico e na primeira carta de Pedro Deus nos revela seu propósito, sermos santos porque Ele é santo.
Ante a isso entendemos que o primeiro motivo para nos santificarmos é o amor a Jesus e ao Pai. Quando amamos desejamos agradar a pessoa amada! Conforme a palavra nos mostra já fomos perdoados de todos os pecados e libertos de toda escravidão, contudo, vem a pergunta: Se essa é a verdade, porque ainda não venci determinados pecados, em áreas específicas em minha vida? A resposta está justamento nesses textos que acabamos de ler. Uma vida de intimidade e relacionamento profundo com o Senhor Jesus me fará vencer o pecado, posto que o amarei mais do que o pecado e minha própria vontade. Outra resposta que podemos ver, está no texto de João 17. Aqueles que estabelecemos aliança e caminhamos juntos podem nos ajudar ou nos atrapalhar no processo de santificação.
No primeiro texto que citei Jesus ora ao Pai por seus discípulos, e em sua oração ele cita algo intrigante: "E por eles eu mesmo me santifico a mim mesmo...". Jesus não era santo, e sendo Deus nunca pecou? Porque ele disse que se santificava? Por que o segundo motivo, pelo qual nos dispomos a nos santificar é por amor ao rebanho, por amor aos discípulos que fazemos durante a caminha aqui na terra. Jesus disse, antes de partir, que nossa missão era ir e fazer discípulos conforme o modelo que Ele mesmo deixou, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Jesus era santo e perfeito, mas em sua oração Ele nos deixa um princípio profundo de liderança e discipulado. O bom pastor dá sua vida em favor das suas ovelhas, Jesus se entregou não somente na cruz, mas Ele viveu uma vida de entrega e cruz. E como nosso modelo, por amor ao rebanho, como líder, eu preciso de me santificar para que meus discípulos também sejam santificados.
Isso não significa que todos irão alcançar a medida da excelência, prova disso vemos no próprio discipulado de Jesus, nem todos os discípulos responderam a sua disponibilidade em santidade e revelação, mas Jesus se santificou. Da mesma forma quando vamos exercer liderança (influência) no Corpo de Cristo, na vida na igreja, precisamos entender que nossos discípulos (que são de Cristo) irão crescer à medida que eu crescer, eles irão se santificar à medida que eu me santificar. O líder é o teto do discípulo (pelo menos no início da caminha cristã). Como o próprio nome já diz discípulo é aprendiz. É obvio que em nossa vida cristã aqui na terra, até o momento em que partirmos para a glória estaremos sendo transformados e aprendendo como discípulos de Cristo, todavia o que estou referindo aqui são dos irmãos mais novos, daqueles que estão começando a caminhada com Cristo.
Concluo dizendo que a graça nos dá suporte para vivermos em santidade, fomos salvos pela graça mediante a fé, e é por meio dela que podemos não ser escravos de nossas vontades e do pecado. A graça nos capacita a viver em santidade. A graça nos dá revelação do quanto somos amados de Deus e de quem nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus! A graça nos faz corresponder a esse incondicional e irresistível amor, do Pai por nós. A graça nos faz ser tal como Ele é! Santos e irrepreensíveis! 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O Sagrado



É que o sagrado se tornou hilário
Ascendeu em abril, se espatifou em maio
E o que é que ficou ? Ficou o riso amarelo
E agora tanto faz o que é sagrado
Nada importa se isso tudo não for antes santificado
Bem no interior do meu peito deserto
(Palavrantiga – Sagrado)

Davi era um homem apaixonado pelo Senhor, foi alguém que conseguiu capturar o coração de Deus em sua geração. A primeira decisão ao se tornar rei de todo o Israel foi trazer a Arca da Aliança (ou Presença) de volta para o seu lugar devido, em Jerusalém. A Arca aos olhos de um não adorador era uma caixa de madeira, para um religioso ela era um amuleto, mas para homens e mulheres que tinham revelação[i] ela era a presença manifesta de Deus no meio de Israel. Durante o reinado de Saul, a arca ficou 20 anos na casa de Abinadabe, após ser devolvida pelos Filisteus, e ter matado mais de 50.000 homens que a abriram, tratando-a como uma caixa comum. Davi sabia da importância da presença de Deus e ele a desejava mais que tudo.

Convocou, pois, Davi a todo o Israel desde Sior do Egito até chegar a Hamate; para trazer a arca de Deus de Quiriate-Jearim. E então Davi com todo o Israel subiu a Baalá de Quiriate-Jearim, que está em Judá, para fazer subir dali a arca de Deus, o Senhor que habita entre os querubins, sobre a qual é invocado o seu nome. E levaram a arca de Deus, da casa de Abinadabe, sobre um carro novo; e Uzá e Aiô guiavam o carro. E Davi e todo o Israel, alegraram-se perante Deus com todas as suas forças; com cânticos, e com harpas, e com saltérios, e com tamborins, e com címbalos, e com trombetas. E, chegando à eira de Quidom, estendeu Uzá a sua mão, para segurar a arca, porque os bois tropeçavam. Então se acendeu a ira do Senhor contra Uzá, e o feriu, por ter estendido a sua mão à arca; e morreu ali perante Deus.
(I Crônicas 13:5-10)

Hoje também, Deus está levantando uma geração de pessoas famintas por sua presença e pela manifestação de sua glória. Pessoas que estão dispostas a fazer o que for preciso para trazer a manifestação da presença Dele para o lugar devido. Davi tinha um coração sincero, mas cometeu o erro de não estudar a história dos moveres passado (época de Moisés), para saber a forma correta de lidar com a presença e carregar a Glória do Deus vivo. Da mesma forma, se desejamos avivamento em nossa geração precisamos aprender a lidar com o sagrado. Precisamos aprender a reverenciar a presença. “Precisamos recuperar um respeito profundo e pessoal pelo poder da glória de Deus sobre a carne não arrependida. Não é que não devamos nos aproximar dela, “usá-la”, ou habitar nela. Assim como um eletricista pode trabalhar em meio a linhas de força de 220 volts com segurança quando aprende a respeitar o poder da eletricidade”.



Uzá, segundo alguns teólogos acreditam, foi criado com a Arca. Alguns chegam a afirmar que provavelmente ele subia em cima dela e brincava próximo a ela. E no momento em que estendeu a mão para segurar a arca, deve ter pensado: vou segura-la como das outras vezes. Entretanto, a Arca estava retornando para o seu lugar devido, e uma lombada (um tropeço) foi colocada por Deus no meio do caminho, para dizer: Vocês querem a minha presença, então façam do meu jeito!
Para que o sagrado não se torne hilário e reste em nosso rosto um riso sem graça, antes do Kabode de Deus vir para nosso meio precisamos aprender a reverenciá-lo, precisamos relembrar que a diferença do sagrado é que se trata de algo que não é COMUM! Isso não deve nos desmotivar de ter a presença, pelo contrário, devemos estar dispostos a pagar o preço que for preciso, como Davi! Antes de entrarmos no Santos dos Santos é necessário passar pelo altar do sacrifício. É necessário que nosso ego seja crucificado e nossas vontades alinhadas, é necessário que morramos, para experimentar a Glória! O Senhor deseja restaurar a Igreja conforme o modelo bíblico, onde Sua presença era tão real que a carne sem arrependimento, não permanecia viva diante dela[ii]. Deus deseja ser encontrado por nós. Ele sempre nos desejou, desde o Éden.
Existe sim, em nosso meio um vazio, em nossas reuniões e cultos. É como se faltasse algo... Se você tem essa sensação quero te dizer que você está certo! Falta a presença MANIFESTA daquele que dizemos estar cultuando. Existe muito do homem e pouco de Deus em nossas programações e eventos. Estamos tão envolvidos em fazer coisas (como Marta) para Ele, que nos esquecemos do principal, relacionamento...intimidade! Ele deseja estar presente, mas será que estamos dispostos a fazer o que for preciso, será que estamos dispostos a morrer?

E, estando sua nora, a mulher de Finéias, grávida, e próxima ao parto, e ouvindo estas notícias, de que a arca de Deus era tomada, e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e deu à luz; porquanto as dores lhe sobrevieram.
E, ao tempo em que ia morrendo, disseram as mulheres que estavam com ela: Não temas, pois deste à luz um filho. Ela porém não respondeu, nem fez caso disso.
E chamou ao menino Icabode, dizendo: De Israel se foi a glória! Porque a arca de Deus foi tomada, e por causa de seu sogro e de seu marido.
1 Samuel 4:19-21

Que Deus desperte em nossa geração homens e mulheres de todas as idades, famintos pela Glória Dele, pela presença manifesta do Rei! Que nossa geração não venha ser a geração do Ikabode, mas a geração daqueles que buscam a Face do Deus de Israel, a geração do Kabode! A geração que foi marcada por um avivamento, a geração que experimentou a orla das vestes enchendo o limiar do templo.



[i] Revelação que me refiro não tem a ver com o dom da palavra de conhecimento, mas ver as verdades bíblicas em uma ótica divina. Não é algo novo, todavia algo visto por diversos homens e mulheres de Deus ao longo da história da Igreja.
[ii] Episódio de Ananias e Safira (Atos 5:1-11)