sexta-feira, 29 de maio de 2020

Escatologia II – Escatologia do indivíduo



Mas, a meia noite os céus se abre no horizonte a luz que enche toda terra é o Rei, acordam os que dormem no Senhor o choro torna-se em louvor e todo o olho o vê.
(Leonardo Gonçalves)


Um dos pontos básicos e centrais da fé cristã é a doutrina da ressurreição dos mortos. É um ensino que enche nosso coração de esperança e nos faz regozijar, mesmo ante a tristeza de nos depararmos com a morte em nosso dia a dia. É válido ressaltar que não é utopia, é esperança. Nossa fé não pode ser “a aposta de Pascal”[1], mas como o escritor de Hebreus deixa claro: certeza! Nossa fé é certeza! Essa certeza, expressa nos textos neotestamentários, precisa nos inspirar a crer sem duvidar. A ressurreição dos mortos é a forma pela qual a igreja vive.
Por mais básico e central que seja esse tema, pouco tem se falado sobre ele nos púlpitos e em nossas reuniões.
Além disso, a ressurreição dos mortos é o coração dos estudos escatológicos. É conhecida como escatologia pessoal (indivíduo)[2]. Não fomos criados para a morte, Deus colocou a eternidade no coração do homem como lembrete (Eclesiastes 3:11). É justamente por isso que choramos quando nos deparamos com a morte, nosso chamado é para a vida!

Mas Cristo de fato ressuscitou dos mortos. Ele é o primeiro fruto da colheita de todos que adormeceram. Uma vez que a morte entrou no mundo por meio de um único homem, agora a ressurreição dos mortos começou por meio de um só homem. Assim como todos morremos em Adão, todos que são de Cristo receberão nova vida. Mas essa ressurreição tem uma sequência: Cristo ressuscitou como o primeiro fruto da colheita, e depois todos que são de Cristo ressuscitarão quando ele voltar.
(I Coríntios 15:20-23)

a)      JESUS É A PRIMÍCIA ESCATOLÓGICA – A ideia de martírio para os cristãos do primeiro século era algo presente no coração de cada um, posto que viver e morrer fazia parte de uma mesma realidade. A morte é uma coroa para o cristão, porque ele já vive a realidade da ressurreição. Não havia uma visão dicotômica da realidade (mundo dos vivos x mundo dos mortos), isso entrou em nossa cosmovisão depois, por meio da influência grega. VIVER E MORRER FAZIA PARTE DA MESMA REALIDADE! A morte não é um desfecho da vida, mas a continuação dela. É importante ressaltar que o martírio em nada se compara ao suicídio, visto que o primeiro é motivado pelo amor e o segundo pelo ódio (de si ou da vida). É justamente essa certeza que nos leva a derramar nossas vidas aos pés do Senhor! Essa é a realidade da igreja! No final do livro de Mateus e início do livro de Atos, Jesus fala que seremos suas testemunhas, a palavra no original é mártires. Podemos ficar abatidos com a situação presente, mas olhamos para a realidade última com cara de ressurreição, com um sorriso! O sorriso revela a ressurreição.
b)      A RESSURREIÇÃO É O PROCESSO FINAL DA SANTIFICAÇÃO – Seremos tal qual ele é! Nosso corpo que agora é corruptível, passível de deterioração e fim, será substituído por um corpo incorruptível e glorioso, completamente livre do pecado. Nós aguardamos a promessa mais louca do Novo Testamento: ter a mesma natureza do Filho (I João 3:1-2). Paulo afirma: Pois sabemos que, até agora, toda a criação geme, como em dores de parto. E nós, os que cremos, também gememos, embora tenhamos o Espírito em nós como antecipação da glória futura, pois aguardamos ansiosos pelo dia em que desfrutaremos nossos direitos de adoção, incluindo a redenção de nosso corpo. (Romanos 8:22-23) A glorificação do nosso corpo é o processo final da nossa salvação, quando poderemos cumprir em plenitude o propósito para o qual Deus nos criou. Esse propósito está ligado a Imagem e Governo (domínio), seremos semelhantes a Ele para que possamos, em parceria com a trindade, restaurar a terra por meio de nossos dons e profissões (vocações) durante o milênio. Já podemos usar nossas vocações agora? Claro! Devemos buscá-las em Deus e já exercer, mas no milênio estaremos em plenitude. Esse é forte motivo que deve motivar a Igreja a orar pelo retorno do Messias.
c)      OS PROFETAS FALARAM A RESPEITO DESSA VERDADE – “Teus mortos, porém, viverão; seus corpos ressuscitarão. Aqueles que dormem na terra se levantarão e cantarão de alegria. Pois tua luz que dá vida descerá como o orvalho sobre teu povo no lugar dos mortos.” (Isaías 26:19) Jesus é essa luz que desceu como orvalho, Ele veio para esse fim, vencer a morte; essa vitória será completa para aqueles que o pertencem em sua segunda vinda. A morte, segundo o livro de Apocalipse, será vencida completamente no final do milênio (falaremos mais sobre isso nas próximas postagens). “Muitos dos que estão mortos e enterrados ressuscitarão..” (Daniel 12:2).
d)     JESUS PREGOU SOBRE A RESSURREIÇÃO – Nos evangelhos sinóticos, Jesus argumenta com o intuito de combater o ensino dos saduceus, uma das seitas judaicas da época, os quais não acreditavam na ressurreição dos mortos. Ele argumenta a partir da forma como Deus se apresenta a Moisés (Mateus 22:31-32; Marcos 12:18-27; Lucas 20:37), o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Em seus sermões no evangelho de João, Jesus vai usar a palavra ressurreição ou um termo semelhante, se referindo a nós, mais de 8 vezes. “...mas que eu ressuscite todos no último dia...e eu os ressuscitarei no último dia.” (João 6:39-40) “...e no último dia eu o ressuscitarei.”(João 6:44) “...e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:54) “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim viverá, mesmo depois de morrer.” (João 11:25) Ou seja, esse era um assunto relevante para Jesus enquanto ele esteve aqui na terra, portanto deve ser relevante para nós também!
e)      O ARGUMENTO APOSTÓLICO – Tanto Paulo como Pedro e João trata a respeito desse tema em suas cartas. A ressurreição é certeza para todo crente da igreja do primeiro século. Paulo, ainda, é mais enfático ao argumentar contra aqueles que tentavam desviar a igreja desse ensino: “Se não haverá ressurreição, ‘comamos e bebamos, porque amanhã morreremos’!” (I Coríntios 15:32) Esse argumento nos leva a entender que se não existe ressurreição tudo o que pregamos e vivemos – obedecendo e buscando uma vida santa como discípulos de Jesus – não tem sentido. Se a vida acaba com a morte, porque Jesus veio? É justamente por esse fato que a doutrina da ressurreição é a espinha dorsal da pregação do evangelho e da escatologia! Viver e morrer são parte da mesma realidade!
f)       OBEDECER É MAIS IMPORTANTE DO QUE ESTARMOS VIVOS – Paulo mostra certeza de estar onde Deus queria que ele estivesse, principalmente no momento em que caminhava para a morte (At 21:13 / At 20:24 / Hb 11:35 / Ap 12:11). Jesus deixou claro que “Aqueles que aceitam meus mandamentos e lhes obedecem são os que me amam. [...] Quem me ama faz o que eu ordeno.” (João 14:21 e 23) Obedecer é estar em parceria, é andar em submissão. Obediência faz parte do discipulado. No verso 21 desse capítulo de João, Jesus diz que se revelará aqueles que o obedecem. Obedecer implica em ser amigo do noivo!
A escatologia pessoal é aquilo que nos traz esperança; uma verdade que precisamos nos apegar e trazer à memória (Lamentações 3:21). Outro ponto que faz a igreja do ocidente ter dificuldades em lidar com a morte é não estar acostumada com o martírio vermelho[3] em seu cotidiano; a perseguição, as prisões e correntes não são parte de nosso contexto social como discípulos de Jesus desse lado do mundo. Épocas como essas, de doença e risco eminente de morte, devem nos fazer lembrar que a vida e a morte fazem parte de um mesmo plano. Portanto irmãos, preguemos sobre a ressurreição! Esse ensino precisa incendiar nossos corações e nos fazer amar com intensidade a volta de Jesus!

Unimo-nos ao Espírito para dizer: Maranata![4]




[1] Melhor crer e quando chegar ao fim e não ter nada, do que o contrário.
[2] Baseado em uma aula com o pr. Aldair Queiroz (FHop) na mentoria escatológica da Abase.org
[3] Forma como os estudiosos classificam o martírio vindo por meio da morte e derramamento de sangue daqueles que creem em Jesus.
[4] O significado da palavra Maranata traz o resumo de todo o evangelho: Ele veio e também virá! Ele já esteve aqui entre nós, e estará novamente, e permanecerá para sempre!

sábado, 23 de maio de 2020

Escatologia I - Porquê estudar?



Fomos criados para te contemplar, fomos criados para te desejar, fomos criados para estar com você! Nosso coração queima, nosso interior deseja o dia da tua volta, o dia do nosso encontro!
(Ellen Karla)



Há pouco mais de um ano que não posto nada por aqui. Estou aproveitando esse tempo de isolamento social para me aprofundar nos estudos das escrituras e achei relevante voltar a usar, novamente, esse meio para compartilhar com vocês um pouco do que o Espírito Santo tem alinhado em meu coração a respeito destas coisas. Um dos temas que me dediquei durante esses meses foi escatologia, por isso farei uma série de postagens dentro dessa linha[1].
A palavra Escatologia é de origem grega (éskhatos – transliterado), seu significado literal é: estudo das últimas coisas. De modo geral, no contexto cristão, trata-se do estudo dos eventos que se darão no fim “do mundo”, no fim da presente Era. Há basicamente três principais linhas entre os cristãos de modo geral: 1) Pré-milenista – se dividem em: a) histórico – segunda vinda e arrebatamento inaugurando o milênio e b) Dispensacionalista – arrebatamento secreto; 2) Amilenista – milênio simbólico e Pós-milenista[2]. Essas diferentes visões não devem gerar temor (dos homens) em nós a ponto de não estudar sobre o tema, pelo contrário, devemos nos comprometer a estudar simplesmente para amar e desejar a volta do nosso Senhor!
Então, porque, afinal devemos estudar sobre o fim dos tempos?

1)      A Beleza de Jesus – Apocalipse capítulo um nos mostra o foco do livro – a revelação de Jesus Cristo. O apóstolo João nos direciona a admirarmos a beleza de Jesus e a contemplarmos seus atributos tanto nessa visão de Jesus glorificado e completamente belo, como em cada carta direcionada às Igrejas, que ressalta características específicas de Jesus.
2)      Toda a Narrativa Bíblica é uma narrativa apocalíptica – Gênesis 3:15 fala sobre o filho da mulher que esmagará a cabeça da serpente; essa narrativa visa desde o começo o final. A narrativa inicia em um jardim e ela terminará em um jardim, posto que conforme a promessa, toda a terra se transformará em um jardim, ela será cheia da glória e do conhecimento de Deus.
3)      Jesus encontrará uma noiva preparada – O Estudo sobre o fim dos tempos serve para aumentar nosso amor e revelação pela trindade! A Igreja que receberá Jesus será uma igreja madura e gloriosa; ela estará atenta às direções e entrará em parceria com Ele em oração, para que aconteça na terra a vontade soberana de Deus, assim como ela é feita nos céus. A noiva estará preparada para o casamento clamando juntamente com o Espírito Santo: vem! A igreja será uma noiva, madura e apaixonada pelo noivo! Essa é a igreja do fim dos tempos!
O Espírito e a noiva dizem: “Vem!”. Que todo aquele que ouve diga: “Vem!” [...]
(Apocalipse 22:17)
4)      Há pelo menos 150 capítulos na Bíblia que tratam a respeito da segunda vinda do Messias, tanto no Antigo como Novo Testamento. Há mais textos que falam a respeito da segunda vinda do que a primeira vinda do Messias. Textos que mostram claramente a vinda de um Messias que libertará Israel e governará todo o mundo a partir de Israel; promessas de restauração de toda a criação e do estabelecimento de um reino de justiça e paz. Textos que mostram o mesmo Jesus operando por meio do mesmo Espírito Santo. Portanto, não devemos ser analfabetos ou simplesmente ignorar essa parte, importante das Escrituras.
Seu governo e sua paz jamais terão fim. Reinará com imparcialidade e justiça no trono de Davi, para todo o sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará com que isso aconteça. (Isaías 9:7)
5)      Jesus falou sobre esse tema – Jesus fala em praticamente todos os seus sermões em João a respeito da ressurreição e vida eterna; em Mateus 24 e 25 ele fala abertamente sobre o fim. Ele dá importantes recomendações para sabermos discernir a respeito dessas coisas.
Agora, aprendam a lição da figueira. Quando os ramos surgem e as folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está próximo.
(Mateus 24:32)
6)      Os anjos dão testemunho – em Atos 1:10-11 fala que do mesmo modo que ele subiu Pai ele voltará e pisará novamente o monte das Oliveiras (e o partirá em dois).
7)      A forma como entendemos e cremos implicará em como viveremos agora – Saber e entender a respeito de como será o final (início) afetará a forma como vivemos nossa vida agora, como lidamos com nossas escolhas e a que nível levamos a sério nossa vida com Deus e nos comprometemos com Sua vontade. Algo que trataremos com mais profundidade em outra postagem é a respeito do milênio e da continuidade da vida aqui na terra. A maior parte de nós, cristãos evangélicos, brasileiros, de raízes pentecostais acreditamos e pregamos apenas “ainda bem que eu vou morar no céu...”, mas a Bíblia não dá ênfase nisso! A Bíblia fala de modo claro que o compromisso de Deus é a RESTAURAÇÃO DE TODAS AS COISAS (a terra e toda sua criação), o objetivo de Deus é tabernacular com o homem, aqui!
8)      Estudar fim dos tempos está relacionado com o primeiro mandamento – Deus está trazendo sua Igreja de volta para Ele, a fim de vivermos como sempre desejamos o primeiro mandamento, amá-Lo com toda nossa força, entendimento e ser. Por mais que nosso cenário como igreja brasileira (principalmente) pareça uma confusão, e ainda pareçamos crianças mimadas cultivando ídolos em nossos corações, Deus está trabalhando nessa confusão e atraindo-nos violentamente para Si. Ele nos quer como jardim regado, exclusivo para Seu deleite. A maturidade vai chegar! Deus tem interesse nisso! Ele está nos revelando e fazendo-nos conscientes das raízes de nossas atitudes (cosmovisão), Ele está nos fazendo entender que nenhum amante pode ocupar o lugar Dele em nossos corações. Ele está preparando uma Igreja Gloriosa, aquela que se casará como o Cordeiro!
...enquanto não atingir a idade adequada, o herdeiro não está numa posição muito melhor que a de um escravo, apesar de ser dono de todos os bens.
(Gálatas 4:1)


A sequência de estudos que compartilharei aqui estará na linha do Pré milenismo histórico. E meu principal objetivo é despertar na igreja desejo pela volta do Senhor, como também alertar para alguns pontos que tem sido ignorados tanto na pregação como em nossas orações.


[1] Talvez você que tem o costume de visitar essa página tenha lido dois texto que postei há alguns anos atrás, a respeito do fim dos tempos. Eu os retirei para reformular pontos que mudei minha opinião, após fazer uma exegese (estudo do significado) mais apurada dos textos bíblicos abordados. Portanto, sim, os textos que você havia lido estavam realmente aqui (risos).
[2] Não abordaremos aqui todas as linhas apresentadas, mas encorajo o leitor a conhecer sobre todas elas; e a encontrar uma linha que o leve a amar mais ao Senhor e a viver essa vida pensando não apenas no agora, mas principalmente no porvir.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Um espectro





Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.
(João 12:46)
Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida".
(João 8:12)
Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
(1 João 1:5 e 7)

Semana passada em uma das aulas de inglês, no período da tarde, conversávamos sobre cores e seus aspectos de existência nas diversas culturas do mundo. Já havia tido aulas de física a respeito do assunto, mas nunca tinha olhado para o prisma de Newton pelo ângulo que compartilharei a seguir. Como nossos professores de física costumam ensinar, a luz é um espectro, logo as cores também são assim definidas, posto que a segunda é derivação da primeira. Dentro dessa perspectiva quanto maior a onda de luz, menor é a percepção do que existe nela (as ondas ultra, infra, micro e rádio - usadas para comunicação - são imperceptíveis aos nossos olhos), cada parte desse espectro de luz é marcado por uma gradação de cor.
Deus é Luz! Jesus afirmou isso diante de todos, "Eu sou a luz...". Em Mateus Jesus afirma a seus discípulos: "Vocês são a luz do mundo." (Mateus 5:14). Isso não é metafórico, é uma afirmação a respeito de Sua essência, o Ser da trindade é Luz. E se a Trindade é Luz, somos luz porque estamos amalgamados, e refletimos a essência dos três. 
O que são as cores, que nossos olhos conseguem ver? As cores (perceptíveis a olho nu ou não) advém da refração da luz. Entendendo que nossos olhos são capazes de captar poucas facetas desse espectro de luz, me questiono e testifico sobre nossa incapacidade de conhecer completamente o Deus que servimos. Se Ele é luz, as cores são facetas de sua essência. E nessa perspectiva o que vemos agora por meio da pratica de contemplação diária por meio das escrituras é um vislumbre daquilo que um dia contemplaremos na eternidade.
Não é atoa que o Davi descobriu o sentido da existência humana, e a descreveu no Salmo 27: Uma coisa pedi ao Senhor, é o que procuro: que eu possa viver na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a bondade do Senhor e buscar sua orientação no seu templo. (Salmos 27:4) Isso é confirmado por Jesus quando Ele afirma: Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (João 17:3) Esse é o sentido da nossa existência: Contempla-Lo, conhecê-Lo. E quanto mais nos dispomos a contempla-Lo, mais descobriremos que conhecemos pouco da Luz e de suas facetas. A Nova Versão Transformadora, traz no salmo 27: "contemplar a bondade e beleza...", quanto maior a onda de luz menor é a frequência, menor é a percepção que tenho do que há na luz (a olho nu). Quanto mais me aproximo de Deus, mais percebo que preciso conhecê-Lo, mais percebo que não vi o suficiente de sua beleza, pois cada faceta de cor é um fascínio para minha alma faminta. 
Apocalipse (Cap. 4) mostra essa verdade a respeito de Deus, toda a refração da Luz (que é a própria trindade) é descrita e mostrada nesse livro. Ele está sentado em um trono envolto por um arco-íris, João o descreve como uma pedra de jaspe, indescritível em cores e beleza. Em todas as descrições do trono e da aparição da Luz (o próprio Deus) é de refração de cores, algumas descritíveis, outros aspectos dela são colocados por João como "parecendo", ou seja ele não conseguia descrever com maior precisão algo tão fascinante e belo, a não ser usar comparações com que conhecemos.
Muitas questões vieram no início da reflexão: Nossos olhos não conseguem captar todas as dimensões do espectro, logo, nenhum ser humano é capaz de perceber todas as cores. Isso aconteceu depois da queda? Se nascemos para contemplá-Lo teríamos essa capacidade de percepção hoje? Ou só na eternidade? Essa capacidade foi restaurada por meio da obra de Cristo? Seríamos capazes de ver sua criação em totalidade? De vê-Lo em sua totalidade? E mais uma vez... Poderíamos desfrutar dessa contemplação AGORA?
A resposta é: Não sei... Mas, o fascínio por ELE só aumenta! Ele é Belo, e todos os aspectos de sua beleza estão disponíveis para contemplação, para os que desejam o lugar secreto de intimidade. Se a eternidade é conhecê-Lo, faço desse o objetivo dos meus curtos dias aqui na terra. 
Todas essas conexões de conhecimento e revelação só reafirmam aquilo que o apóstolo Paulo escreveu aos irmãos de Corínto: 

Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
(1 Coríntios 13:12)

terça-feira, 6 de março de 2018

Cosmovisão




Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.
(Romanos 1:16,17)

Ontem, no final da aula de Antropologia Cultural, nossa professora nos fez refletir sobre cosmovisão. Como resolver problemas olhando de dentro da cultura do outro. Foi um exercício marcante, creio que para todos da turma. A análise era de um texto do Ronaldo Lidório, extraído do livro: Comunicação missionária - Comparando o universo teísta ocidental com a cosmovisão Konkomba. 
O texto é uma pequena parte do capítulo citado, chamado de "Estudo de caso (Mebá)". A situação era a seguinte: Kidiik era um dos presbíteros mais jovens e empolgado com o evangelismo na igreja Konkomba. Sua conversão foi genuína. Certa noite, ao final do culto, ele ousadamente afirmou: "É verdade que Sataná tem poder e vocês o temem como eu temia. Entretanto a Palavra de Deus diz, e eu creio, que aqueles que são nascidos de Deus são protegidos por Deus e o maligno não lhes toca." Assantyin, um dos feiticeiros locais, tomou a palavra causando confusão. Como Lidório não estava presente, um dos evangelistas tentaram apaziguar a situação, e acabou por permitir que Assantyin falasse. Ele então, desafiou a igreja dizendo que, se falassem contra o poder dos fetiches mais uma vez, um deles seria atingido pelo poder dos espíritos. Em outro culto, Mebá (outro ex-feiticeiro, o primeiro de seu clã a se converter) deu o seu próprio testemunho de conversão e afirmou: "É um erro pensarmos que os espíritos malignos não tem poder. Eles tem. Um grande poder de engano. Entretanto, quando enxergamos a luz de Jesus, este poder é ofuscado pelo poderosíssimo poder do Senhor". Muitos se lembraram do que Assantyin havia falado dias atrás, e dois dias depois souberam que Mebá adoeceu gravemente. Contaram a situação ao missionário Ronaldo Lidório, e pelos sintomas estava claro que Mebá havia sido envenenado e a própria família estava certa que a água de um certo pote havia sido envenenada deixando um gosto amargo (essa prática é própria da tribo). Na mesma semana Assantyin enviou um dos seus filhos com uma mensagem à família de Mebá: "Meu pai diz que os espíritos o revelaram o antídoto para curar Mebá pois não tencionaram matá-lo quando o visitaram de noite, apenas fazê-lo cair enfermo para reconhecer o poder dos fetiches. Podem enviar um dos irmãos de Mebá para buscarem o antídoto".
Ante a essa situação vieram as opções do que devia ser feito. Lembrando que o que Ronaldo Lindório fez naquela situação ninguém sabia ainda, e nos foi dada a tarefa de decidir o que faríamos que fossemos os responsáveis nessa situação:
a) Aceitar o antídoto e usá-lo a despeito do embuste. Neste caso poderíamos tentar esclarecer o engodo no futuro a nível de igreja e comunidade tribal desenvolvendo uma teologia embasada no compromisso do crente com a verdade perante o Senhor;
b) Não aceitar o antídoto. Crer na cura divina e fazer saber que Deus, em qualquer situação, é maior que os fetiches;
c) Levar o caso ao conselho dos anciões denunciando Assantyin como autor do envenenamento tentando levá-lo a dar o antídoto e desmascarar seu embuste. Haveria o risco do antídoto ser destruído ou simplesmente ser dado o antídoto errado sendo tudo atribuído no fim, aos espíritos.
A sala ficou dividida ante as opções, incluindo divisões internas nos grupos quanto a decisão. Em meu coração não abria mão da segunda opção, o que vinha na minha mente o tempo todo era o texto bíblico de Elias e os profetas de Ball; a leitura que fiz é que o nome de Deus estava em jogo naquela comunidade tribal (que possuí uma visão sobre Deus e deus muito preto branco, ou Deus é mais poderoso que os espíritos ou os espíritos os são). Muitos argumentos foram levantados, como a possibilidade da morte de Mebá e um possível envergonhar do nome de Deus. Muitos estavam analisando o antídoto como um remédio compro na farmácia, por nós ocidentais (que separamos o espiritual das demais coisas). E em meu interior falava, Senhor, mas é um contexto diferente, e o teu nome está em jogo, tu não deixarias que as trevas vencesse. O apóstolo Paulo afirmou que o teu evangelho é o TEU PODER, para a salvação, e é na manifestação do teu poder que dependemos completamente de ti. É o Senhor quem faz!
E dentro desse diálogo interior que me encontrava, e lembrando de tudo que li e aprendi sobre fé e confiança falava com Deus: Se não levar em consideração a segunda opção estarei agindo em minhas próprias forças e recursos; crer no contrário (conforme minha consciência) é não confiar no Senhor da missão, àqueles que me comissionou. Foram minutos dentro de mim de luta.
Depois que cada grupo colocou suas opiniões nos foi entregue qual decisão Ronaldo Lidório tomou naquela situação, e a paz voltou a reinar no meu coração. 
A teologia é muito boa, interessante de se estudar e se considerar, mas ela não explica tudo. A experiência de estar em um campo transcultural é de dependência Dele do inicio ao fim, do chamado ao dia a dia com o povo que se tornou meu. Talvez não entendamos com perfeição o significado da palavra dependência e confiança, por que o cristianismo que temos vivido é até onde nossos pés podem pisar, até onde nossa mão consegue apalpar. Se o missionário não entender essas lições antes de chegar no campo, a dor e pressão serão maiores.
Se a atitude de maior coragem tida pelos missionários ante a uma decisão como essa, foi o confiar em Deus, então que tipo de cristianismo temos pregado / vivido!?

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Por que tarda o pleno avivamento... ainda?

Gostaria de compartilhar com meus leitores uma parte de um dos últimos capítulos do livro: O homem do céu. Nesse capítulo o irmão Yun, compartilha a percepção que teve das igrejas ocidentais, após fugir da China milagrosamente pode andar por quatro anos pregando nas igrejas ocidentais.



Antes de conhecer o Ocidente, eu não fazia a menor idéia de quantas igrejas vivem adormecidas espiritualmente. Presumi que todas eram fortes e vibrantes, pois, afinal, levaram o evangelho ao meu país com grande fé e tenacidade. Muitos missionários deixaram exemplos poderosos ao perder a vida por amor a Jesus.
Houve ocasiões em que senti dificuldade para pregar em igrejas ocidentais. Parece que falta alguma coisa e isso me traz um sentimento horrível. Muitas reuniões são frias e destituídas do fogo e da presença de Deus que temos na China. (....)
Na situação atual, é quase impossível a igreja adormecer na China. Há sempre algum motivo para fugirmos, e é muito difícil alguém dormir enquanto foge. Temo que, se a perseguição acabar, fiquemos complacentes e acabamos adormecendo. (...)
Posso afirmar, sem nenhuma sombra de dúvida, que a igreja ocidental não precisa construir nem mais um único templo de quer. Edifícios nunca trarão avivamento. (...)
O primeiro passo a ser dado para que haja um avivamento é voltar à Palavra do Senhor. Nas igrejas do Ocidente, falta a Palavra de Deus. Sei que há muitos pregadores e milhares de fitas e vídeos com ensinamentos bíblicos, mas muito pouco desse material contém a verdade cortante da Palavra de Deus. O que liberta é a verdade. Falta não apenas conhecimento da Palavra de Deus, mas também obediência a ela. Vejo pouca gente agindo. (...)
Quando o Senhor se move no Ocidente, parece que as pessoas querem parar de desfrutar da presença e das bênçãos dele por tempo demais. Depois, constroem um altar às suas experiências. UMA PESSOA SÓ CONHECE AS ESCRITURAS DE VERDADE QUANDO PERMITE QUE ELAS TRANSFORMEM SUA VIDA. Todos os avivamento genuínos do Senhor resultaram em crentes agindo para conquistar almas. Quando Deus se move realmente no coração de uma pessoa, ela não consegue permanecer calada. Sentirá fogo nos ossos, como Jeremias disse: "A tua mensagem fica presa dentro de mim e queima como fogo no meu coração. Estou cansado de guardá-la e não posso mais aguentar" (Jr 20:9). Além do mais, só quando partimos em obediência e compartilhamos o evangelho com os outros é que passamos a ver a bênção de Deus em todas as áreas da nossa vida. (...)
Tenho visto, nas igrejas ocidentais, pessoas adorando como se já estivessem no céu. Depois, invariavelmente, alguém transmite uma mensagem de consolo como: "Meus filhos, amo vocês. Não temam, estou com vocês". Não me oponho a essas palavras, mas parece estranho ninguém nunca ouvir a seguinte mensagem do Senhor: "Meu filho, quero enviá-lo às favelas da Ásia ou às regiões tenebrosas da África para ser meu mensageiro aos que estão morrendo no pecado".
Multidões de membros das igrejas ocidentais se satisfazem em dar o mínimo, e não o máximo, a Deus. Observei homens e mulheres durante a entrega das ofertas nas igrejas. Abrem as carteiras recheadas e procuram a menor nota para entregar. Esse tipo de atitude nunca será suficiente! Jesus deu toda a sua vida por nós, e devolvemos a Deus o mínimo possível da nossa vida, tempo e dinheiro. Isso é uma vergonha! Arrependam-se!
Talvez pareça estranho, mas chego a sentir saudades das ofertas que eu dava na China. Inúmeras vezes ouvi o dirigente da reunião anunciar: "Temos um novo obreiro que vai partir amanhã para servir ao Senhor". Imediatamente todos os presentes tiravam o que tinham no bolso e doavam. Com esse dinheiro o obreiro comprava uma passagem de trem ou ônibus e partia no dia seguinte. (...)
O fato de possuir um templo não implica necessariamente que a pessoa tem Jesus em sua vida. Para muitas igrejas hoje, ele não é bem-vindo (Ap 3:20). (...)
Claro que nem todas as igrejas ocidentais estão adormecidas! Notei um denominador comum a todas as congregações fortes que visitei: compromisso firme e sacrificial com as missões entre as nações não-alcançadas. Não me refiro apenas à esforços locais, nem a tentativas de plantar igrejas em outras cidades do mesmo país.  Falo de coração ardendo de desejo de estabelecer o Reino de Deus nas áreas mais carentes do evangelho e dominadas por trevas espirituais em todo o mundo, lugares em que ninguém nunca ouviu falar o nome de Jesus. Os que começarem a dedicar tempo, oração e recursos para isso logo verão a bênção de Deus sobre o trabalho de suas mãos.
A "grande comissão" permanece a mesma. Muitas comunidades tentam criar o céu na terra, mas, enquanto não obedecerem à grande comissão e levarem o evangelho aos confins do mundo, as igrejas ocidentais estarão apenas brincando de Deus, sem seriedade diante da verdade. Muitas igrejas são lindas por fora, mas estão mortas onde é importante, no interior. (...)
As lágrimas sempre vêm antes do verdadeiro mover do Senhor. Ele não derrama sua bênção sobre carne impura e egoísta. A cruz tem de ser o centro de tudo. QUEM FIZER TUDO ISSO VERÁ O AVIVAMENTO. Você se dispõe a entregar todo seu ser a Deus para o serviço dele? (...)
Muitos cristãos me perguntam também por que acontecem tantos milagres, sinais e maravilhas na China e tão poucos no Ocidente.  Os ocidentais gozam de uma boa vida. Têm seguro para tudo. De certa forma, não precisam de Deus. (...)
Na China, os maiores milagres não são as curas e outros fatos semelhantes, mas sim as vidas transformadas pelo evangelho. Não pensamos que fomos chamados para seguir sinais e maravilhas, mas acreditamos que estes nos seguem quando pregamos o evangelho. Não fixamos os olhos neles, mantemos o olhar fixo em Jesus.


No final do ano passado minha sequência de leitura foi sobre avivamento e oração. Meu clamor por três meses foi em cima desse tema, e através desse livro Deus me trouxe muitas respostas às orações que fazia a mais ou menos um ano atrás. Se queremos avivamento e presença de Deus precisamos para de olhar para nosso céu particular e alcançar os não alcançados. Antes de tudo deixar as divergências teológicas e denominacionais e unir forças para esse propósito, a Grande comissão! A estratégia do inimigo de nossas almas não mudou, é tirar nosso foco, é tirar a cruz do centro!
Bom fim de ano! E que o ano que se aproxima seja realmente, novo!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Injustiças

Vivemos em um mundo injusto, desde que o homem caiu e o pecado entrou em cena, vivemos em meio a injustiças e horrores advindos da frieza e maldade oriundas do veneno do pecado na alma humana. Até a volta de Jesus, e o início de seu reino milenar de justiça e paz, haverá injustiças e horrores nessa terra. Gostaria de abordar dois ângulos sobre as injustiças nos relacionamentos interpessoais, ambos voltados para nós cristãos, discípulos de Cristo. O primeiro é o ângulo de quando sofremos injustiças, e o segundo é de quando outros sofrem injustiças. 


E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas,
Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.
Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.
Jeremias 18:3-6
Em nossa vida aqui na terra, sempre iremos passar por situações, nos relacionamentos interpessoais, nas quais sempre acharemos que estamos com a razão (pode ser que estejamos mesmo) ou de que o outro falhou conosco, nos humilhou...envergonhou, desprezou, nos acusou de algo que não fizemos. Nossa atitude, na maioria das vezes é de vítima, "o ofendido", "o injustiçado", "o rejeitado". Nessa primeira abordagem da injustiça, quando estamos na posição de sofre-la, devemos sempre nos lembrar do texto acima - se é nosso real desejo crescer em Cristo e ser semelhante a Ele, precisamos mudar essa forma de ver as injustiças e situações vividas nos relacionamentos interpessoais. 
Enquanto permanecermos na posição de vítima e sentindo pena de nós mesmos, nunca avançaremos! Precisamos trazer à memória as palavras do profeta: "Eis que, como barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão." Deus é soberano! Ao invés de sempre nos vermos como a vítima, devemos ver na ótica da palavra! Deus está moldando a minha vida em cada situação, no relacionamento com as pessoas de onde trabalho, na escola, faculdade é o oleiro moldando o vaso. Por mais difícil que possa parecer, Deus está me moldando para que eu possa refletir a imagem do crucificado! 
Jesus foi humilhado, ofendido, rejeitado e no final ele disse: "Perdoa-os pois não sabem o que fazem", essa atitude só pode ser vista naqueles que crucificaram o ego, morreram para suas razões, para aqueles que já se humilharam e quebrantaram na presença de Deus! Que a palavra (as características de Jesus Cristo) possa nos desfazer e nos refazer segundo sua imagem.

O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.
Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.
Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;
Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;
Comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade;
Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis.
Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram;
Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos;
A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens.
Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.
Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.
Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.
Romanos 12:9-21

Em relação aos outros irmãos, como também aqueles que não pertence a Cristo e até mesmo aqueles que se colocam como nossos inimigos, devemos praticar atos de justiça. Sendo diligentes no cuidado e serviço com o outro. Dando pão ao que tem fome, dando de beber àquele que tem sede, nunca humilhando ou tratando com desprezo ninguém. Nem mesmo aqueles que são mais difíceis de amar e servir. O servo não escolhe a quem vai servir, o verdadeiro servo ama sem fingimento, como seu Senhor, ágape. O cristão deve ser um bálsamo para o ferido, água para o sedento e pão para o faminto. O cristão deve manifestar atos de justiça, pois Deus é justiça.
Nesse domingo, nosso pastor trouxe uma triste história, de uma cidade no interior da França. Era uma cidade que se dizia cristã. Certa vez, haviam dois irmãos que ficaram órfãos; a irmã mais velha ainda na infância foi aliciada por homens daquela cidade para as drogas, o irmão tinha deficiência mental. Alguns homens daquela cidade pegaram esse rapaz e o amarram em um poste, zombavam dele e o maltrataram com demasia, com palavras e golpes. Após esse momento de tortura, ambos os irmãos se suicidaram. O pároco daquela região, após a morte dos órfãos, deu um sermão no domingo dizendo: "Se no dia do juízo final, o Senhor Deus me perguntar: onde estão suas ovelhas!?, ficarei em silêncio. Caso ele insista e pergunte novamente: Onde estão suas ovelhas!?, então com pesar responderei: Não havia nenhuma ovelha, meu Senhor, somente bodes!"
Essa triste história não pode ser uma realidade no meio do povo que se diz cristão! A atitude da igreja deve ser a mesma de Cristo, atos de justiça, estender a mão ao necessitado, não zombar do outro por suas deficiências (não me refiro somente ao físico). Podemos trazer justiça e paz para nosso contexto antes da volta de Jesus. Que possamos ser a expressão do crucificado a cada dia!
Cristianismo não é religião, é estilo de vida! Cristianismo é encarnação de Cristo em nós. Cristianismo são atos de justiça, em um mundo injusto e mau. A matemática do reino é inversa, para crescer tem que diminuir; para ganhar tem que perder. Que o bom pastor encontre em nós, ovelhas do seu aprisco. Até que Ele venha com teu reino de justiça e paz que possamos amenizar as injustiças e guerras.   

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Tudo que é sólido pode derreter?



Hoje estava assistindo o terceiro filme da trilogia de animação "Toy Story"; fiz uma leitura que ainda não havia feito nos filmes anteriores. A priori, olhando de forma superficial, podemos ver um garoto que não quer desapegar de seus brinquedos e romper com a fase da infância. Todavia as lições deixadas por esse filme infantil são preciosas.

A primeira lição é sobre identidade, os brinquedos de Andy são diferenciados, principalmente o cowboy Woody. Eles tem uma convicção interior que todos nós deveríamos ter "Eu sou amado pelo meu dono". Essa convicção é fruto da identidade formada por meio do relacionamento que estabeleceram com Andy (o dono dos brinquedos). Temos convicção de quem somos, quando temos revelação do amor de Deus por nós "Eu sou amado do Pai", essa convicção vem por meio do relacionamento mantido com o criador, o nosso dono. 
Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.
1 João 3:1
Outra lição importante é sobre amizade e companheirismo, os brinquedos dão um baita exemplo de como fazer verdadeiros amigos e como se tornam a família que nasceram de pais diferentes. Amizades sadias que te influenciam para o melhor que você pode ser e fazer, as quais te levam a usar habilidades quem nem você mesmo acreditava que as tinha, com o objetivo de salvar vidas e gerar unidade.
O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há um amigo mais chegado do que um irmão. (Pv 18:24)
Entre todas essas lições e outras mais que podemos absorver, essa é a que considero mais profunda e reflexiva para o momento socio-histórico no qual estamos inseridos: "Nem tudo é descartável"! Em uma cultura do descartável, e do "Quebrou? Compra outro", o filme Toy Story nos mostra que não é bem assim. Aquilo que quebrou pode ser consertado e o mais importante: Pessoas não são descartáveis, relacionamentos não são descartáveis! A sociologia chama essa Era de "Líquida", amor líquido, sociedade líquida...relacionamentos líquidos. Essa infeliz realidade é fruto da decadência moral e da desvalorização daquilo que um dia foi valorizado e chamado de principal. Valores como fidelidade, integridade, respeito... parece que foram desintegrados e se tornaram escassos. 
Entender que a liquidez é uma crítica e não um estado de progresso ou evolução social, deveria gerar em nós o desejo fazer durar, ou ao menos nos esforçar para isso! Dar o nosso melhor em nossos relacionamentos interpessoais.
O valor empregado por Andy a seus brinquedos, nos mostra algo excelente que perdemos, relacionamentos duradouros - sejam amizades, namoros, casamentos. O cuidado empregado para que seus brinquedos se tornassem duráveis, nos traz vergonha ao percebermos a forma como tratamos nossos pais, irmãos, maridos, esposas... 

Outra lição inserida dentro dessa última é gratidão e transferência de legado. Ao entender que sua fase de infância havia acabado, mas que aqueles "tesouros" deveriam ser cuidados por alguém que vive a fase que ele viveu com tanta intensidade, é extraordinário e fundamental. Passar um legado de valores sólidos a quem está começando na vida, em meio a Era da liquidez é nadar contra a maré, deixar um rastro de esperança para as gerações vindouras.

Por último, gostaria de ressaltar a criatividade. O poder que os brinquedos tem de aguçar a mente das crianças é sem dúvidas algo divino. Deus é o criador de todas as coisas, nós fomos feitos à sua imagem e semelhança, não é a toa que temos esse desejo interno de criar e fazer coisas novas (é claro que em alguns casos isso foge dos limites, e acabam tendendo para o mal, mas isso não tira a natureza divina da criatividade), nosso Deus é criativo. 


"Ao infinito e além!" Que as era da eternidade nos revele a infinidade da pessoa de Cristo, dos três.

Eis a questão: tudo que é sólido pode derreter? A resposta pode parecer clichê, mas não vejo outra melhor... DEPENDE DE VOCÊ!