sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Só a Cruz esconderá quem não somos

"Que o caminho será escuro
Mas que Cristo é a luz do mundo
Deixe Ele te falar quem você é
Que a palavra te desfaça
Que te afogue em Sua graça
Só a cruz esconderá quem você não é"
[17 de Janeiro - Os Arrais]



É corriqueiro ver muitas frase e postagens falando mais ou menos assim: "Não há nada mais bonito do que ser você mesmo". Em parte concordo com essa frase. Sob a ótica da bíblia percebemos que ser quem realmente nascemos para ser só pode ser real quando nos encontramos com a cruz. Em uma música dos Arrais, eles citam essa verdade: "Só a cruz esconderá quem você não é...". 


Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.
(Romanos 12:1,2)

O primeiro passo muitos de nós já demos, é o receber Jesus como nosso único e suficiente salvador, portanto, pela graça recebemos a salvação. Essa é a primeira etapa da salvação, a regeneração. Em seguida vem o caminho do vencedor, onde nos submetemos à transformação da nossa alma. Submetemos nossa vontade ao nosso Senhor, o Espírito Santo passa a governar nossas emoções e nossa mente passa por esse processo expresso pelo apóstolo Paulo, transformação (Metamorphos = literalmente metamorfose).
Esse processo é graças à ação da cruz de Cristo em nós, em nosso dia a dia. A cruz toca nossos relacionamentos, nossos bens e principalmente nosso EGO. O objetivo de Deus nessa metamorfose é que nosso EGO seja completamente crucificado, até que possamos dizer como Paulo:

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.
(Gálatas 2:20)


É exatamente por isso que só somos quem realmente nascemos para ser (nós mesmos) quando somos despojados do velho homem e vestidos de Cristo, quando as marcas do crucificado são visíveis em nosso falar, pensar e agir. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou, foi para sermos quem nascemos para ser que Ele morreu na cruz... para nos libertar de nós mesmos. Só a cruz pode esconder quem não somos! Só a cruz pode dizer para nós que realmente somos.


No início de nossa caminhada com Cristo o caminho é escuro, mas todas as vezes que nos expomos à Palavra uma porção de luz é jogada nos quartos escuros da nossa alma, é nesse momento que temos a oportunidade de caminhar em direção a quem nascemos para ser, e depositarmos na Cruz quem não somos. Que a palavra nos desfaça e nos afogue em sua graça!

SÓ A CRUZ ESCONDERÁ QUEM NÃO SOMOS
SÓ A CRUZ DIRÁ QUEM REALMENTE SOMOS
É SÓ POR MEIO DA CRUZ QUE PODEMOS SER NÓS MESMOS
FILHOS E CO-HERDEIROS COM CRISTO!

terça-feira, 25 de julho de 2017

Deus está com fome



“Tenho algo para comer que vocês não conhecem... A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou a concluir a sua obra”. (João 4:32 e 34 – Ler 4:1-35)

Lendo todo o texto desde o versículo primeiro do capítulo quatro observamos algo bem interessante, antes dessa afirmação transcendente feita por Jesus, muitos protocolos foram quebrados, muitos paradigmas modificados, pelo simples fato de que “era-lhe necessário passar por Samaria”.
Desde a época da divisão do reino (Judá reino do sul, e as outras dez tribos reino do norte, Israel), que se deu após a morte de Salomão, Roboão assumiu o sul e Jeroboão assumiu o norte, havia uma rixa muito grande entre judeus (reino do sul – capital Jerusalém) e samaritanos (reino do norte – capital Samaria). Isso, porque, conforme os relatos os samaritanos se misturaram, por meio de casamentos, com os povos das regiões vizinhas, assim se perderam. Após o retorno do exílio babilônico (do povo judeu – reino do norte) essa rixa ficou mais intensa, a ponto dos judeus não considerarem os samaritanos como povo de Deus. O desprezo para com seus irmãos era tão grande que os judeus faziam questão de cortar caminho para não passar por Samaria, não havia diálogo entre eles.
Mas, naquele momento a vontade de Deus era que seu servo Jesus (o Messias) passasse por Samaria. Como se a quebra desse paradigma não fosse suficiente, Deus queria que a conversa acontecesse com uma mulher em público.
Deus é especialista em quebrar protocolos, principalmente aqueles encharcados de divisões e preconceitos que nos afastam de seu amor incondicional e de sua maravilhosa graça. Deus não tem compromisso com nosso tradicionalismo exacerbado e muito menos com a religião que infla o ego. Ele tem compromisso com sua vontade e seu propósito eterno. “...Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes...”(I Co 1:27)
Os discípulos chegaram e se depararam com aquela cena “chocante”, mesmo sem pronunciarem uma palavra de reprovação para com a atitude do Mestre, seus pensamentos estavam infestados de questionamentos. Jesus, então, deixa um dos princípios espirituais mais profundos dos evangelhos. Fazer a vontade daquele que nos enviou (Jo 15:16) é um tipo de alimento.
Fazer a vontade de Deus alimenta nosso espírito, e quanto mais o obedecemos somos fortalecidos em nosso relacionamento pessoal com Ele e nos tornamos cooperadores de seus planos eternos. Como vocacionados somos alimentados fazendo a vontade daquele que nos vocacionou. É interessante observar ainda, não é apenas nós que somos alimentados e fortalecidos, mas o próprio Deus é alimentado com nossa obediência. Ao compartilhar conosco “...Tenho uma comida para comer que vocês não conhecem...” Ele estava com compartilhando conosco a fome do coração de Deus.

Deus está como fome! Ele só será saciado quando encontrar aqui na terra um servo que faz Sua vontade, para concluir a obra que está em aberto. Deus tem fome de gente! Deus tem fome de corações quebrantados e famintos por Ele! Deus está com fome! Ele busca servos que possam aplacar essa fome que só terá fim com o retorno do Cristo glorificado! Deus está com fome! 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Heróis da Fé

"Uns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior; outros enfrentaram zombarias e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos a prova, mortos a fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelha e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O MUNDO NÃO ERA DIGNO DELES. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas. Todos esses receberam bom testemunho por meio da fé..." (Hebreus 11:35 a 38)

Todas as vezes que leio esse texto da carta aos hebreus, me emociono com os heróis elencados e com a certeza de que essa lista de heróis da fé não está fechada. É por isso que ao final do capítulo, no verso quarenta o escritor ressalta "para que conosco fossem eles aperfeiçoados". O sofrimento que todos esses heróis tiveram antes da vinda de Cristo está sendo completado pelos discípulos do crucificado, que hoje decidiram ter uma vida de renúncia e abnegação. Tive a oportunidade de por mais um ano passar dias ao lado de homens e mulheres assim, "os quais o mundo não é digno", verdadeiros heróis e heroínas da fé. Discípulos de Cristo que tem transformado um deserto em mananciais de vida! 


Somos um corpo só, o Corpo de Cristo, que sofre com os sofrimentos e se alegra com o aperfeiçoamento do próprio Corpo (a Igreja / Noiva do Senhor Jesus). Nossos atos de justiça, nossa disposição em participar das aflições de Cristo fazem com que a noiva seja adornada mais rapidamente e assim, apressamos a volta do Noivo. Só cabe a nós o encontro apressar (II Pe 3:12). Como disse o poeta, o coração de Cristo é uma chaga aberta. Ele não sonhou nem desejou a morte e a destruição, mas nossas atitudes de independência e rebeldia nos levaram à realidade nefasta em que estamos inseridos. Mas, Ele se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e colocou o reino oculto no coração de seus filhos (servos / discípulos). Assim, podemos ser instrumentos da manifestação do Reino do príncipe da Paz em lugares tenebrosos, fazer a luz resplandecer em meio a tando egoísmo e corrupção! 
Deus nos chama para andar no Espírito e viver pela fé! Ele nos diz para ir! Se tivermos a disposição de obedecer sem questionar experimentaremos o seu suprimento diário e a glória de Deus resplandecer. Paulo escreveu aos cristãos de Colosso: Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; (Colossenses 1:24) Podemos nos tornar participantes do resto das aflições de Cristo! O requisito continua sendo o mesmo exposto pelo mestre em Cesareia de Filipe: Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

Meus heróis não morreram de overdose 
Meus heróis não são famosos aqui na terra
Meus heróis são anônimos que fizeram o evangelho avançar em terras áridas
Meus heróis tem cheiro de ovelha
Meus heróis tem pele colorida e sorriso sincero
Meus heróis travaram uma batalha com as trevas
Meus heróis são homens e mulheres de ORAÇÃO!
Quem são os seus heróis?


Fotos: Anderson Oliveira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Santifica-os



Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.
E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim;
(João 17:14-20) 

Antes de entrarmos e escavarmos as riquezas desse texto, a oração de Jesus pelos discípulos, gostaria que voltássemos um pouco antes em João 14. Nos versículos 15 e 21, Jesus diz assim: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos...Aquele tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele." Quando tomamos a decisão por Cristo, em aceitá-lo como Senhor e salvador de nossas vidas somos colocados em uma posição se santidade, isso significa que nos tornamos santos, porque agora Cristo habita em nós. Todavia, o processo chamado de santificação, que todo cristão precisa passar dependerá de seu relacionamento intimo com o Senhor Jesus e sua palavra. As palavras ter e guardar estão associadas a obedecer; estes que possuem e guardam são aqueles que amam o Senhor Jesus. Só amamos aquele que nos salvou e agora é Senhor (dono) das nossas vidas se obedecemos seus mandamentos. E a obediência é o processo de santificação na prática, é como nos tornamos cada dia mais semelhantes a Ele. No livro de Levítico e na primeira carta de Pedro Deus nos revela seu propósito, sermos santos porque Ele é santo.
Ante a isso entendemos que o primeiro motivo para nos santificarmos é o amor a Jesus e ao Pai. Quando amamos desejamos agradar a pessoa amada! Conforme a palavra nos mostra já fomos perdoados de todos os pecados e libertos de toda escravidão, contudo, vem a pergunta: Se essa é a verdade, porque ainda não venci determinados pecados, em áreas específicas em minha vida? A resposta está justamento nesses textos que acabamos de ler. Uma vida de intimidade e relacionamento profundo com o Senhor Jesus me fará vencer o pecado, posto que o amarei mais do que o pecado e minha própria vontade. Outra resposta que podemos ver, está no texto de João 17. Aqueles que estabelecemos aliança e caminhamos juntos podem nos ajudar ou nos atrapalhar no processo de santificação.
No primeiro texto que citei Jesus ora ao Pai por seus discípulos, e em sua oração ele cita algo intrigante: "E por eles eu mesmo me santifico a mim mesmo...". Jesus não era santo, e sendo Deus nunca pecou? Porque ele disse que se santificava? Por que o segundo motivo, pelo qual nos dispomos a nos santificar é por amor ao rebanho, por amor aos discípulos que fazemos durante a caminha aqui na terra. Jesus disse, antes de partir, que nossa missão era ir e fazer discípulos conforme o modelo que Ele mesmo deixou, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Jesus era santo e perfeito, mas em sua oração Ele nos deixa um princípio profundo de liderança e discipulado. O bom pastor dá sua vida em favor das suas ovelhas, Jesus se entregou não somente na cruz, mas Ele viveu uma vida de entrega e cruz. E como nosso modelo, por amor ao rebanho, como líder, eu preciso de me santificar para que meus discípulos também sejam santificados.
Isso não significa que todos irão alcançar a medida da excelência, prova disso vemos no próprio discipulado de Jesus, nem todos os discípulos responderam a sua disponibilidade em santidade e revelação, mas Jesus se santificou. Da mesma forma quando vamos exercer liderança (influência) no Corpo de Cristo, na vida na igreja, precisamos entender que nossos discípulos (que são de Cristo) irão crescer à medida que eu crescer, eles irão se santificar à medida que eu me santificar. O líder é o teto do discípulo (pelo menos no início da caminha cristã). Como o próprio nome já diz discípulo é aprendiz. É obvio que em nossa vida cristã aqui na terra, até o momento em que partirmos para a glória estaremos sendo transformados e aprendendo como discípulos de Cristo, todavia o que estou referindo aqui são dos irmãos mais novos, daqueles que estão começando a caminhada com Cristo.
Concluo dizendo que a graça nos dá suporte para vivermos em santidade, fomos salvos pela graça mediante a fé, e é por meio dela que podemos não ser escravos de nossas vontades e do pecado. A graça nos capacita a viver em santidade. A graça nos dá revelação do quanto somos amados de Deus e de quem nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus! A graça nos faz corresponder a esse incondicional e irresistível amor, do Pai por nós. A graça nos faz ser tal como Ele é! Santos e irrepreensíveis! 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O Sagrado



É que o sagrado se tornou hilário
Ascendeu em abril, se espatifou em maio
E o que é que ficou ? Ficou o riso amarelo
E agora tanto faz o que é sagrado
Nada importa se isso tudo não for antes santificado
Bem no interior do meu peito deserto
(Palavrantiga – Sagrado)

Davi era um homem apaixonado pelo Senhor, foi alguém que conseguiu capturar o coração de Deus em sua geração. A primeira decisão ao se tornar rei de todo o Israel foi trazer a Arca da Aliança (ou Presença) de volta para o seu lugar devido, em Jerusalém. A Arca aos olhos de um não adorador era uma caixa de madeira, para um religioso ela era um amuleto, mas para homens e mulheres que tinham revelação[i] ela era a presença manifesta de Deus no meio de Israel. Durante o reinado de Saul, a arca ficou 20 anos na casa de Abinadabe, após ser devolvida pelos Filisteus, e ter matado mais de 50.000 homens que a abriram, tratando-a como uma caixa comum. Davi sabia da importância da presença de Deus e ele a desejava mais que tudo.

Convocou, pois, Davi a todo o Israel desde Sior do Egito até chegar a Hamate; para trazer a arca de Deus de Quiriate-Jearim. E então Davi com todo o Israel subiu a Baalá de Quiriate-Jearim, que está em Judá, para fazer subir dali a arca de Deus, o Senhor que habita entre os querubins, sobre a qual é invocado o seu nome. E levaram a arca de Deus, da casa de Abinadabe, sobre um carro novo; e Uzá e Aiô guiavam o carro. E Davi e todo o Israel, alegraram-se perante Deus com todas as suas forças; com cânticos, e com harpas, e com saltérios, e com tamborins, e com címbalos, e com trombetas. E, chegando à eira de Quidom, estendeu Uzá a sua mão, para segurar a arca, porque os bois tropeçavam. Então se acendeu a ira do Senhor contra Uzá, e o feriu, por ter estendido a sua mão à arca; e morreu ali perante Deus.
(I Crônicas 13:5-10)

Hoje também, Deus está levantando uma geração de pessoas famintas por sua presença e pela manifestação de sua glória. Pessoas que estão dispostas a fazer o que for preciso para trazer a manifestação da presença Dele para o lugar devido. Davi tinha um coração sincero, mas cometeu o erro de não estudar a história dos moveres passado (época de Moisés), para saber a forma correta de lidar com a presença e carregar a Glória do Deus vivo. Da mesma forma, se desejamos avivamento em nossa geração precisamos aprender a lidar com o sagrado. Precisamos aprender a reverenciar a presença. “Precisamos recuperar um respeito profundo e pessoal pelo poder da glória de Deus sobre a carne não arrependida. Não é que não devamos nos aproximar dela, “usá-la”, ou habitar nela. Assim como um eletricista pode trabalhar em meio a linhas de força de 220 volts com segurança quando aprende a respeitar o poder da eletricidade”.



Uzá, segundo alguns teólogos acreditam, foi criado com a Arca. Alguns chegam a afirmar que provavelmente ele subia em cima dela e brincava próximo a ela. E no momento em que estendeu a mão para segurar a arca, deve ter pensado: vou segura-la como das outras vezes. Entretanto, a Arca estava retornando para o seu lugar devido, e uma lombada (um tropeço) foi colocada por Deus no meio do caminho, para dizer: Vocês querem a minha presença, então façam do meu jeito!
Para que o sagrado não se torne hilário e reste em nosso rosto um riso sem graça, antes do Kabode de Deus vir para nosso meio precisamos aprender a reverenciá-lo, precisamos relembrar que a diferença do sagrado é que se trata de algo que não é COMUM! Isso não deve nos desmotivar de ter a presença, pelo contrário, devemos estar dispostos a pagar o preço que for preciso, como Davi! Antes de entrarmos no Santos dos Santos é necessário passar pelo altar do sacrifício. É necessário que nosso ego seja crucificado e nossas vontades alinhadas, é necessário que morramos, para experimentar a Glória! O Senhor deseja restaurar a Igreja conforme o modelo bíblico, onde Sua presença era tão real que a carne sem arrependimento, não permanecia viva diante dela[ii]. Deus deseja ser encontrado por nós. Ele sempre nos desejou, desde o Éden.
Existe sim, em nosso meio um vazio, em nossas reuniões e cultos. É como se faltasse algo... Se você tem essa sensação quero te dizer que você está certo! Falta a presença MANIFESTA daquele que dizemos estar cultuando. Existe muito do homem e pouco de Deus em nossas programações e eventos. Estamos tão envolvidos em fazer coisas (como Marta) para Ele, que nos esquecemos do principal, relacionamento...intimidade! Ele deseja estar presente, mas será que estamos dispostos a fazer o que for preciso, será que estamos dispostos a morrer?

E, estando sua nora, a mulher de Finéias, grávida, e próxima ao parto, e ouvindo estas notícias, de que a arca de Deus era tomada, e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e deu à luz; porquanto as dores lhe sobrevieram.
E, ao tempo em que ia morrendo, disseram as mulheres que estavam com ela: Não temas, pois deste à luz um filho. Ela porém não respondeu, nem fez caso disso.
E chamou ao menino Icabode, dizendo: De Israel se foi a glória! Porque a arca de Deus foi tomada, e por causa de seu sogro e de seu marido.
1 Samuel 4:19-21

Que Deus desperte em nossa geração homens e mulheres de todas as idades, famintos pela Glória Dele, pela presença manifesta do Rei! Que nossa geração não venha ser a geração do Ikabode, mas a geração daqueles que buscam a Face do Deus de Israel, a geração do Kabode! A geração que foi marcada por um avivamento, a geração que experimentou a orla das vestes enchendo o limiar do templo.



[i] Revelação que me refiro não tem a ver com o dom da palavra de conhecimento, mas ver as verdades bíblicas em uma ótica divina. Não é algo novo, todavia algo visto por diversos homens e mulheres de Deus ao longo da história da Igreja.
[ii] Episódio de Ananias e Safira (Atos 5:1-11)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O segredo de um coração aquecido



Ao lermos a biografia de tantos homens e mulheres de Deus, que percorreram os séculos e ficaram conhecidos por marcar suas gerações pelo amor aos perdidos e serem iniciadores de grandes avivamentos, percebemos algo em comum em todos, um coração apaixonado por sua causa. Mas, o que levou Bunyan a suportar tantos anos de prisão? Wesley a ser a tocha tirada do fogo? O que levou Adoniram Judson e sua esposa a amarem tanto um país que não era o seu de origem? O que levou David Levingstone atravessar um continente e mapeá-lo, e ao final de sua vida desejar ter seu coração enterrado nessa terra que tanto amou? O que levou Teresa de Ávila a tamanha disciplina e caridade? O que pode levar um homem (Paton) a levar o evangelho a canibais? O que fez Hudson Taylor a ser consumido até a morte, em uma China devastada pelo ópio? E o simples pregador do interior dos Estados Unidos, David Wilkerson, a mudar-se para Nova Iorque e dar sua por viciados em violência e drogas?
Como falamos no início, uma causa; “Ergon, aquilo com que alguém se manterá ocupado, requerendo suas energias, talentos, dons, tempo, família, orquestrando seu “modus vivendis”. Quem causa tem uma causa! Mas, o que nos leva a essa causa? A Oração! Um relacionamento com o divino, pois o Ergon é um presente divino. Como diz nossa irmã-amiga Ariadna de Oliveira, ninguém está apto para discernir sua causa existencial a não ser Aquele que nos conheceu quando ainda éramos informes.
Lionel Fletcher escreveu: “Todos os ganhadores de almas através dos séculos foram homens e mulheres incansáveis na oração [...]”. Quando vamos ler sobre a vida de todos, percebemos a disciplina que todos esses homens e mulheres tinham com a oração e a palavra. Teresa de Ávila e Guion descobriram esse tesouro, do que é realmente orar. A oração acontece de fato quando nosso espírito ora, quando entramos no santo dos santos. Alguns de nossa geração têm descoberto isso, não é algo novo, pois todos os Heróis da fé e avivalistas descobriram essa mesma verdade escondida nas escrituras. Quem já pisou nos santos dos santos, em outro lugar não sabe viver....

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus,
Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne,
E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,
Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,
Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu.
(Hebreus 10:19-23)

O Ergon (Chamado) é resultado de um coração aquecido, e o coração aquecido é consequência de uma vida de oração. Não é possível ser quente se nosso relacionamento com o criador não for intenso e profundo também. Jeanne Guyon, popularmente chamada de Madame Guyon, cria que se deve rezar (orar) o tempo todo, e que em tudo o que se faz, deve-se passar o tempo com Deus. “A oração é a chave da perfeição e da felicidade; é o meio eficaz de se livrar de todos os vícios e de aquisição de todas as virtudes, porque o caminho para se tornar perfeita é viver na presença de Deus, Ele mesmo nos diz: anda na minha presença e sê perfeito (Gn 17:1)...a oração pode si só pode trazer-lhe a Sua presença, e mantê-lo lá continuamente.”
Todos esses Heróis da fé que tiveram uma vida avivada, e impactaram muitas pessoas, tiveram uma vida nos Santos dos santos. Todos eles eram intensos em suas orações. Muitos cristãos têm orações mornas ou mesmo nem as têm, e vêem a oração como algo chato ou uma obrigação. De fato, no início de uma vida de oração é assim, todavia, os que perseveram conhece os Santos os santos; e como Guyon deseja ensinar outros sobre esse grande e simples segredo, de como orar de verdade, como orar em espírito e em verdade.
Foi quando Guyon escreveu “Um curto e fácil método de oração”[i], teve sua liberdade restrita. Essa querida irmã, foi literalmente presa, por ensinar as pessoas como chegar nos Santos dos santos. Esse foi o Ergon de Guyon, que levou muitos outros irmãos, séculos depois, a conhecerem Jesus de modo íntimo e a descobrirem seu Ergon.
Todas as vezes que leio sobre os nossos pais e irmãos na fé, me envergonho do pouco que tenho orado e feito, mas ao mesmo tempo me sinto desafiada e motivada a crescer em oração e fé.
Que possamos sair das orações monótonas e conhecer as delícias da intimidade com a pessoa do Senhor Jesus. Que possamos encontrar nosso “Modus vivendis” através da oração do espírito.




[i]  Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo através da Oração – Editora dos Clássicos

terça-feira, 26 de abril de 2016

Quebrantamento - O ministério do Cordeiro


Qualquer pessoa que serve a Deus mais cedo ou mais tarde, descobrirá que o grande impedimento para Sua obra não são outras pessoas, mas ela mesma. Descobrirá que sua alma não está em harmonia com seu espírito, perceberá que seu homem exterior é incapaz de submeter-se ao homem interior. Paulo nos explica sobre a diferença desses dois homens, que fazem parte do nosso ser: “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7:22) “Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia.” (II Co 4:16).
É interessante observarmos a diferença, o homem interior trata-se do espírito, o homem exterior aponta para nossa alma, e Watchman Nee nomeia nosso corpo de homem periférico. Uma ilustração que caberia perfeitamente seria a de um bombom de cereja, com recheio líquido. O papel do bombom é o corpo, o chocolate é a alma e o recheio o espírito. A alma veste o corpo, e o espírito veste a alma. O homem interior veste o exterior. 


Como falamos no início a única maneira de sermos usados por Deus, de modo sobrenatural e verdadeiro, é sabendo fazer distinção entre alma e espírito, como também permitir que o homem exterior se submeta ao interior. Isso só é possível por meio do tratamento, usado por Deus, chamado quebrantamento. O homem exterior precisa ser quebrado. A casca (alma) que envolve nosso espírito precisa ser quebrada para que a preciosidade do conteúdo que carregamos possa ser liberado completamente. Assim entendemos o que o apóstolo Paulo quis dizer quando escreveu: Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. (II Coríntios 4:7)
A excelência do poder precisa ser de Deus e não nossa e isso só é possível quando o vaso é quebrado. A vida de Deus só poderá ser manifesta quando o vaso é quebrado. Não devemos perguntar como obter a vida de Deus em nossas orações ou palavras, mas como essa vida pode ser manifesta, pois ela já está dentro de nós, por meio do novo nascimento. Por isso, é vital que sejamos quebrantados pelo Senhor! “Se o nosso homem exterior permanecer intacto, nunca poderemos ser uma bênção para Sua Igreja, e não podemos esperar que a Palavra de Deus pregada por nós seja abençoada” (W. Nee). 

Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento. (João 12:3)

O vaso de alabastro precisa ser quebrado. Muitas pessoas têm grande consideração por suas habilidades, dons, emoções, consideram-se importantes, ou melhores que as demais (talvez não digam, mas pensam dessa maneira). Porque nos consideramos tão preciosos? Quando fazemos isso retemos a fragrância ao invés de liberá-la. Todas as experiências, problemas e provações que o Senhor nos envia são para o nosso bem supremo, pois o homem exterior precisa ser quebrado! O quebrantamento pode ser gradual e repentino, são os dois meios usados por Deus para tratar conosco. Por vários anos Deus vai trabalhando conosco, até chegar o momento em que Ele completa essa obra de quebrantamento de uma vez por todas (Gn 32:30), como em Peniel. 
O homem exterior só é quebrado quando fazemos aplicação da cruz em nosso dia a dia, a CRUZ é o ministério do cordeiro. A cruz é a vontade perfeita de Deus para nossas vidas, é padrão para a vida cristã. O ministério do cordeiro é quando aprendemos a sofrer o dano, quando mantemos o nosso ego crucificado, quando não andamos pelo nosso entendimento próprio, mas pelo direcionar do Espírito. Mesmo sabendo disso, muitas pessoas se negam a serem quebrantadas, por quê? 
A primeira razão é que muitos vivem nas trevas e não conseguem enxergar a mão de Deus em cada circunstância e problema diário. Que Deus nos conceda revelação para vermos o que provém de sua mão e como Madame Guyon de joelhos amar e beijar a mão que lida conosco. A segunda razão que impede o quebrantamento, falamos um pouco a cima, é o amor próprio. Precisamos pedir que Deus que não tenhamos piedade do que somos, para que Cristo possa ser TUDO em nós, o perfume que exala e conquista.