terça-feira, 30 de agosto de 2016

O segredo de um coração aquecido



Ao lermos a biografia de tantos homens e mulheres de Deus, que percorreram os séculos e ficaram conhecidos por marcar suas gerações pelo amor aos perdidos e serem iniciadores de grandes avivamentos, percebemos algo em comum em todos, um coração apaixonado por sua causa. Mas, o que levou Bunyan a suportar tantos anos de prisão? Wesley a ser a tocha tirada do fogo? O que levou Adoniram Judson e sua esposa a amarem tanto um país que não era o seu de origem? O que levou David Levingstone atravessar um continente e mapeá-lo, e ao final de sua vida desejar ter seu coração enterrado nessa terra que tanto amou? O que levou Teresa de Ávila a tamanha disciplina e caridade? O que pode levar um homem (Paton) a levar o evangelho a canibais? O que fez Hudson Taylor a ser consumido até a morte, em uma China devastada pelo ópio? E o simples pregador do interior dos Estados Unidos, David Wilkerson, a mudar-se para Nova Iorque e dar sua por viciados em violência e drogas?
Como falamos no início, uma causa; “Ergon, aquilo com que alguém se manterá ocupado, requerendo suas energias, talentos, dons, tempo, família, orquestrando seu “modus vivendis”. Quem causa tem uma causa! Mas, o que nos leva a essa causa? A Oração! Um relacionamento com o divino, pois o Ergon é um presente divino. Como diz nossa irmã-amiga Ariadna de Oliveira, ninguém está apto para discernir sua causa existencial a não ser Aquele que nos conheceu quando ainda éramos informes.
Lionel Fletcher escreveu: “Todos os ganhadores de almas através dos séculos foram homens e mulheres incansáveis na oração [...]”. Quando vamos ler sobre a vida de todos, percebemos a disciplina que todos esses homens e mulheres tinham com a oração e a palavra. Teresa de Ávila e Guion descobriram esse tesouro, do que é realmente orar. A oração acontece de fato quando nosso espírito ora, quando entramos no santo dos santos. Alguns de nossa geração têm descoberto isso, não é algo novo, pois todos os Heróis da fé e avivalistas descobriram essa mesma verdade escondida nas escrituras. Quem já pisou nos santos dos santos, em outro lugar não sabe viver....

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus,
Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne,
E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,
Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,
Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu.
(Hebreus 10:19-23)

O Ergon (Chamado) é resultado de um coração aquecido, e o coração aquecido é consequência de uma vida de oração. Não é possível ser quente se nosso relacionamento com o criador não for intenso e profundo também. Jeanne Guyon, popularmente chamada de Madame Guyon, cria que se deve rezar (orar) o tempo todo, e que em tudo o que se faz, deve-se passar o tempo com Deus. “A oração é a chave da perfeição e da felicidade; é o meio eficaz de se livrar de todos os vícios e de aquisição de todas as virtudes, porque o caminho para se tornar perfeita é viver na presença de Deus, Ele mesmo nos diz: anda na minha presença e sê perfeito (Gn 17:1)...a oração pode si só pode trazer-lhe a Sua presença, e mantê-lo lá continuamente.”
Todos esses Heróis da fé que tiveram uma vida avivada, e impactaram muitas pessoas, tiveram uma vida nos Santos dos santos. Todos eles eram intensos em suas orações. Muitos cristãos têm orações mornas ou mesmo nem as têm, e vêem a oração como algo chato ou uma obrigação. De fato, no início de uma vida de oração é assim, todavia, os que perseveram conhece os Santos os santos; e como Guyon deseja ensinar outros sobre esse grande e simples segredo, de como orar de verdade, como orar em espírito e em verdade.
Foi quando Guyon escreveu “Um curto e fácil método de oração”[i], teve sua liberdade restrita. Essa querida irmã, foi literalmente presa, por ensinar as pessoas como chegar nos Santos dos santos. Esse foi o Ergon de Guyon, que levou muitos outros irmãos, séculos depois, a conhecerem Jesus de modo íntimo e a descobrirem seu Ergon.
Todas as vezes que leio sobre os nossos pais e irmãos na fé, me envergonho do pouco que tenho orado e feito, mas ao mesmo tempo me sinto desafiada e motivada a crescer em oração e fé.
Que possamos sair das orações monótonas e conhecer as delícias da intimidade com a pessoa do Senhor Jesus. Que possamos encontrar nosso “Modus vivendis” através da oração do espírito.




[i]  Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo através da Oração – Editora dos Clássicos

terça-feira, 26 de abril de 2016

Quebrantamento - O ministério do Cordeiro


Qualquer pessoa que serve a Deus mais cedo ou mais tarde, descobrirá que o grande impedimento para Sua obra não são outras pessoas, mas ela mesma. Descobrirá que sua alma não está em harmonia com seu espírito, perceberá que seu homem exterior é incapaz de submeter-se ao homem interior. Paulo nos explica sobre a diferença desses dois homens, que fazem parte do nosso ser: “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7:22) “Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia.” (II Co 4:16).
É interessante observarmos a diferença, o homem interior trata-se do espírito, o homem exterior aponta para nossa alma, e Watchman Nee nomeia nosso corpo de homem periférico. Uma ilustração que caberia perfeitamente seria a de um bombom de cereja, com recheio líquido. O papel do bombom é o corpo, o chocolate é a alma e o recheio o espírito. A alma veste o corpo, e o espírito veste a alma. O homem interior veste o exterior. 


Como falamos no início a única maneira de sermos usados por Deus, de modo sobrenatural e verdadeiro, é sabendo fazer distinção entre alma e espírito, como também permitir que o homem exterior se submeta ao interior. Isso só é possível por meio do tratamento, usado por Deus, chamado quebrantamento. O homem exterior precisa ser quebrado. A casca (alma) que envolve nosso espírito precisa ser quebrada para que a preciosidade do conteúdo que carregamos possa ser liberado completamente. Assim entendemos o que o apóstolo Paulo quis dizer quando escreveu: Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. (II Coríntios 4:7)
A excelência do poder precisa ser de Deus e não nossa e isso só é possível quando o vaso é quebrado. A vida de Deus só poderá ser manifesta quando o vaso é quebrado. Não devemos perguntar como obter a vida de Deus em nossas orações ou palavras, mas como essa vida pode ser manifesta, pois ela já está dentro de nós, por meio do novo nascimento. Por isso, é vital que sejamos quebrantados pelo Senhor! “Se o nosso homem exterior permanecer intacto, nunca poderemos ser uma bênção para Sua Igreja, e não podemos esperar que a Palavra de Deus pregada por nós seja abençoada” (W. Nee). 

Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento. (João 12:3)

O vaso de alabastro precisa ser quebrado. Muitas pessoas têm grande consideração por suas habilidades, dons, emoções, consideram-se importantes, ou melhores que as demais (talvez não digam, mas pensam dessa maneira). Porque nos consideramos tão preciosos? Quando fazemos isso retemos a fragrância ao invés de liberá-la. Todas as experiências, problemas e provações que o Senhor nos envia são para o nosso bem supremo, pois o homem exterior precisa ser quebrado! O quebrantamento pode ser gradual e repentino, são os dois meios usados por Deus para tratar conosco. Por vários anos Deus vai trabalhando conosco, até chegar o momento em que Ele completa essa obra de quebrantamento de uma vez por todas (Gn 32:30), como em Peniel. 
O homem exterior só é quebrado quando fazemos aplicação da cruz em nosso dia a dia, a CRUZ é o ministério do cordeiro. A cruz é a vontade perfeita de Deus para nossas vidas, é padrão para a vida cristã. O ministério do cordeiro é quando aprendemos a sofrer o dano, quando mantemos o nosso ego crucificado, quando não andamos pelo nosso entendimento próprio, mas pelo direcionar do Espírito. Mesmo sabendo disso, muitas pessoas se negam a serem quebrantadas, por quê? 
A primeira razão é que muitos vivem nas trevas e não conseguem enxergar a mão de Deus em cada circunstância e problema diário. Que Deus nos conceda revelação para vermos o que provém de sua mão e como Madame Guyon de joelhos amar e beijar a mão que lida conosco. A segunda razão que impede o quebrantamento, falamos um pouco a cima, é o amor próprio. Precisamos pedir que Deus que não tenhamos piedade do que somos, para que Cristo possa ser TUDO em nós, o perfume que exala e conquista.


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Convite às profundezas


Se me amais, guardai os meus mandamentos.
E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;
O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.
Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.
Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis.
Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós.
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.
Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.
(João 14:15-23)

João faz questão de dar ênfase nas últimas palavras do mestre para justamente nos levar à revelação de que não estamos sozinhos. Ele começa falando sobre o consolador (Espírito Santo) “Ele vive COM [...] e EM vocês.”; logo em seguida Ele diz que os discípulos entenderiam que eles estariam Nele, e Ele estaria Neles; e Jesus continua dizendo que ao guardar (obedecer) seus mandamentos Ele e o Pai (Deus) viria morar (e não visitar) nos discípulos. Queridos, as implicações dessa verdade são profundas e tremendas. O que Jesus estava dizendo era simplesmente que o Deus triuno habitaria nos discípulos, não só neles, mas em TODOS quantos o recebessem (João 1:12); a vida incriada, o Deus criador dos céus e da terra foi amalgamado com os seres humanos. E essa é a maior história de amor de todos os tempos, pois ela não está baseada em preceitos carnais, mais no propósito eterno e divino arquitetado pelo Criador desde a fundação do mundo. É com base nessa verdade que Paulo afirma que o nosso espírito foi feito um com o Espírito de Deus, a partir do novo nascimento (I Coríntios 6:17). A expressão amalgama era usada pelos cristãos da igreja primitiva, para se referir ao que acontecia após o novo nascimento. É como os ingredientes de um bolo que se misturam. Como o mercúrio com a liga de prata que se mistura em uma obturação. Conforme vemos no versículo 23 Ele habita em nós, Ele planejou viver dentro de nós. Portanto, a bíblia não diz que somos hotel. Ele habita nas profundezas do nosso ser. O Tabernáculo aponta para o que somos hoje como habitação de Deus, como o Templo construído em Jerusalém. É por isso que o apóstolo Paulo afirma que nada pode nos separar do amor de Deus (Romanos 8:38-39), como também que nos tornamos filhos por adoção (ou seja, de acordo com a Lei Romana da época quem era adotado como filho não poderia ser deserdado ou deixar de ser filho. Uma vez adotado como filho, filho até o fim).
Toda Escritura sagrada foi escrita (e deve ser lida) com o intuito de revelar a pessoa de Jesus Cristo. Podemos nos aproximar da bíblia de várias maneiras, e enxergá-la como nos é conveniente. Muitas vezes a temos como um código de regras, outras vezes como um livro histórico, ou mesmo um ajuntamento de preceitos morais. Todas essas formas são legitimas, e podem nos acrescentar em certa medida, contudo, existe um propósito e forma mais deliciosa de desfrutar desse livro vivo (Salmo 37).
Desde o início percebemos que o propósito de Deus era nos ter para o seu deleite e glória, e esse propósito não mudou. Precisamos, portanto, nos aproximar da bíblia, em cada texto, como fonte de alimento e vida. Nesse versículo Jesus diz claramente que aquele que o ama será amado por Deus e o próprio Cristo se revelaria àqueles que o desejam (amam). E essa revelação acontece através da Bíblia (Palavra de Deus), porque Ele é o verbo, Ele é a palavra...
Assim, existem dois modos básicos de orarmos a palavra, segundo Madame Guyon – Experimentando as profundezas de Jesus Cristo através da oração: a) Tomando cada palavra do texto como alimento e b) Contemplando Cristo em cada versículo lido. 
Do início ao final do texto temos a obediência. Não é fácil obedecer; pois obediência sempre vai mexer com nosso ego; com nossas vontades. A obediência sempre vai chamar a cruz; a obediência vai exigir de nós o negar a si mesmo e a renunciar as nossas vontades. A cruz vai nos levar a perder a nossa vida da alma (Mateus 16:24-25). E essa é a lógica, ilógica do reino “Pra ganhar tem que perder!”. Experimentar as profundezas é um estilo de vida; de devocional constante, não apenas de uma hora. As profundezas nos levará a viver no espírito: a) Andar pela fé (pela palavra); b) Andar pela cruz e c) Andar no sobrenatural.
O apelo para nossos dias aqui na terra é que venhamos nos render a esse amor irresistivelmente precioso e superior a qualquer outro oferecido por homens. Somente as profundezas de Jesus Cristo podem nos suprir emocionalmente, fisicamente, espiritualmente... somente as profundezas dele podem desfazer todo sofisma da mente, todo bloqueio nas emoções. É a vida profunda de intimidade com o amado que nos fará noivas preparadas para sua vinda. São os beijos diários que recebemos dele que filhos serão gerados para a eternidade (Cantares 1:2). “Porque o teu amor é melhor que o vinho...”

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

E o Cristo, onde está?

No domingo passado foi compartilhada uma palavra do culto com esse Tema: E o Cristo, onde está? A inspiração da mesma veio de uma viagem que nosso querido Pai-stor Raimundo Aires fez a Roma a alguns anos atrás. Ele dizia que quando entraram no território do Vaticano, o guia lhes mostrava todos os locais históricos, e foram horas de visitação a muitas relíquias sagradas e histórias de muitos santos cristãos, todavia, ao final da visitação, espontaneamente, nosso pastor indagou: "E o Cristo, onde está?" e o guia surpreso com o questionamento respondeu: "Sabe que é mesmo! Eu não havia pensado sobre isso.". Após tantos monumentos grandiosos e relíquias valiosas, nada foi encontrado dedicado à Cristo. Nada ali tinha Cristo como o centro.



Uma pergunta aparentemente simples, mas que nos leva a refletir sobre nós mesmos. Um pergunta que nos levará a ser confrontados em nossas atitudes e modus vivendi. Começaremos, então com o básico do dia, nossas orações: E o Cristo, onde está em nossas orações? Que lugar Cristo ocupa em nossas orações?

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; 
O pão nosso de cada dia nos dá hoje; 
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
(Mateus 6:9-13)

A oração modelo nos ensina a começar adorando, compreendendo que pertencemos a um Senhor e que esse Senhor deseja ocupar seu lugar (que lhe é de direito) em nossos corações. O Cristo precisa ser o centro de nossas orações, e não o nosso ego. A vontade do Cristo precisa ser cumprida em nossas vidas, não de forma permissiva, mas genuinamente, pois a vontade do Cristo, que é Senhor, é boa, perfeita e agradável. A oração não nos priva de fazermos petições, contudo, nos mostra que o pedir deve ser conforme à vontade do Pai. 
Dando continuidade à nossa reflexão...Onde está o Cristo em nosso modo de vestir? Se eu digo que o Cristo vive em meu espírito, porque não ajo conforme a natureza de Cristo, seguindo seus mandamentos e a direção interior? (I Timóteo 2:9) Onde está o Cristo, em minhas atitudes para com meu próximo? O Cristo que exalava compaixão e altruísmo por onde quer que passava, tem exalado essa vida através de minhas atitudes?
Onde está o Cristo em minhas atitudes de soberba e arrogância? 

Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. (
Filipenses 2:6-8)

Ante ao texto que Paulo escreve aos irmãos de Filipos, percebemos que a arrogância e a soberba nada tem a ver com Cristo. E a resposta para nossas perguntas é que nem sempre Cristo tem aparecido em nossas atitudes, nem sempre Cristo tem aparecido em nossas vestimentas e relacionamentos. Como Paulo escreveu em uma de suas cartas, assim como a esposa é a glória do esposo, nós fomos criados para a Glória de Deus. Por isso todo o nosso viver, seja nosso deitar ou levantar, nosso vestir e nosso falar, tudo deve ser para Glória Dele! Que nossa oração nesses dias seja como a de João Batista: Que Ele cresça e eu diminua. Ou como a da nossa irmã Mariana Valadão: "Seja tudo em mim, Senhor!" e como Paulo possamos dizer: "Já estou crucificado...", esse é o ministério do cordeiro. Para que não venhamos cair em reprovação na indagação inicial: E o Cristo, onde está?


domingo, 8 de novembro de 2015

SUBINDO A MONTANHA – Uma Serra arduamente Dourada

Sábado passado enfrentamos o desafio de subir a famosa serra que cerca nossa cidade, a Serra Dourada, éramos um total de vinte e cinco pessoas. Durante a caminhada Deus ministrava profundamente no meu coração algumas lições da famosa obra, O Peregrino, do nosso amado irmão John Bunyan, como também versículos referentes ao reino e a perseverança.
O início da subida é bem difícil, as pernas pesadas e o ar rarefeito tentam nos convencer de que não conseguiremos chegar ao topo. A caminhada em Cristo também é assim, o caminho é árduo e para conseguir chegar ao topo (reino) é necessário andar pela cruz todos os dias. A viagem feita pelo Peregrino mostra os obstáculos e distrações que a caminhada oferecia, o foco é essencial para chegar aos portões da cidade celestial.
Algo muito interessante é o ritmo da caminhada e o apoio dos companheiros de caminhada, o cristão teve amigos fundamentais como o evangelista e a esperança que o auxiliaram a alcançar os portões da cidade celestial. Durante nossa subida a Serra tinha o grupo os mais “aplicados” que estavam a todo vapor à frente da caminhada, como também os constantes com um ritmo mais equilibrado ao meio e os desanimados bem afastados do grupo, estes últimos aceitavam os pensamentos de que deveriam desistir, pois não iriam conseguir chegar ao topo.

É nesse momento que o Senhor ministrou em meu coração a importância de fazermos a esperança no caminhar de nossos irmãos, talvez diminuindo o ritmo pessoal e levando as cargas (mochilas) uns dos outros, daqueles que se acham mais fracos. E o resultado é incrivelmente sublime, no interior de cada um a sensação “Valeu a pena o sacrifício, o tomar a cruz e seguir”.


Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?
Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.
Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação.
Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó.
(Salmos 24:3-6)

Esse salmo embasa bem a caminhada do cristão de Bunyan, como também a nossa caminhada de discípulos de Cristo. Para estar em constante comunhão com o Deus residente em nós é necessário mãos limpas e coração puro. Mãos falam de obras e coração fala de motivação e intimidade. Para sentir o Senhor se movendo em nós e através de nós é preciso ter obras limpas, obras que suportem o crivo do fogo da natureza divina, obras que geram frutos dignos de arrependimento. 
Para "subir ao monte do Senhor" vai exigir de nós motivações corretas, motivações que não estejam misturadas a promoção pessoal, orgulho e boas intenções. Subir a montanha vai exigir de nós nos livrar de todo peso emocional por meio do perdão. Limpo e puro fala de santificação, para ter comunhão com o Senhor é necessário não apenas estar na posição de Cristo (Santos), mas experimentar dessa santidade em nosso dia a dia, dizendo não à concupiscência dos olhos, da carne e a soberba da vida.
Que possamos continuar subindo, sendo a esperança e consolo para nossos irmãos mais novos, e quando chegarmos nas portas da cidade celestial dizer: Realmente valeu a pena perseverar!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O poder da Pressão



Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos;
E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.
De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. 
II Coríntios 4:8-12

Sempre que leio este texto me recordo da simples e profunda ilustração do carbono em suas duas formas, carvão e diamante. Ambos são feitos do mesmo elemento químico, contudo possuem uma significativa diferença no valor. O que difere ambos são três palavrinhas: Pressão; Profundidade e Tempo. Para que o diamante seja formado é necessário que várias camadas de magma (camada pastosa situada a grande profundidade da superfície terrestre) se ajuntem uma em cima da outra, por um longo período de tempo (séculos) e sofra altíssimas pressões levando-o a ser comprimido até se petrificar e belíssimos diamantes nascerem. O carvão é formado por meio de um processo bem mais simplificado e acessível, por meio da decomposição de folhas vegetais e árvores, próximo à superfície terrestre, submetido a uma pressão bem menor.
Conosco não é diferente, no inicio sempre seremos carvão. O que vai dizer se seremos transformados ou não em diamantes é nossa profundidade em Deus e nossa capacidade de suportar as pressões, e sem dúvida o tempo tem papel primordial nesse processo. Nossa vida aqui na terra é um curto período onde podemos dar respostas corretas a esse tratamento de Deus em nos transformar à sua imagem e semelhança. Imagem no grego significa caráter. O propósito de nosso amado Criador e Pai nunca mudou, continua o mesmo fazer de nós sólidos, semelhantes a Ele, e o processo é a seguinte equação: Pressão + profundidade + Tempo = Caráter de Cristo.
Muitas vezes em nossa caminhada cristã não gostamos de ser atribulados, de ser perseguidos por causa do evangelho, não gostamos de passar por angustias profundas semelhantes a que nosso mestre passou no jardim das oliveiras antes de sua morte. Talvez por alguns terem nos apresentado um evangelho sem morte e sem cruz, talvez por ignorarmos essa parte tão fundamental da mensagem de Cristo! Todavia, evangelho sem morte não é evangelho, e boa nova sem cruz não é boa nova! A vida cristã é um caminhar de pressões e profundezas. Se permanecermos na superficialidade e não soubermos lidar com as pressões, nunca seremos tal como é aqui, diante daqueles que precisam ver o testemunho para receber a verdade da graça.
O que precisamos entender é que não existe a vida de Cristo em nós sem morrermos para nossas vontades e esmurrarmos nosso corpo! Não há fluir do rio de Deus sem morte do ego! E não adianta fugirmos das pressões pois seremos transformados em diamantes mais cedo ou mais tarde, não podemos mudar o tempo em que o Senhor determinou para que sejamos tratados e completamente transformados, mas podemos atrasar esse processo quando fugimos ou damos as respostas erradas diante das pressões. 
Existe um mistério espiritual e precioso na pressão e o grande segredo é não desperdiçarmos fugindo. Essa conclusão que o apóstolo Paulo chega de que mesmo atribulados não estamos angustiados, mesmo perplexos não desanimamos, mesmo perseguidos não fomos desamparados e mesmo ante ao abatimento não fomos destruídos, é devida à lição do Getsêmani, a forma correta de lidar com as pressões, nos pés do Senhor! Mergulhando nas profundezas de Jesus Cristo, sendo transformados de glória em glória!

quarta-feira, 18 de março de 2015

De vasilha em vasilha



Moabe tem estado sossegado desde a sua mocidade, e tem repousado nas suas fezes, e não tem sido deitado de vasilha em vasilha, nem tem ido para o cativeiro; por isso conserva o seu sabor, e o seu cheiro não se muda.
(Jeremias 48:11)
Moabe era um dos visinhos de Israel, uma nação que nasceu a partir de dois incestos (Gênesis 19:36) essa nação foi fruto das entranhas de Ló (v.37). É interessante observar que Ló era sobrinho de Abraão, teve a oportunidade de conhecer o Deus de Abraão, teve a oportunidade de presenciar o inicio de um grande mover de Deus na terra, contudo ele ficou alheio e envolvido em seus próprios interesses. Foi dessa estirpe que surgiu Moabe, um povo aparentemente próspero, que não sofria nenhum tipo de perseguição ou mesmo pressões externas. O profeta ilustra Moabe com a forma de fabricação e purificação do vinho daquela época.
Na época antiga, não existiam filtros para a purificação do vinho. O vinho era purificado e fermentado sendo transferido de uma vasilha para outra vasilha, até que no fundo não tivesse nenhum tipo de resíduo (borras). Moabe é comparado ao vinho impuro, que possui borra no fundo, o vinho que foi colocado em uma vasilha e não foi transferido para outras vasilhas até ficar puro. Isso nos fala do processo do trabalhar de Deus em nossas vidas, forjando o caráter de Cristo em nós.
O propósito de Deus é que não sejamos como Moabe, o vinho que não é mexido, mas que sejamos como Israel. O vinho de Deus que foi submetido à perseguição, às criticas, e até mesmo a exílios. Deus deseja nos passar de vasilha em vasilha, até que não tenhamos mais nenhum tipo de borra e sejamos tal como Ele é. O processo de mudança de vasilhas, Paulo chama de “glória em glória”:

Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. 
(II Coríntios 3:18)

Não fomos chamados para continuar com o mesmo cheio e mesmo sabor, fomos chamados para expressar e exalar Cristo através de nossas atitudes, palavras e pensamentos. Não fomos chamados para ser Moabe, cristãos que não se submetem ao tratamento do Senhor, que não estão dispostos a entrar na forma de Cristo.
Que possamos ser vasos moldáveis, dispostos a ser quebrados pelas mãos do oleiro. Ele usará circunstâncias, pessoas, situações para nos tratar – que chamamos de testes, todos os dias somos testados e trabalhados por Ele. O que podemos fazer é nos colocar à disposição dele, para que a obra seja feita completamente pelo Espírito Santo, porque de nós mesmos nada podemos fazer ou mudar. Um lembrete importante para nós que decidimos ser mudados de vasilha por Ele, é: Não podemos diminuir o tempo do tratamento, mas podemos adiar, quando fugimos.

Nosso consolo e firme esperança é no que a Bíblia nos afirma sobre o fim e de Moabe e Israel, a primeira recebeu o juízo, sendo completamente abatida e não mais habitada, a segunda é chamada de Nova Jerusalém a cidade celestial – e esse é o nosso destino como discípulos de Cristo, ser tal como Ele é.