sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Cosmovisão II - Sagrado x Secular


Tu és soberano sobre a terra sobre o céus tu és Senhor, absoluto. 
Tudo que existe acontece tu o sabes muito bem, tu és tremendo. 
(Asaph Borba)








Esse dualismo acompanha a vida cristã por séculos, normalmente nós o conhecemos a partir das costumeiras perguntas: Com o que você trabalha durante a semana? Qual é seu ministério aos domingos / sábados? O que você faz no secular? Você é tempo integral na obra? Com o que você trabalha, com o sagrado ou o secular? Essas e outras perguntas são fruto de uma visão partida da realidade, fruto de uma cosmovisão fragmentada e misturada. A maioria dos cristãos brasileiros, pertencentes a comunidades neopentecostais ou de pouca tradição histórica / teológica usam esse discurso – fruto de uma forma de pensar e ver o mundo – corriqueiramente. Todavia, esse dualismo tem um contexto interessante, que devemos considerar para, a partir dele, reformular aquilo que diverge das escrituras e de uma cosmovisão genuinamente cristã. 

Esse dualismo que desassocia o sagrado do cotidiano, teoria da prática, realidade espiritual da natural, entrou na cristandade a partir da mistura entre a cosmovisão judaico-cristã com os ensinos filosóficos gregos. O divisor de águas na tradição cristã, para que essa teoria se consolidasse, foi Tomás de Aquino. Dulci[1], explicando sobre o assunto afirma: 

Estabelecendo essa distinção entre dois modos de conhecer a verdade, Aquino reforçou uma forma de enxergar a realidade que já era defendida por Aristóteles. Tratava-se de compreender a realidade divida em dois andares: no andar superior estavam os assuntos e objetos divinos, isto é, Deus, sua revelação, a fé e a salvação. No andar de baixo, estavam os objetos e assuntos naturais, ou seja, a própria natureza, os objetos do mundo, a ética, a estética e tudo aquilo que poderíamos conhecer com nossa razão. [...] 
Foi em razão dessa distinção que Aquino não conseguiu sustentar o título de ciência para a teologia – os conteúdos bíblicos não são princípios evidentes por si mesmos, por isso, no máximo, a teologia poderia ser uma ciência subordinada às evidências de uma ciência superior. A teologia seria uma ciência subalterna. 

Esse dualismo entre os gregos era chamado de Matéria x Forma, a partir do segundo século da era cristã, temos o dualismo Natureza x Graça. A raiz dessa dicotomia, entre natureza e graça, se deu por conta da forma como os teólogos medievais entendiam a queda. Para os mesmos esta havia afetado apenas o relacionamento do homem com Deus, não a imagem de Deus no homem e suas capacidades de raciocínio e relação com as demais coisas criadas. Ou seja, não havia um entendimento da depravação total do homem. 

Esse dualismo estabelecido na teologia dos primeiros séculos da era cristã trouxe sérias consequências para a prática cristã dos dias atuais, os cristãos brasileiros, como os muitos que conheci de outras nacionalidades tem grande dificuldade de enxergar o mundo de modo total. Além dessa herança teológica temos as expressões culturais ocidentais – extremos reducionistas – que também beberam na mesma fonte grega (Ex.: hedonismo, capitalismo, socialismo, historicismo, feminismo...) e contribuem para a formação de como nós, ocidentais, vemos o mundo. Em resumo toda a cosmovisão do ocidente está enraizada no pensamento grego. 

Esse dualismo trouxe sérias consequências, as quais fazem parte do cotidiano da era pós-moderna: secularização da ciência, polarização política, sentimentalismo moral, irracionalismo estético e indiferença sexual. E como a Igreja tem agido ante a isso? Creio que o leitor saiba a resposta: engolidos pela cultura pop[2]. 

Tendo consciência disso, e entendendo que o evangelho e a Bíblia nos ensinam a ver o mundo de modo integral, precisamos combater essas fortalezas que foram construídas em nossa mente, por meio de uma cosmovisão genuinamente cristã e fundamentada na palavra de Deus. 

Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo. 
(II Coríntios 10:3-5) 

A cosmovisão cristã é constituída por uma narrativa, baseada em criação-queda-redenção (esta inclui tanto a primeira quanto a segunda vinda do Messias). E nossa perspectiva de perfeição e completude é a trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto, tudo que temos diante de nós deve ser visto sobre a perspectiva de que há uma graça comum sobre tudo aquilo que Deus criou, como também há níveis de queda dentro da criação, todavia, em Cristo é possível redimir aquilo que o pecado degradou. Quando falo em ver o mundo nessa perspectiva, falo de todas as esferas que compõem a integralidade do homem: família, educação, política, igreja, ciência, sociedade...e toda a produção cultural fruto dessa estrutura. Segundo Guilherme de Carvalho[3]: 

O motivo bíblico nasceu da revelação redentora de Deus ao homem, consumada na pessoa de Jesus Cristo e aplicada pelo Espírito Santo. Essa revelação nos fornece as estruturas fundamentais de uma cosmovisão cristã. Em primeiro lugar, ela reconhece todo o cosmo como criação de Deus. Deus é a única origem absoluta... A queda do homem alienou toda a criação de Deus. Não destruiu a própria estrutura da criação, nem tornou nenhum de seus aspectos essencialmente maligno, mas a colocou numa direção de apostasia... A redenção, consumada por Jesus Cristo, envolve a recriação do homem, como “novo homem” em si mesmo, e, com isso, o redirecionamento da criação para Deus. 

Como é muito popular no contexto reformado, não é possível falar em esferas da vida humana sem falar a respeito de Abraham Kuyper. Talvez para você seja novidade, mas a tradição cristã é rica em produção a respeito de política e atuação na esfera pública. Abraham Kuyper foi um político, jornalista, estadista e teólogo holandês. Ele fundou o partido Anti-revolucionário e foi primeiro ministro dos países baixos entre 1901 a 1905. Kuyper foi um dos precursores do neocalvinismo e deixou discípulos que contribuem até os dias de hoje com a teologia pública[4]. 

Segundo Kuyper a vida humana é dividida em esferas específicas que possuem seus limites de governo e atuação, e todas elas estão submissas às leis de Deus. Kuyper fez um diagrama bem interessante para ilustrar sua teoria[5]. Uma de suas mais famosas exclamações é a seguinte: 

Ó, não existe nenhuma parte sequer do nosso mundo do pensamento que possa ser hermeticamente separado das outras partes; não há um único centímetro quadrado, em todo o domínio de nossa vida humana, sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: Meu! 

Ela expressa tanto a soberania de Deus sobre toda sua criação, como a vontade de Deus em ser glorificado por meio de seus filhos a partir dos mandatos criacionais. Conforme a teologia reformada entende-se que o pacto estabelecido entre Deus e o homem no jardim incluía três mandatos: a) Mandato social – está expresso na parte que diz “frutificai e multiplicai” – formação da família e civilizações; b) Mandato cultural – está expresso da frase “enchei a terra, sujeita-a e dominai” – é importante ressaltar que a palavra domínio tem significado de governo / supervisão e c) Mandato Espiritual – “e abençoou Deus o da sétimo e o santificou” – aqui está estabelecido o relacionamento dos seres humanos com o criador de todas as coisas. 

A igreja do Senhor Jesus é muito eficaz no mandato espiritual e até mesmo social, mas temos negligenciado por séculos o mandato cultural. Deixamos espaços vagos no meio artístico, no meio literário, científico, acadêmico e político por que, na nossa mente são dois ambientes completamente diferentes, são duas caixas separadas (sagrado x secular). Influenciamos pouco por não entender com clareza que Deus deseja ser glorificado em cada esfera da vida humana. 

Por décadas no Brasil temos uma produção massiva do “Gospel”, para um mercado específico, infelizmente uma parte significativa dessas produções, em sua maioria musicais, tem pouca cosmovisão cristã. Parece contraditório, mas é verdade. O objetivo de Deus era que toda a criação fosse influenciada e governada por seus filhos, culturalmente falando. Não estou dizendo que é errado ter produção específica para um público específico, mas pensemos como Deus é mais glorificado quando o mostramos em produções artísticas, literárias e científicas que atingem não apenas cristãos, mas pessoas de diversos credos, filosofias e pensamentos? 

Um exemplo clássico dessa influência é C.S Lewis com “As crônicas de Nárnia” e suas outras produções de ficção científica que até hoje são lidos por diversos públicos e tem influencia gerações. 
Outro ponto interessante a ser analisado é a pergunta que não quer calar: Porque a igreja brasileira cresce, mas o país não muda? A resposta está na nossa cosmovisão. Nessa perspectiva afirma Rodolfo Amorim: 

Ao observarmos a igreja evangélica brasileira hoje, constatamos um fato irrefutável: ela não tem refletido, em influência concreta na realidade sociocultural que nos cerca, a amplitude de seu crescimento numérico... A civilização ocidental tem relegado o cristianismo brasileiro a uma dimensão estreita da vida, sem capacidade de se apresentar como verdade total... Temos aprendido a nos relacionar com Deus salvador e adorá-lo, mas não temos aprendido a servi-lo e honrá-lo como o Deus Criador. 

Situações controversas de cristãos na política que tem entrado em esquemas de corrupção, homens e mulheres que se dizem cristãos, mas continuam vivendo em promiscuidade ou trabalhando no ramo da prostituição. Nós cristãos precisamos entender que a igreja, o trabalho, a escola / faculdade, política, ciência e as demais esferas da vida humana fazem parte da mesma realidade. Tudo isso é uma caixa só! Não podemos dividir essas categorias e achar que podemos viver alguma delas de modo independente de Deus e seu governo. Precisamos rejeitar esse dualismo de nossos corações e mente. Não é uma tarefa fácil, mas com o auxílio do Espírito Santo isso é possível. 

É tão precioso termos consciência dessa verdade que até mesmo nossa escatologia e percepção da morte irá mudar. Viver e morrer fazem parte de uma mesma realidade. Viver e morrer é Cristo! Viver e morrer para a glória do Eterno! Que os olhos do nosso coração venham ser abertos para essa verdade, que nossas atitudes venham refletir essa expansão de mente (metanoia) que o Espírito Santo está fazendo em nós. 







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[1] Pedro Lucas Dulci – Ortodoxia Integral (2015) 

[2] As relações publicas são uma grande indústria. Hoje em dia gasta-se com relações públicas qualquer coisa como um milhar de milhão de dólares por ano. O seu objetivo é sempre “controlar o estado de espírito público”...A pergunta “apoia a nossa política” não pretende que as pessoas pensem sobre essa pergunta. É esse o objetivo da boa propaganda. Pretende-se criar uma palavra de ordem com que não só ninguém possa estar em desacordo, como até com que toda a gente concorde. Ninguém sabe o que significa precisamente porque não significa nada. A sua importância provém da sua capacidade de afastar a atenção das pessoas de qualquer pergunta que signifique alguma coisa. (Noam Chomsky – A manipulação das mídias (1991).

[3] Cosmovisão cristã e transformação – 2006

[4] Herman Dooyewerd, Hans R. Rookmaaker, Kevin J. Vanhoozer, Michael Goheen. Há também faculdades e instituições como o Ladri Brasil que carregam o legado deixado por Kuyper.

[5] A soberania das esferas – 1880 . Veja o diagrama em: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcS46iUGRKImdG6ezAAEBRgbNvxOvbtKDgd0IA&usqp=CAU

domingo, 23 de agosto de 2020

Escatologia XI – Os Seres que vivem diante do Trono de Deus



Enquanto a terra vive sem perceber quem tu és. 
No céu agora mesmo, todos conhecem tua beleza. [...] 
Eu vejo um trono no mais alto céu e tu estás assentado em glória. 
Eu vejo um trono no mais alto céu e tu estás cheio de majestade. [...] 
Quem dera tivesse mil olhos. 

(Ministério Convergência – Apocalipse 4)





Uma das partes mais fascinantes do livro de Apocalipse são as cenas do céu que precedem momentos importantes. Se você observar, antes de cada sequência de juízos, João descreve como está o céu, qual solenidade está acontecendo antes dos juízos serem derramados sobre a terra. Como falei na primeira postagem dessa sequência de estudos, Apocalipse é a revelação de uma pessoa, Jesus Cristo. É a revelação da beleza dos três: Pai, Filho e Espírito.

E logo fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono. E o que estava assentado era, na aparência, semelhante à pedra jaspe e sardônica; e o arco celeste estava ao redor do trono, e parecia semelhante à esmeralda. 
E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro. 
E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus. 
E havia diante do trono um como mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás. 
[...] e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir. 
E, quando os animais davam glória, e honra, e ações de graças ao que estava assentado sobre o trono, ao que vive para todo o sempre, 
Os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam o que vive para todo o sempre; e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: 
Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas. 
(Apocalipse 4:2-11) 


O Trono de Deus é o centro do universo. É óbvio que Deus não se cansa e nem precisa ficar sentado. O Trono é um símbolo da soberania, autoridade e governo do Eterno, e é a partir do Trono que o Senhor age e governa. Todos aqueles que viram o Trono nunca mais foram os mesmos: Daniel ficou fraco e alarmado (Dn 7:15-16), Isaías exclamou: “Ai de mim! Estou perdido!” (Is 6:1-5), Ezequiel caiu estatelado (Ez 1:26-28), João caiu como morto no primeiro capítulo quando vê Jesus. O Trono abala nossas estruturas, muda completamente nossos conceitos de força e se curva reconhecendo que só o Altíssimo é poderoso e soberano. 

A qualidade da nossa vida cristã está intimamente ligada à revelação que temos do Trono de Deus. Quando um discípulo de Jesus contempla o trono de Deus não conseguirá ter uma vida espiritual medíocre, ele ansiará por profundidade. Ninguém se torna naturalmente profundo, isso requer levar as disciplinas espirituais a sério. A profundidade é fruto de duas experiências: amor e temor ao Senhor. O temor está relacionado a saber quem Deus é. O temor traz reverencia e nos impede de brincar com Deus, com sua Palavra e as demais coisas espirituais. Intimidade sem reverência é superficialidade emocional. 

Em Mateus 10:28 Jesus diz que devemos temer aquele que tem poder sobre a vida e sobre a morte. Alguns acreditam que Deus é amor e não disciplina ninguém, todavia a Bíblia diz o contrário. Temível é aquele que está assentado no trono. João não ousa descrevê-lo. Deus não pode ser descrito e classificado em categorias humanas. Ele é único, inexprimível, extraordinário, inefável. 


A Descrição do Trono 

a) Um arco-íris ao redor do trono: Em Gênesis 9:13 esse foi o símbolo estabelecido por Deus como memorial da aliança feita com Noé. O arco ao redor do Trono de Deus aponta para graça e fidelidade. Aqueles que possuem revelação do Trono estão comprometidos com a salvação da humanidade. Aqueles que compreendem o senhorio, governo e soberania de Deus estão comprometidos com a salvação das nações. 

b) Do Trono saem relâmpagos, vozes e trovões: Se você observar as outras cenas do livro de Apocalipse, que precedem os juízos de Deus sobre a terra, como Apocalipse 8:5, os relâmpagos, vozes e trovões são respostas às orações dos santos. Hoje quando oramos em linha com o trono de Deus, o Senhor responde com poder e impacto na terra. Durante a grande tribulação, tempo em que Deus derramará seus juízos sobre a terra, a Igreja estará orando em linha com a vontade de Deus e os juízos virão. Como afirma Mike Biclke, Joel Richardson e Victor Vieira o livro de Apocalipse será um manual de orações para o fim dos tempos. 

c) Diante do Trono arde o fogo do Espirito: O texto fala dos sete espíritos de Deus. Há opiniões diversas sobre isso, Deus tem sete espíritos? Alguns afirmam que sim, todavia creio que temos um pouco de simbolismo aqui. Quando se estuda sobre a simbologia dos números da Bíblia, você vai perceber que o sete é um número de perfeição e plenitude. Então o Espírito de Santo aqui (a terceira pessoa da Trindade) está em toda sua plenitude, poder e glória como o Pai e Filho. Perceba também que o fogo, uma figura muito usada para descrever o Espírito Santo na bíblia como também o próprio Deus, deve fazer parte da vida do cristão. Desejar o fogo de Deus significa desejar uma vida de santificação e pureza. Só há fogo se Cristo for Senhor de nossas vidas, só há fogo para quem vive diante do Trono. 

d) Um mar de vidro como Cristal: Esse vidro como cristal aponta para justiça e verdade. Diante do trono não há espaço para dissimulação e fingimento. Transparência é a base do trono de Deus. Esse mar de vidro também é mesclado com fogo (Dn 7:10). É nesse mar que o inferno será lançado. Deus é fogo consumidor e faz dos seus ministros labaredas de fogo, semelhantes e Ele (Hb 1:7). 

e) Do Trono sai o Rio da Vida: (Apocalipse 22:1) Jesus afirma que os que creem Nele, do seu interior fluirão rios de águas vivas. O rio flui do trono, se o governo e o senhorio de Jesus Cristo estão estabelecidos em nossos corações o fluir do Espírito Santo será uma realidade em nós. 

Segundo o texto há pelo menos três categorias de seres que vivem diante do Trono de Deus. Suas características e estilo de vida nos ensinam muito: 


1) OS ANJOS – Apocalipse mostra que a medida dos anjos é igual à medida de homem (Ap. 21:17). No Antigo Testamento, percebemos isso de modo claro, posto que, a aparição deles para as pessoas não era algo que gerava estranhamento ou pânico, mesmo sendo identificados como anjos, se passavam tranquilamente por seres humanos. Hebreus 1:14 afirma que eles foram enviados para servir e proteger aqueles que hão de herdar a salvação. Eles são operários celestiais, e por serem criaturas do trono, eles nos servem de ilustração como aqueles que fazem do Trono o centro de suas vidas. Eles são mensageiros às Igrejas e às nações. Também são responsáveis por anunciar os juízos de Deus, seus oráculos e mistérios. A nós também foi dada essas funções, por meio do Corpo de Cristo, a Igreja. Uma parte dos anjos também tem a função de guerreiros (Ap 12:7 e Dn 7:9). Aqueles que estão diante do trono de Deus também são guerreiros! Tudo aquilo que os anjos fazem, nós também podemos fazer. 

2) OS SERES VIVENTES – É válido ressaltar aqui que esses seres viventes são os mesmos serafins, vistos por Ezequiel (Ez 1:13-14). Uma das características mais marcantes desses seres são os olhos e a contínua adoração. Os olhos falam de visão e revelação (ter desvendado diante de si aquilo que você não via ou entendia Ef 1). Os Viventes possuem uma visão em quatro dimensões: a) Olhos que contemplam o Eterno, b) Olhos que estão sensíveis ao que está ao seu redor, c) Olhos nas costas que conseguem visualizar o passado e estar atento ao inimigo, d) Olhos que visualizam sua alma e aquilo que está dentro do seu coração. 

É interessante a realidade desses seres que vivem diante do Trono de Deus: são cheios de vida, eles contemplam o Eterno e são cheios de vida; segundo a descrição de Ezequiel, são seres flamejantes – a palavra serafim significa aqueles que queimam – ou seja, semelhantes ao que está sentado no Trono. A vida deles é contemplar os vários aspectos da beleza trinitária de Deus. 

Meu suspirar é semelhante aos que cantam: “Quem dera eu tivesse mil olhos, para poder te contemplar!”. Quem me dera ter mil olhos, como os seres viventes, para ver essa beleza que ilumina todos os lugares mais escuros e confusos da minha alma! 
Essa função de adoração diante do trono é a função sacerdotal. Deus criou o homem para esse fim, governo e sacerdócio (Ap 1:6). 

3) OS VINTE E QUATRO ANCIÃOS – Há muitas interpretações a respeito dessa outra categoria de seres que vivem diante do Trono de Deus. A que mais achei equilibrada e lógica de acordo com a interpretação literal, é de que seriam uma categoria mais elevada de anjos. Provavelmente foram os primeiros seres da criação divina, criados para governar o universo sob a autoridade e soberania do Trono do Eterno. Prova disso são seus tronos e suas coroas – símbolos de governo e autoridade – que estão diante do Trono de Deus. Sabemos que o universo e toda a criação serão governados por Deus em parceria com a humanidade. Em Cristo esse propósito glorioso foi restaurado, portanto, esses tronos ocupados pelos 24 anciãos serão dados a seres humanos que governarão o universo com Cristo. 

Nós que por tantas vezes perguntamos por meio de canções, juntamente com Laura e Gabriel Guedes: "O que é que os anjos vêem que os fazem se prostrar, o que é o que os anjos vêem que os fazem cantar santo.." temos a resposta na descrição feita por João do impacto do Trono e da beleza do Eterno revelada nas sua multiforme sabedoria, glória, poder e soberania. São muitos ângulos que os seres que vivem diante do Trono de Deus podem olhar. E ao contemplar tamanha beleza não há como não ficar fascinado!
Que nesses dias a revelação do Trono de Deus seja uma realidade diária no lugar secreto, que os vários ângulos da beleza do Eterno possa nos fascinar! Que nossas vidas seja uma oração, um constante cântico que adore Àquele que está sentado no Trono. Que nosso coração possa enxergar quão belo é Jesus. 



Maranata!

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Cosmovisão I - Fragmentado

 

Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.

Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido.

(I Pedro 2:5,6)


A cultura pop apresenta de forma artística os frutos de reflexões pautadas em filosofias e crenças que se quer passam por nossa cabeça quando sentamos no sofá para assistir um filme, ou quando ligamos o Spotify para ouvir uma música. A era pós-moderna trouxe consigo a fragmentariedade, a liquidez das relações e as profundas crises de identidade, surtos psicóticos, doenças desconhecidas e raras.

Frases como: “Vou te ensinar algo que aprendi, acho que não descobrimos quem somos de uma vez, acho que acontece durante a vida, JUNTAMOS AS PARTES...” / “Prefere imaginar uma relação com alguém ausente a criar laço com os que estão presentes?” / “Qual é o centro do mundo pra você? É o amor, eu acho.” não te fazem visualizar Frankenstein[1]?

Juntar fragmentos e formar um novo ser é a história do jovem médico Frankenstein e sua criação, o monstro. E talvez seja esse o resultado da costura identitária ensinada pela filosofia pós-moderna, o monstro de Frankenstein.  

Lembro de um programa que passava na Tv Cultura, direcionado para o público infantil-juvenil: “Tudo que é sólido pode derreter”. Bem baumeniano[2] e filosófico, mas simples o suficiente para pré-adolescentes absorverem a mensagem central da pós-modernidade: “Nada dura para sempre!” / “Tudo que é sólido se desmancha no ar.” / “Não se apegue, por que essa relação pode acabar amanhã.”.

O reverendo Pedro Lucas Dulci em seu curso “Questões de gênero – sexo, ciência e sociedade” afirma que a sociedade pós-moderna oferece fragmentos a seus integrantes, estes, por sua vez, pegam as partes que lhe são oferecidas e se montam afirmando: “Este sou eu”, mas a própria costura das partes permite mudanças e fluidez em arrancar uma parte e costurar uma nova.

 

As pessoas são atormentadas pelo problema da identidade. No topo, o problema é escolher o melhor padrão entre os muito atualmente em oferta, montar as partes do kit vendidas separadamente e apertá-las de uma forma que não seja nem muito frouxa (para que os pedaços feios, defasados e envelhecidos que deveria ser escondidos embaixo não apareçam nas costuras), nem muito apertada (para que a colcha de retalhos não se desfaça de uma vez quando chegar a hora do desmantelamento, o que certamente ocorrerá).

(Zigmunt Bauman)

 

Essa mesma flexibilidade tornou-se uma faca de dois gumes para o indivíduo, veja o que afirma Michael Goheen e Craig Bartholomew:

Nossa cultura é uma cultura em busca de sentido. A fragmentação que a pós-modernidade infringiu à nossa cultura e o seu solapamento da modernidade deixaram a cultura ocidental cada vez mais sem uma base sólida em que possa encontrar sentido para fundamentar suas práticas. A pós-modernidade reduziu a grande narrativa da modernidade a “um montão de imagens quebradas”.

 

Dulci afirma que essa fragmentação se deu a partir do contexto histórico da aceleração da vida, como também pelos reducionismos advindos das relações comerciais – lucro e déficit – que passaram a explicar o ser humano, e suas relações afetivas. O ser humano foi reduzido ao mercado e a seus afetos, ao que sente. O mercado tornou-se afetivo, e as relações viraram produtos que podem “facilmente” ser substituídos ou descartados, caso não satisfaça o cliente. Essa falta de solidez colocou o “Eros” em agonia e as demais relações interpessoais em mera reprodução de si mesmo, posto que o objetivo das relações tornou-se engolir o outro, reduzindo-o à si mesmo, como o agente Smith[3] .

 

Nos últimos tempos tem-se propalado o fim do amor. Hoje, o amor estaria desaparecendo por causa da infinita liberdade de escolha, da multiplicidade de opções e da coerção da otimização. Num mundo de possibilidades infinitas, o amor não tem vez. [...] Mas essas teorias sociológicas do amor não percebem que... não é apenas a oferta de outros outros que contribui para a crise do amor, mas a erosão do Outro, que por ora ocorre em todos os âmbitos da vida e caminha cada vez mais de mãos dadas com a narcisificação do si-mesmo. O eros aplica-se em sentido enfático ao outro que não pode ser abarcado pelo regime do eu. No inferno do igual, que vai igualando cada vez mais a sociedade atual, já não mais nos encontramos, portanto, com a experiência erótica.

(Byung-Chul Han)

 

Como bem afirma Dulci, todo reducionismo é empobrecedor, e impede o diálogo com as demais esferas da vida social. O ser humano, como é de saber comum, é integral e bem mais complexo que o mercado e suas afeições. A afetividade faz parte do ser humano, mas não é todo ele. As relações econômicas fazem parte da humanidade, mas, não é em essência toda ela.

O resultado da costura pós-moderna, de indivíduos que estão afastados de seu criador, é o monstro de Frankenstein. Mas, não é esse o melhor caminho para se viver.

Como cristãos, o que fazer para não sermos engolidos pela cultura pop? Que paradigma usar? Como viver relacionamentos sólidos em tempos de liquidez? A resposta está na Trindade. C S Lewis em sua obra “Os quatro amores” traz duas definições de amor bem interessante, que pode nos auxiliar nesse caminho para fora da liquidez: a) Amor-dádiva e b) Amor-necessidade. O primeiro é voltado para o sacrifício e do serviço, enquanto que o segundo está pautando em suprir nossas carências e desejos.

O paradigma de amor apresentado por Lewis é a trindade. O relacionamento de interpretação e amor-dádiva entre Pai, Filho e Espírito Santo devem ser nossos parâmetros para amar, ser e viver. Ter nossa identidade atrelada à Cristo nos livra da fragmentariedade. O objetivo é discipular nossas afeições por meio da pericorese[4]. O Pai se doando ao Filho, o Espírito revelando o Filho, e o Filho exaltando o Pai, e de mãos dadas dançam eternamente essa perfeição de amor e doação à humanidade, convidando-nos de volta a entrar na dança dos três.

Cristo não é apenas o mediador entre Deus e os homens, mas entre mim e os meus semelhantes. Cristo nos impede de engolir o outro em nossos relacionamentos. Cristo nos livra da violência contra o outro, de modo a impedir que façamos de nossos irmãos alguém pessoas idênticas a nós. Cristo é a rocha que nos livra da liquidez e das confusões deste século. Cristo, há solidez no Cristo! Olhando para Ele não seremos abalados ou confundidos!





[1] Frankenstein ou o Prometeu Moderno, romance escrito no século XIX (1823) por Mary Shelley.

[2] Zigmunt Bauman foi um sociólogo e filósofo polonês. Ficou mundialmente conhecido por sua teoria da liquidez nas relações sociais. Suas principais obras são: Modernidade líquida e Amor líquido – sobre a fragilidade dos laços humanos.

[3] Personagem da trilogia Matrix, interpretado por Hugo Weaving. Era o principal inimigo do personagem principal, Neo (Keanu Reeves).

[4] Termo da teologia cristã encontrado na literatura patrística e em outras obras posteriores. Ele se refere à mútua interpenetração e coabitação das três pessoas da Trindade.









sexta-feira, 17 de julho de 2020

Escatologia VIII – Arrebatamento secreto?



Vem Jesus, vem Jesus, Marata, ora vem Senhor Jesus!
(Ministério Aviva)








A história da escatologia, em especial no Brasil, sofreu uma forte influência de escritos fictícios que se aliaram ao medo causado por alguns aspectos da teologia pré milenista histórica. O resulto disso foi um abraçar, quase completo, do dispensacionalismo, doutrina que surgiu durante o século XIX no Reino Unido. Essa doutrina foi adotada em especial, pelas igrejas pentecostais e neopentecostais no Brasil, como também várias denominações de outros países. 

A palavra dispensação vem do grego iokonomia, administração ou economia. Essa linha de entendimento e interpretação escatológica divide a história de Deus na história do homem em dispensações[1]; todavia a parte do ensino mais propagado através dessa doutrina foi a existência de um arrebatamento secreto. Ou seja, Jesus viria de “surpresa” (antes do início da Grande Tribulação) e nas nuvens após a Grande Tribulação, onde “todo olho o verá”. 

Quatro motivos que me fazem desacreditar no arrebatamento secreto pré tribulacionista 

1) A DOUTRINA EXISTE HÁ MENOS DE TRÊS SÉCULOS[2][3]

Inicialmente a doutrina foi elaborada por John Nelson Darby, fundamentada nas visões da adolescente Margaret MacDonald[4]. O dispensacionalismo é o fundamento teológico da série fictícia “Deixados para trás”, que vendeu mais de cinquenta milhões de exemplares de livros e foi transposta para vários tipos de mídia, incluindo uma série de três filmes. Portanto leitores, a doutrina de um arrebatamento secreto pré-tribulacional nunca existiu antes de 1830. 

Dave MacPherson escreveu sobre o tema do arrebatamento secreto o seguinte relato: “Temos visto que uma jovem escocesa chamada Margaret Macdonald teve uma revelação particular em Port Glasgow, Escócia, no começo de 1830, de que um grupo seleto de cristãos seria capturado para encontrar Cristo nos ares, antes dos dias do Anticristo. Uma testemunha ocular, Robert Norton M.D., preservou o relato escrito a mão por ela da sua revelação de um arrebatamento pré-tribulacional em dois de seus livros, e disse que foi a primeira vez que alguém dividiu a segunda vinda em duas partes ou estágios distintos.” Segundo o mesmo autor, os escritos dessa nova doutrina, entre outros escritos da Igreja Católica Apostólica ficaram escondidos por várias décadas. 

John Nelson Darby, irlandês, líder do movimento Irmãos e “Pai do dispensacionalismo moderno”, tomou os ensinos de Margaret, fez algumas mudanças[5] e incorporou-o em seu entendimento dispensacionalista das escrituras. A divulgação e propagação dessa doutrina deu-se por meio de uma bíblia comentada por Cyrus Ingerson Scofield[6] (1843- 1921). Concomitantemente os eventos, palestras e seminários abertos nessa linha propagaram ainda mais a “nova doutrina”. 


2) NÃO TEM FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA 

Primeira consideração importante, o método hermenêutico da doutrina do arrebatamento secreto não segue o método de interpretação judaico das escrituras – a Midrash – que utiliza o sentido simples e literal do que está escrito. Ou seja, lendo os textos que fazem referencia a um tipo de arrebatamento o leitor nunca chegaria a conclusão da existência de dois (um secreto e outro visível). O autor Hal Lindsey, defensor do pré-tribulacionismo[7], admite que sua crença não baseia-se no sentido simples e literal das escrituras. Ele afirma que nenhuma texto Bíblico consegue mostrar com clareza que haverá um arrebatamento secreto e antes da tribulação. Vejamos alguns textos muito usados para basear essa teoria: 

Dizemos a vocês, pela palavra do Senhor: nós, os que ainda estivermos vivos quando o Senhor voltar, não iremos ao encontro dele antes daqueles que já morreram. Pois o Senhor mesmo descerá do céu com um brado de comando, com a voz do arcanjo e com o toque da trombeta de Deus. Primeiro os mortos em Cristo ressuscitarão. Depois, com eles, nós, os que ainda estivermos vivos, seremos ARREBATADOS nas nuvens ao encontro do Senhor nos ares. 
(I Tessalonicenses 4:15-17) 

Nesse texto percebemos que o arrebatamento será nos ares, nos encontraremos com Cristo. Eles estará vindo e nos encontraremos com Ele, primeiro os que morreram em Cristo, depois nós, os que estivermos vivos quando esse momento acontecer. Ao final do versículo 16, vemos que será ao toque da trombeta, se olharmos em Apocalipse 11:15-19 e 19:11-21, a trombeta que Paulo está se referindo é a sétima, descrita por João. É ao final da Grande Tribulação, quando Jesus desce do céu nas nuvens. Outro texto usado para afirmar uma vinda secreta de Jesus é a continuação desse mesmo texto de Tessalonicenses: 

Não é necessário, irmãos, que eu lhes escreva sobre quando e como tudo isso acontecerá, pois vocês sabem muito bem que o dia do Senhor virá inesperadamente, como ladrão à noite. [...] Mas vocês, irmãos, NÃO ESTÃO NA ESCURIDÃO A RESPEITO DESSAS COISAS e não devem se surpreender quando o dia do Senhor vier como ladrão. Porque todos vocês são filhos da luz. Não pertencemos à escuridão e à noite. Portanto, fiquem atentos; não durmam como os outros. Permaneçam atentos e sejam sóbrios. 
(I Tessalonicenses 5:1-6) 

A perícope do texto inicia no capítulo 4, se formos olhar o contexto do texto, Paulo continua falando sobre o que ele começou anteriormente, o Dia do Senhor, que trará consigo a ressurreição dos mortos e o retorno de Jesus nas nuvens. O Dia do Senhor virá como ladrão para aqueles que não são Igreja, para aqueles que não estão na luz. 
Outro texto bastante usado para apresentar e fundamentar a doutrina do arrebatamento secreto é parte do discurso de Jesus sobre o fim dos tempos: 

Contudo, ninguém sabe o dia nem a hora em que essas coisas acontecerão, nem mesmo os anjos no céu, nem o Filho. Somente o Pai sabe. Quando o Filho do Homem voltar, será como no tempo de Noé. Nos dias antes do dilúvio, o povo seguia sua rotina de banquetes, festas e casamentos, até o dia em que Noé entrou na arca. Não perceberam o que estava para acontecer até que veio o dilúvio e levou todos. Assim será na vinda do Filho do Homem. Dois homens estarão trabalhando juntos no campo; um será levado, e o outro, deixado. [...] 
(Mateus 24:36-40) 

Jesus termina seu discurso sobre os acontecimentos do Dia do Senhor no v. 31, e então entre duas parábolas ele insere a referencia dos dias de Noé para mostrar como serão difíceis os dias da Grande Tribulação. E se observarmos o contexto do texto os que foram levados não tem uma conotação positiva, mas negativa, como foi no dilúvio. Quem foi deixado foi quem sobreviveu, quem foi levado pelo dilúvio pereceu. Portanto, quando usamos o princípio básico de interpretação, considerar o contexto do texto, percebemos que em nenhum momento há menção de um arrebatamento secreto na fala de Jesus. 


3) UMA DOUTRINA DE PAZ E SEGURANÇA QUE NÃO CONDIZ COM A HISTÓRIA DA IGREJA 

O martírio sempre fez parte da história da Igreja, e Deus sempre foi glorificado através desse processo. As escrituras afirmam que o tempo de Grande Tribulação será um tempo que nunca houve outro antes, os dias serão abreviados (3 anos e meio) para que haja sobreviventes. O Martírio é o que Tertuliano afirmou: “O sangue dos mártires é a semente da igreja”; O que os irmãos morávios confirmaram através de seu testemunho: Que o cordeiro recebe a recompensa de seu sofrimento. Existem sofrimentos pelo Cristo que o apóstolo Paulo participou e que Pedro diz que podemos ser participantes: 

Agora que alegro nos meus sofrimentos por vós e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em benefício do seu Corpo, que é a Igreja. 
(Colossenses 1:24) 
Amados, não se surpreendam com as provações de fogo ardente pelas quais estão passando, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Pelo contrário, alegrem-se muito, pois essas provações os tornam participantes dos sofrimentos de Cristo, a fim de que tenham a maravilhosa alegria de ver sua glória quando ela for revelada. 
(I Pedro 4:12-13) 

Não estou afirmando que todos nós seremos mortos por amor a Jesus, mas precisamos desenvolver em nosso coração o espírito do martírio. Viver Cristo e ter a morte como lucro. Uma vida de entrega total, o derramar de tudo que temos de mais precioso aos pés do mestre. A Igreja do fim dos tempos estará preparada com o espírito de martírio desenvolvido em amor intenso ao Senhor. Nosso irmão Dalton Tomas traz com muita profundidade o exemplo de martírio de Maria de Betânia: 

Amigos, eu pergunto a vocês: a herança de vocês em Cristo é maior do que tudo o que vocês têm na terra? Oh, pela graça de amá-lo com tamanho abandono! Você derramará aos pés dEle o que você tem de mais precioso? Você dará a si mesmo por completo a Ele e não se importar quando o mundo lhe escarnecer: “Vejam como ele está jogando fora a sua vida”, ou “Que desperdício de tempo e energia”. Que persistamos em meio à vergonha terrena e deixemos tudo por uma maior herança celestial. 
[...] 
Embora ela nunca tenha dado um testemunho de mártir em sua morte (pelo menos é o que sabemos), Maria de Betânia exemplifica o espírito de martírio de forma mais clara do que qualquer um no Novo Testamento (é por isso que Jesus mandou que os seus discípulos contassem a história dela a todos os povos e nações a onde eles fossem enviados). A fragrância da devoção dela profetizou o sacrifício daqueles futuros mártires presentes na sala naquela noite. Por meio daqueles jovens rapazes, “o aroma de Cristo” seria difundido entre as nações nas quais mais tarde eles sangrariam. 
Os discípulos nunca se esqueceriam do aroma daquele perfume. A memória de sua fragrância e a devoção que ela representava permaneceu com eles até o dia em que eles derramaram as suas próprias veias na mesma paixão santa que tomou conta dessa preciosa mulher de Betânia. Maria derramou seu óleo. Os discípulos derramaram o seu sangue. Aos olhos do Senhor, ambas as ofertas eram belas, não simplesmente porque elas eram custosas, mas porque elas eram motivadas pelo amor. Esse é o verdadeiro espírito do martírio. 

Esse será o espírito da Igreja do fim dos tempos, não temeremos a morte, porque vida e morte fazem parte de uma mesma realidade. Deus é glorificado e mais vidas são acrescentadas ao Corpo de Cristo. 

4) DESCONSIDERAÇÃO DA LEI E DOS PROFETAS[8]

Segundo Darby a “idade da Lei” havia acabado na cruz e que a “idade da Graça” e consequente a igreja tinha começado na cruz. E com a Grande Tribulação, segundo ele, a idade da graça termina e volta a idade da lei. Aqui surgiu um problema para a teologia de Darby, como a lei voltaria se a igreja continuaria na terra durante a Grande Tribulação, é onde ele supõe que toda a igreja será retirada da terra e só ficarão os judeus. Outro ponto controverso seria os judeus crentes: eles seriam arrebatados com a igreja ou ficariam com os outros durante a Grande Tribulação? Darby, então, apresenta uma suposta solução: a dicotomia entre Israel/Igreja. Esta teoria ensinava que um judeu que se tornava crente no Messias passava a fazer parte da Igreja e não era mais parte de Israel. Como resultado disto, ninguém poderia ser parte tanto da Igreja quanto de Israel. Segundo esta teoria, judeus crentes deixariam de ser judeus e se tornariam parte da Igreja de Deus, que ele ensinava conter pessoas que não eram nem judeus nem gentios. 


Meu objetivo aqui não é trazer convencimento, mas uma atenção maior ao checar os textos bíblicos e analisar se nosso coração está mais ligado ao que aprendemos por tanto tempo ou àquilo que o texto está realmente dizendo. No seminário, onde tive minha primeira formação teológica, fui ensinada na linha dispensacionalista. Durante esse período de pandemia e isolamento social tenho dedicado meu tempo no estudo das escrituras e pude perceber que aquilo que Deus me revelou aos dez anos de idade, lendo Apocalipse e outros textos escatológicos, é que a Igreja estará presente durante a Grande Tribulação. Estaremos junto com as duas testemunhas, em Jerusalém, pregando que o Rei está voltando. Que nesses dias nosso coração venha se encher de amor pelo Cristo. 



Maranata 




[1] Normalmente são sete: Inocência / Consciência / Governo Humano / Promessa / Lei / Graça / Reino. Há outras formas mais reduzidas dessa divisão, como também algumas variações nessas divisões.

[2] Essa doutrina nunca foi ensinada pelos pais da Igreja e muito menos pela tradição judaica que acompanhavam os apóstolos do primeiro século.

[3] Informações retiradas do PDF de Eliezer Lucena de Castro.

[4] Profeta de uma seita católica chamada Irvingita. Os irvingitas são os seguidores de um famoso pregador de Londres, Edward Irvig. A nova denominação Igreja Católica Apostólica não foi fundada por ele, mas certamente recebeu sua influência.

[5] Margaret afirmava que apenas parte dos crentes participariam do arrebatamento secreto, Nelson cria que todos salvos seriam arrebatados.

[6] C. I. Scofield publicou sua Bíblia de Referência Scofield em 1909.

[7] Pré-Tribulacionista: Crê no arrebatamento (parcial ou total da Igreja) antes da Grande Tribulação; Pós-Tribulacionista: Crê no arrebatamento ao final da Grande Tribulação. As duas linhas são consideradas Pré Milenistas, a primeira dispensacionalista e a segunda Histórica.

[8] Considerações do Dr. James S. Trimm – um judeu messiânico.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Escatologia VI - O Dia do Senhor


Desejo o dia em que verei o Rei, vestes de linho brilhante vesti. Meu coração se alegra em saber que o Cordeiro já estar por vir. Ele vem, o casamento está chegando eu sei, Ele vem e o amor por ele a cada dia cresce em mim.
(Ele vem – Fhop)





O Grande e terrível Dia do Senhor é uma promessa presente e muito repetida no Antigo Testamento. É também chamado de “O dia da vingança do nosso Deus”. É importante entendermos esses dois aspectos do Dia do Senhor, um positivo e o outro negativo. Ele será grande e poderoso para a Igreja, aqueles que anseiam e esperam pelo retorno do Rei; e esse dia também vai ser terrível (em Atos dos Apóstolos, Pedro usa a palavra “glorioso”) para aqueles que estarão contra o Senhor. Os aspectos positivos são: restauração de todas as coisas, ele vem fazer justiça! Mas negativamente haverá juízo, retribuição punitiva. A redenção messiânica é para a toda a criação e não somente para a humanidade, é por isso que Paulo fala que toda a criação geme em expectativa pela manifestação (glorificação) dos filhos de Deus.
A primeira vez que esse termo é mencionado na Bíblia é no livro de Isaías, todavia, como já falamos, as promessas escatológicas da derrota total sobre a serpente e um reinado de justiça e paz, estão expressas desde Gênesis 3:15. Dia do Senhor que está atrelado ao reino milenar de Cristo. Acredito que o Dia do Senhor engloba todos esses fatos, antes e depois do retorno de Jesus.


“O Senhor, à tua direita, ferirá os reis no dia da sua ira.” (Salmos 110:5)
“Porque o Dia do Senhor dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta; e ele será humilhado" (Isaías 2:12)
Porque está perto o dia, sim, está perto o dia do Senhor; dia nublado; será o tempo dos gentios.
(Ezequiel 30:3)
“Ai do dia! Porque o dia do Senhor está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso.”
(Joel 1:15)
“Tocai a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, já está perto;” (Joel 2:1)
“Ai daqueles que desejam o dia do Senhor! Para que quereis vós este dia do Senhor? Será de trevas e não de luz”. (Amós 5:18)
“Porque o dia do Senhor está perto, sobre todos os gentios; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua recompensa voltará sobre a tua cabeça.” (Obadias 1:15)
“O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o poderoso”. (Sofonias 1:14)
“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor;”
(Malaquias 4:5)
“Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.” (1 Coríntios 5:5)
“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite;”
(1 Tessalonicenses 5:2)

Existe uma sequência de eventos que estão inclusos dentro dessa expressão: O Grande e Glorioso dia do Senhor. Gostaria de trazer a sequência desses eventos para que os leitores não fiquem perdidos quando começarmos a expor os detalhes no estudo que estamos fazendo aqui. Segundo as escrituras (o livro de Apocalipse como maior fundamento), e a interpretação da maioria dos teólogos pré-milenistas históricos[1]:
1) Início das Dores de Parto – O que Jesus fala em Mateus 24 a respeito das guerras e rumores de guerras, e o que Pedro também expõe em sua carta.
2) O anticristo fará aliança com Israel – serão sete anos de governo de um líder que se levantará em meio ao cenário político. Sua influência será espiritual, política e militar. Aqui se iniciará o que o anjo relatou a Daniel, será a última semana das “70 semanas de Daniel”[2]. No livro de Daniel capítulo 9, o profeta está orando a respeito da profecia dada por meio de Jeremias, antes de Jerusalém ser invadida por Nabucodonosor. Daniel estava conversando com Deus e suplicando ao Senhor por respostas, era como se ele estivesse dizendo: Senhor já se passaram os 70 anos de cativeiro, onde está nosso libertador? Está na hora de Israel ser restaurado? – é muito interessante essa oração de Daniel, é parecida com a pergunta feita pelos discípulos a Jesus. Vejamos o que Deus responde a Daniel, por meio de Gabriel:
Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.
(Daniel 9:21-27)
Depois dessa resposta, o que Daniel faz? Ora novamente dizendo: Senhor, eu não entendi! Me explica novamente, com mais clareza! – que princípio sensacional aprendemos aqui com Daniel, não é mesmo? – voltando ao texto, após vinte e um dias de mais oração e jejum Daniel recebe a resposta de suas súplicas – Daniel 10,11 e 12. Essas “70 semanas” são 70 semanas de anos (490 anos[3]). Gabriel diz que a partir do momento em que sair a ordem para restaurar Jerusalém (ordem dada por Artaxerses – Neemias 2) até a chegada de Jesus (o Messias) contam-se: 7 semanas + 62 semanas = 69 Semanas (483 anos). A profecia está dizendo que nessas primeiras sete semanas a cidade e o templo serão restaurados (49 anos), e ao final da 62º semana o messias seria morto. Nos capítulos finais do livro de Daniel, Jesus revela a Daniel tanto o que iria acontecer com Israel na antiguidade (os reis que iriam suceder a Babilônia), quanto os acontecimentos finais que precederiam a segunda vinda do Messias (Surgimento do anticristo e do último reino humano que eram os pés da estátua de Nabucodonosor – Daniel 2 – ; Grande Tribulação; retorno do Messias, libertação e restauração de Israel).
3) Grande Tribulação – Na metade desse governo o anticristo (dos sete anos – última semana, das 70 semanas de Daniel) vai quebrar esse acordo e vai perseguir Israel e todos aqueles que estiverem a seu lado (a Igreja) – Esse período é chamado de Grande Tribulação. Será o período em que os juízos de Deus descritos no livro de Apocalipse (Sete Selos, Sete Trombetas e Sete Taças) serão derramados sobre a terra e sobre o governo do anticristo. Será um período de grande perseguição à Igreja e aos Judeus, mas ao mesmo tempo será um período de maior mover e glória que o povo de Deus vai ter experimentado em toda a história. Será um período que terá duração de três anos e meio – um tempo, dois tempos e metade de tempo / mil duzentos e sessenta dias.
4) Início da procissão da Segunda Vinda – Ao final da Grande Tribulação o sinal do Filho do Homem é visto no céu, e TODOS o verão! Existe um período de tempo apresentado apenas por Daniel, um total de 75 dias, nos últimos versículos de seu livro. Segundo Joel Richardson, esse período seria o tempo total da campanha do Armagedom. Aqui dividimos esse período em dois. Os 30 primeiros dias é o início, em que Ele surgirá nas nuvens, nós o encontraremos nos ares, nossos corpos serão glorificados e o acompanharemos até Jerusalém, para a batalha final no vale do Megido (vale de Josafá). E nesse momento todos o irão ver, Israel irá se render ao seu salvador e clamarão: Bendito é o que vem em nome do Senhor!
5) Jesus em Jerusalém – por fim Jesus desce no Sinai e começa a libertar todos do seu povo que estarão presos em “Campos de Concentração” feitos pelo anticristo; Ele vai refazer o trajeto do Êxodo, mas fará pelo caminho mais curto. Ele virá de Edom, e ao chegar ao vale de Josafá exterminará todos os inimigos de Israel e o anticristo, com a espada de Sua boca. Entrará em Jerusalém, como descrito pelos profetas, e sentará no trono de seu pai Davi, e governará toda a terra a partir de Israel. Esse momento da batalha final no vale Josafá (Megido / Armagedon) também é conhecido como “a vindima”, vejamos os textos:
Quem é este que vem de Edom, da cidade de Bozra, com as roupas manchadas de vermelho? Quem é este vestido de trajes reais, que marcha em sua grande força? “Sou eu, o SENHOR, anunciando sua justiça! Sou eu, o SENHOR, poderoso para salvar!” Por que suas roupas estão vermelhas, como se você estivesse pisado uvas? “Pisei uvas sozinho no tanque de prensar; não havia ninguém para me ajudar. Em minha ira, esmaguei meus inimigos como se fossem uvas. Em minha fúria, pisoteei meus adversários; seu sangue manchou minhas roupas. Chegou a hora de vingar meu povo, de resgatá-los de seus opressores.”
(Isaías 63:1-4)
E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo.
E estava vestido de veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus.
E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro.
E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso.
E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.
E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai-vos à ceia do grande Deus; Para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes.
(Apocalipse 19:11-18)

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Os textos estão falando a respeito do mesmo evento. O profeta faz uso da ilustração da vindima, o pisar das uvas em um lagar para a fabricação do vinho. Essa mesma ilustração é mostrada no livro de Apocalipse pelo apóstolo João, como se ele estivesse dizendo: “vocês se lembram do que Isaías disse a respeito daquele que vem de Edom com as roupas sujas de sangue? O Filho do Homem que Daniel em todo seu esplendor e glória? É Jesus, o Cristo.” Muitos teólogos entendem que esse sangue é do próprio Jesus, mas o texto é muito claro, o sangue respingado nas vestes de Jesus é de seus inimigos, daqueles que estarão oprimindo Israel. Esse é o momento de vitória sobre o Anticristo e seu reinado. Se você continuar lendo o texto em Apocalipse vai perceber a continuação dos acontecimentos, o anticristo e o falso profeta serão lançados vivos no lago de fogo e Satanás será preso (durante mil anos).
Eis que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti. Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade.
E o Senhor sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha. E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.
[...]Então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos contigo. E acontecerá naquele dia, que não haverá preciosa luz, nem espessa escuridão. Mas será um dia conhecido do Senhor; nem dia nem noite será; mas acontecerá que ao cair da tarde haverá luz. [..]. E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o Senhor, e um será o seu nome.
(Zacarias 14:1-9)

6) Milênio – Período do governo do Messias em que toda a Terra será restaurada e preparada para que o próprio Deus venha tabernacular com o homem. É o período em que estaremos em parceria com o Senhor para a restauração de toda a criação (biomas, vegetação, espécies de animais, plantas...), a Terra voltará a ser como era no Jardim do Éden.
7) Eternidade – Período em que estaremos unidos para sempre com a trindade. Onde conheceremos mais e mais sobre Jesus. Nesse período seu reinado continuará e se expandirá cada vez mais.
Quando o Filho do Homem voltar, será como no tempo de Noé. Nos dias antes do dilúvio, o povo seguia sua rotina de banquetes, festas e casamentos, até o dia em que Noé entrou na arca.
(Mateus 24:37-38)

O Dia do Senhor virá como o dilúvio veio nos dias de Noé. Todas as pessoas estavam vivendo suas vidas normalmente, trabalhando, casando-se e tendo filhos; até o dia que o dilúvio veio e levou todas as pessoas que não estavam na arca. O Dilúvio foi um tipo do que será o Dia do Senhor, aqueles que entraram em Cristo serão livres da ira de Deus. A alerta que Jesus dá nesse texto de Mateus é para estarmos alerta, atentos aos sinais de sua vinda.
Maranata!  




[1] A opinião dos teólogos e estudiosos a respeito do assunto – Pré milenistas de modo geral – possui pouca divergência em relação à sequência desses acontecimentos. Tendo em vista que, o método usado pelos interpretes é da literalidade (na maioria das passagens), é possível ao leitor checar as passagens citadas aqui em sua própria bíblia e se aventurar nas demais passagens de cunho escatológico e perceber por si só esse entendimento.
[2] Lei mais sobre esse assunto no Site da Iniciativa: https://ainiciativa.com/70-semanas-de-daniel/
[3] Sendo uma profecia para Israel, são anos lunares = 360 dias.